| |

Edição
1955, 10 de maio de 2006
Ciências
da Natureza, Matemática e suas Tecnologias Biologia
Pelo
fim das pragas
Realize com a moçada um estudo de
caso
sobre a febre aftosa e a ferrugem asiática
|
Miguel
Rojo/ AFP
|
 |
|
Vacinação
contra a febre aftosa: método
de prevenção simples e muito eficiente
|

|
|
 |

Doenças,
agropecuária e saúde pública


Conhecer
causas e sintomas da ferrugem asiática
e da febre aftosa e os riscos que esses males
representam para o homem |
|
|
A
febre aftosa, a gripe aviária e a ferrugem asiática
vêm tirando o sono dos fazendeiros. Segundo VEJA, boa
parte da crise do agronegócio se traduz na perda de
safras e rebanhos, causada por pragas e pela falta de visão
dos produtores. A aplicação de técnicas
adequadas de proteção das lavouras e do gado
resolveria o grosso do problema. Para evitá-lo, é
preciso conhecê-lo. As atividades deste plano de aula
buscam tal conhecimento.
Preparação
da aula
A
gripe aviária é tema de uma aula recente publicada
pelo Guia do Professor (veja a indicação no
final deste roteiro). Vale lembrar que ainda não foi
detectado nenhum foco do vírus causador dessa doença
no Brasil.
Atividades
1Ù aula Promova
a leitura coletiva da revista, esclarecendo eventuais dúvidas.
Identifique a ferrugem asiática e a febre aftosa como
agentes agravantes da crise. Isso é fundamental para
a determinação do problema a ser investigado:
como combater os surtos dessas doenças? Debata as possíveis
formas de prevenir e exterminar pragas na agricultura e na
pecuária. Ao final da discussão, a turma deve
concluir que é preciso conhecer o problema e, assim,
saber em que ponto do seu ciclo de vida as pragas podem ser
interrompidas.
2Ù e 3Ù aulas Dedique
algum tempo à pesquisa das doenças, a ser realizada
no laboratório de Informática e/ou na biblioteca.
Nessa etapa, os alunos divididos em pequenos grupos
vão levantar dados e preencher uma tabela comparativa
entre a ferrugem asiática e a febre aftosa. Esses parâmetros
e os resultados esperados são mostrados na tabela da
página ao lado. Peça que o estudo inclua também
as condições propícias para o desenvolvimento
das moléstias.
4Ù aula Com base no que foi aprendido, proponha a análise
das duas situações a seguir, retomando a questão
inicial: como prevenir e combater os surtos dessas pragas?
Situação
A Numa fazenda de soja em Mato Grosso do Sul, onde
o cultivo na entressafra é irrigado por pivôs,
um agricultor descobre que no município vizinho foi
detectada ferrugem asiática em lavouras do mesmo grão.
Situação
B Numa fazenda de gado, o pecuarista é informado
de que num município vizinho, a cerca de 100 quilômetros
de distância, eclodiu um surto de febre aftosa.
Os resultados da pesquisa precisam
subsidiar propostas práticas, tais como:
Situação
A Antes de tudo, o produtor deve monitorar a plantação
para detectar eventuais contaminações pelo fungo
logo no início, o que facilita sua erradicação.
Como a ferrugem asiática tem sua infecção
favorecida com a molha das folhas por mais de 10 horas, é
importante que o agricultor na entressafra diminua e controle
a irrigação por pivôs para eliminar o
excesso de água na plantação. Uma vez
detectada a contaminação, o fungicida deve ser
aplicado conforme as normas recomendadas para o produto, principalmente
em relação à periodicidade e à
quantidade a ser ministrada por hectare. Ao ministrar esse
fungicida nas lavouras, é necessário que o fazendeiro
tome todas as medidas e os cuidados descritos na embalagem,
pois é no contato com o veneno que reside o perigo
para o homem.
Situação
B Como o vírus causador da febre aftosa pode
ser transmitido via aerossóis num raio de até
300 quilômetros, a fazenda de gado em questão,
corre o risco de ser atingida. Nesse caso, é preciso
aplicar medidas de prevenção. Inicialmente,
espera-se que o pecuarista já tenha vacinado o gado.
Do contrário, deve fazê-lo quanto antes, pois
essa é uma exigência legal. Além disso,
tem de criar em sua fazenda uma barreira para evitar o contato
com animais de outras localidades, em especial aqueles provenientes
do município vizinho. Essa barreira deve levar em conta
ainda potenciais meios de transporte de animais contaminados
e mesmo pessoas oriundas de regiões afetadas, incluindo
calçados, roupas e equipamentos. Apesar de a doença
ser de baixíssima incidência e benigna em humanos,
os cuidados para evitar o contágio têm de ser
tomados para que as pessoas portadoras do vírus não
disseminem a praga nos animais.
A cada etapa do trabalho, faça
pequenas avaliações, considerando a participação
de cada estudante nas tarefas executadas em equipe. Que tal
sugerir que a apresentação final das propostas
para as duas situações seja feita em forma de
seminário para toda a turma? Outra possibilidade é
a criação de uma página de internet sobre
o tema, vinculada ao site da escola.
5Ù aula Distribua
entre os estudantes um texto sobre a vida e a obra de Freud
(veja a indicação de site no fim deste roteiro
de aula). Pontue momentos marcantes, como seu estágio
com o neurologista francês Jean-Marie Charcot, quando
teve contato com as técnicas hipnóticas. Mais
tarde, Freud percebeu que esse recurso poderia ser substituído
por técnicas de livre associação, o que
o levou a cunhar o termo psicanálise. Também
é importante lembrar o papel da interpretação
dos sonhos no trabalho psicanalítico, introduzido por
Freud com base nas próprias experiências oníricas.
É possível que
a turma se interesse por questões relativas ao modelo
estrutural da mente, que define as funções do
id, do ego e do superego. Explique cada um ou sugira a realização
de uma pesquisa a respeito. Se achar conveniente, faça
só um resumo. No id, que concentra os instintos, alojam-se
impulsos contrários, como o sexual (Eros) e o da morte
(Tanatos). O ego, que se desenvolve do id, é a parte
que está em contato com a realidade externa
é o que comanda o movimento voluntário. O superego,
evoluído do ego, é responsável pela nossa
parte crítica. Segundo Freud, ele possui três
funções: consciência, auto-observação
e formação de ideais.
|
Ferrugem
asiática |
Febre
aftosa |
| Agente
causador |
O
fungo Phakopsora pachyrhizi |
Um
vírus da família Picornaviridae, gênero
Aphtovirus |
| Plantas
ou animais atingidos |
Soja
e outras leguminosas |
Bovinos,
ovinos, caprinos, suínos e todos os ruminantes
selvagens. Eqüinos são refratários
à doença |
| Contágio |
Dispersão
por esporos pelo ar |
Por
contato direto ou indireto com secreções
e vetores animados ou inanimados, ou via aerossóis
num raio de até 300 quilômetros. Os
animais contaminados podem transmitir a doença
durante a incubação e a manifestação
da aftosa |
| Sintomas
da doença |
Geralmente,
inicia pelas folhas localizadas nas partes baixas
da planta. No tecido sadio da folha, surgem minúsculos
pontos escuros. Na face inferior da folha, podem
ser observadas saliências que correspondem
a estruturas de frutificação do fungo
(urédias) |
Bovinos
Febre, anorexia, calafrios, redução
na produção de leite, estalar dos
lábios, dificuldade de deglutição,
salivação e surgimento de aftas na
mucosa oral e nasal, nos espaços interdigitais
e nas bandas coronárias dos cascos. Após
24 horas, as aftas se rompem e formam úlceras.
Podem ocorrer aftas nas glândulas mamárias
e, assim, a doença é transmitida aos
bezerros. Complicações: erosões
da língua, infecção das lesões,
deformação dos cascos, mastite, miocardite,
aborto e morte de animais jovens
Ovinos e caprinos As lesões
são menos pronunciadas (podem passar despercebidas
nas patas). Ocorre agalaxia e morte dos animais
jovens
Suínos Surgem lesões
graves nas patas, seguidas de aftas no focinho.
É alta a mortalidade de leitões |
| Métodos
de prevenção |
Aplicação
de fungicidas |
Vacinação
dos animais. A prevenção no homem
consiste em pasteurizar ou ferver o leite e proteger
as feridas ou abrasões em contato com animais
enfermos ou materiais contaminados pelo vírus |
| Problemas
para o homem |
Não
gera efeitos diretos no homem, pois ataca apenas
a planta. Mas deve-se tomar cuidado ao ministrar
os fungicidas, que são nocivos ao nosso organismo |
Embora
o homem raramente se infecte e adoeça, é
um hospedeiro acidental. A contaminação
por ingestão de carnes e derivados não
foi comprovada. A transmissão entre pessoas,
também não. A infecção
no homem pode ocasionar uma enfermidade clinicamente
aparente ou ser assintomática, diagnosticada
apenas por provas sorológicas. Na fase inicial,
há febre, dor de cabeça e anorexia.
A afta primária surge no local de penetração
do vírus e logo se generaliza, com formações
na boca, nas mãos e nos pés. Apenas
40 casos já foram documentados no mundo todo |
|
Internet
O
site www.vejanasaladeaula.com.br
traz o roteiro "A
Turma Deve Ser Alertada para os Perigos de uma Nova Pandemia",
publicado originalmente no Guia do Professor, edição
5, ano 9, que aborda o problema da gripe aviária

Roteiro
criado por José Manoel Martins, professor de
Biologia do Colégio Oswald de Andrade-Caravelas, de
São Paulo
|
|