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Edição 1930, 9 de novembro de 2005

Literatura

Um brasileiro chamado Vinicius

Chico Nelson
Tom Jobim, Vinicius de Moraes, Miúcha e Toquinho em show no Canecão, realizado em 1977: bons e velhos tempos da MPB

 

A resenha “Tudo, Menos Poetinha” (pág. 142 de VEJA), sobre o lançamento do filme Vinicius, focaliza uma das figuras mais fascinantes de nosso panorama cultural, que se autodescreveu, no Samba da Bênção, como “o capitão-do-mato Vinicius de Moraes, poeta e diplomata. O branco mais preto do Brasil”. Use o texto para acompanhar, com seus alunos, a trajetória desse personagem contraditório e de múltiplas facetas, que em certa medida sintetiza a da cultura brasileira entre as décadas de 1940 e 1980.

Divida a classe em grupos e proponha estudos sobre as várias frentes de atuação desse guerrilheiro da cultura. No teatro, chame a atenção para a peça Orfeu da Conceição, premiada em 1954. Ela deu origem ao filme Orfeu Negro, de Marcel Camus, que receberia em 1959 a Palma de Ouro do Festival de Cannes e o Oscar de Hollywood. Conte que em 1956, por ocasião de uma montagem da peça, Vinicius convidou Antonio Carlos Jobim para fazer a trilha sonora do espetáculo. Era o início de uma das mais luminosas parcerias da música popular brasileira, marcada por clássicos como Garota de Ipanema, Chega de Saudade e outros hinos da bossa nova. Sugira que seus alunos montem um painel com as composições de Vinicius e alguns de seus parceiros mais conhecidos, como Tom, Baden Powell e Toquinho. Destaque a importância dos afro-sambas, de Baden e Vinicius, que evidenciaram toda a riqueza do candomblé como fonte de inspiração para a MPB.

A garotada conhece os poemas de Vinicius de Moraes mencionados na resenha? Sugira a pesquisa e seleção de textos que eles considerem mais expressivos, desde Operário em Construção e outras produções abertamente políticas até os poemas de amor como o Soneto de Fidelidade. Encarregue a turma de comparar as criações efusivas de Vinicius com a produção deliberadamente contida de João Cabral de Mello Neto. Isso pode demonstrar se a mescla de dois talentos tão diferentes daria mesmo ao Brasil “finalmente, um grande poeta”, como sustentou o autor de Morte e Vida Severina.

 


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