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VEJA 1930, 9 de novembro de 2005

Ciências Humanas e suas Tecnologias – Filosofia

Na morte está o significado
da vida? Debata com a moçada

Examine o que pensadores e escritores de ontem e de hoje têm a dizer sobre esse tema controverso


“Em Busca de um Final Sereno”, págs. 92 a 100 de VEJA
“Para Ler ou Guardar”, págs. 102 e 103 de VEJA

Duas aulas de 50 minutos


Pacientes terminais e significado da vida


Relacionar informações e conhecimentos disponíveis em situações concretas para construir argumentação consistente


Conhecer e debater o conceito de morte segundo vários pensadores ao longo da história do conhecimento humano

Ao abordar o drama dos pacientes terminais, VEJA aprofunda a questão de que todos fugimos, mas não conseguimos evitar que nos venha à mente: o medo da morte. Na sociedade tecnológica e de consumo, a não aceitação da finitude humana é favorecida em parte pelas possibilidades que a medicina oferece de prolongar a vida, tentando, qual Sísifo, acorrentar a morte. Refletir sobre o tema remete ao sentido da vida. Como disse o pensador francês Michel de Montaigne, “meditar sobre a morte é meditar sobre a liberdade; quem aprendeu a morrer, desaprendeu de servir; nenhum mal atingirá quem na existência compreendeu que a privação da vida não é um mal; saber morrer nos exime de toda sujeição e coação”. Converse com a classe sobre esse assunto vital.

Para começo de conversa

Após a leitura das reportagens, chame a atenção para os trechos em que são mencionados o papel da fé religiosa – que busca aliviar a dor colocando numa vida futura o sentido da existência presente – e confronte-os com o dos pensadores epicuristas e mesmo os estóicos, para quem “a vida toda é um aprender a morrer”.

Apresente um panorama do tema da morte ao longo da história da Filosofia, lembrando a Bela Morte dos gregos homéricos (tema analisado pelo filósofo francês Jean-Pierre Vernant), as mudanças que surgem no Fédon, de Platão, levantando a questão da imortalidade da alma, o pessimismo do alemão Arthur Schopenhauer, a visão do existencialismo francês, representada por Albert Camus e Jean-Paul Sartre etc. Há inúmeros vieses que podem ser encaminhados.

 

Para debater

Proponha à garotada uma reflexão sobre o artigo A Morte e o Consumo, do poeta mexicano Octavio Paz, prêmio Nobel de Literatura, disponível em http://ocanto.webcindario.com/morte.htm. Um trecho em especial pode servir para iniciar uma discussão em torno do quanto nos impomos desejos na sociedade tecnológica atual contrários ao caminho da verdadeira felicidade:

“O materialismo consumista não só tentou suprimir a morte na sua perspectiva unidimensional do presente, como agora parece possuído por um desejo prometéico de ‘curar’ a morte através da tecnologia. Isto parece-me a obsessão última do conceito de encontrar o ‘paraíso aqui e agora’, uma versão barata do hedonismo, totalmente oposta ao hedonismo de Epicuro, que defendia a vida baseada nos prazeres dos sentidos, mas com pleno conhecimento e aceitação dos limites da vida”.

Pergunte se a vida não tem sentido porque termina em morte. Provavelmente, muitos vão argumentar que o sentido está na existência de outra vida no pós-morte. Outros podem imaginar que não somos nada senão elos de uma corrente e por aí vai. Em qualquer caso, impõe-se sempre outra dúvida: então, só tem sentido o que dura para sempre? Essa questão evoca O Mito de Sísifo, cuja leitura pode ser recomendada para exame posterior.

 

Exercícios e outras atividades

Lembre que a prática da cidadania depende, sobretudo, de informação. Sem a notícia, agrade-nos ou não, dificilmente poderíamos estabelecer uma crítica acerca dos acontecimentos. Comprovar isso é simples: convide a moçada a pesquisar nos últimos 20 anos o papel da imprensa em prol da divulgação da verdade à população. Eles podem começar com o exemplo do jornal The New York Times, que fez a autocrítica em relação ao caso Judith Miller (pág. 74 de VEJA), cumprindo o desígnio básico da atividade jornalística: a busca da verdade, doa a quem doer, mesmo que seja na própria carne.

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Aula sugerida pela equipe de VEJA NA SALA DE AULA

 
 
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