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Edição
1930, 9 de novembro de 2005
Ciências
da Natureza, Matemática e suas Tecnologias Biologia
Apresente
à garotada as
melodias da sedução animal
Ressalte que o canto dos roedores, tão
elaborado quanto o das aves canoras, é também
associado à seleção sexual

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Evolução;
comportamento sexual e ecologia animal


Relacionar
informações, representadas em
diferentes formas, e conhecimentos disponíveis
em situações concretas para
construir argumentação consistente


Compreender
os mecanismos comportamentais e fisiológicos
associados ao processo de seleção
sexual nos bichos |
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Parece
esdrúxulo ver num desenho animado o Mickey Mouse entoando
uma serenata para a Minie? É hora de reconsiderar tal
impressão. Os camundongos emitem um som de altíssima
freqüência, inaudível ao ouvido humano,
mas com grande significado para a fêmea de sua espécie.
Trata-se de um comportamento de corte sexual que entre os
roedores pode incluir fraseados tão melódicos
quanto o canto dos pássaros canoros. Essa novidade
científica anunciada por VEJA é um bom mote
para discutir com a moçada a questão da seleção
sexual no contexto dos estudos sobre evolução
e a importância do desenvolvimento da linguagem dos
animais.
Para
começo de conversa
Animais
produzem sons. Precisamos entender se tais ruídos têm
significado relevante no patrimônio comportamental e
na sobrevivência desses bichos. São fontes de
comunicação entre membros de um mesmo grupo
ou até com espécies diferentes? Faça
um levantamento com os estudantes sobre os usos potenciais
das manifestações sonoras: podem servir, por
exemplo, para avisar da presença de um predador nas
imediações ou afugentar um possível agressor.
Os rugidos dos grandes felinos deixam muitas vezes suas presas
paralisadas de medo. Por outro lado, o sopro nasal emitido
pelas tartarugas quando ameaçadas tenciona inibir alguns
ataques, assim como as estridulações produzidas
pelo abdome das cigarras que se vêem capturadas.
Mostre
à classe que a comunicação sonora ganha
maior importância e sofisticação quando
empregada por animais de uma só espécie. Assinale
a diferença entre a comunicação trivial
e aquelas que têm significado mais específico,
constituídas de seqüências complexas e melódicas.
Esses
sons são produtos de um processo chamado seleção
sexual, da mesma forma que a alteração de coloração
ocorrida em lagartos e a luminosidade dos vaga-lumes. Os animais
que os emitem foram selecionados em detrimento dos indivíduos
incapazes de produzi-los com o objetivo de atrair o sexo oposto.
Para
debater
Promova
um diálogo colhendo informações dos alunos
e oferecendo outras a fim de compor quadros comparativos e
sintéticos. Estimule a classe a desenvolver uma visão
evolutiva e comparada do comportamento animal, evitando o
estudo do assunto como mera arca de curiosidades ou ainda
sob uma visão antropomórfica. Isso mostrará
que a etologia busca rigor científico como qualquer
ciência.
Faça
um levantamento dos tipos de sons relevantes produzidos
por bichos que têm funções de atração
sexual nas espécies. Discuta como são criados
tais ruídos. No caso dos ratos, resultam da passagem
do ar por um sistema de pregas musculares na laringe (a exemplo
do que ocorre nos humanos). Aborde a vantagem que os roedores
levam pelo fato de que seus sons não são captados
por outros animais, em especial os predadores.
Nas
aves, o órgão responsável pela variedade
e riqueza dos cantos é a siringe. Em insetos, os barulhos
provêm ora de vibrações do abdome
é o caso das cigarras , ora da fricção
das pernas com o abdome, como fazem grilos e gafanhotos. Destaque
também que em anfíbios como sapos, rãs
e pererecas as vibrações resultam do enchimento
e esvaziamento do saco vocal, situado abaixo da mandíbula.
O
tema para debate é o significado evolutivo do canto
dos animais. Presumindo que tal comportamento tenha se modificado
por seleção sexual, a idéia é
procurar entender seu valor adaptativo. Que vantagens ofereceriam
e quais aspectos ambientais teriam contribuído para
isso? Podemos admitir que produzir um som para atrair o sexo
oposto é uma estratégia bem mais econômica
do que sair à procura do par. Ao mesmo tempo, se outros
do mesmo sexo adotam uma iniciativa idêntica, parece
razoável explicar que o canto sofisticado evoluiu como
resultado de uma competição. O canto pode significar
para a fêmea a presença de um macho vigoroso,
capaz de garantir um território rico em alimento ou
de afastar outros machos. Os cantos são muitas vezes
explicados como comportamentos de corte. Uma vez atraído,
o indivíduo do sexo oposto deve se manter no local
durante um tempo suficiente para que, no mínimo, ocorra
a cópula. Em algumas espécies, o contato sexual
envolve aspectos que vão além do simples acasalamento.
De qualquer modo, vale a pena esclarecer que a corte é
um comportamento associado à diminuição
da possibilidade de fuga ou de ataque do sexo oposto. Um ritual
baseado no canto pode ser bem mais econômico do que
o domínio físico da eventual parceira. A corte
tem um significado muito semelhante à popular cantada,
termo empregado pelos humanos.
Desafie
os adolescentes a enumerar as desvantagens que a produção
de sons significa quanto à atração de
predadores. Então, demonstre que os ganhos em termos
de sobrevivência garantidos pela reprodução
podem superar as perdas advindas da ação desses
inimigos naturais. A seleção sexual é
uma forma de seleção bastante rápida
e boa parte das vezes produz características instigantes
e bizarras. Um rico material para o ensino de evolução.
Exercícios
e outras atividades
Incentive
a turma a realizar gravações do canto dos animais
na cidade para depois ouvi-los e interpretá-los. Programas
simples de computador oferecem representações
gráficas que permitem análises razoavelmente
precisas. Oriente a comparação desse material
com os padrões dos mesmos bichos em ambiente natural.
A idéia é determinar prováveis distinções
com o que se ouve no meio urbano.

Aula desenvolvida
por Ricardo Vieira dos Santos Paiva, professor do Colégio
Santa Cruz e das Faculdades Integradas Campos Salles, ambos
de São Paulo
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