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VEJA
1930, 9 de novembro de 2005
Ciências
Humanas e suas Tecnologias Filosofia
Na
morte está o significado
da vida? Debata com a moçada
Examine
o que pensadores e escritores de ontem e de hoje têm
a dizer sobre esse tema controverso

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Pacientes
terminais e significado da vida


Relacionar
informações e conhecimentos
disponíveis em situações
concretas para construir argumentação
consistente


Conhecer
e debater o conceito de morte segundo vários
pensadores ao longo da história do
conhecimento humano |
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Ao abordar o drama dos pacientes terminais,
VEJA aprofunda a questão de que todos fugimos, mas
não conseguimos evitar que nos venha à mente:
o medo da morte. Na sociedade tecnológica e de consumo,
a não aceitação da finitude humana é
favorecida em parte pelas possibilidades que a medicina oferece
de prolongar a vida, tentando, qual Sísifo, acorrentar
a morte. Refletir sobre o tema remete ao sentido da vida.
Como disse o pensador francês Michel de Montaigne, meditar
sobre a morte é meditar sobre a liberdade; quem aprendeu
a morrer, desaprendeu de servir; nenhum mal atingirá
quem na existência compreendeu que a privação
da vida não é um mal; saber morrer nos exime
de toda sujeição e coação.
Converse com a classe sobre esse assunto vital.
Para
começo de conversa
Após a leitura das reportagens, chame
a atenção para os trechos em que são
mencionados o papel da fé religiosa que busca
aliviar a dor colocando numa vida futura o sentido da existência
presente e confronte-os com o dos pensadores epicuristas
e mesmo os estóicos, para quem a vida toda é
um aprender a morrer.
Apresente um panorama do tema da morte ao
longo da história da Filosofia, lembrando a Bela Morte
dos gregos homéricos (tema analisado pelo filósofo
francês Jean-Pierre Vernant), as mudanças que
surgem no Fédon, de Platão, levantando a questão
da imortalidade da alma, o pessimismo do alemão Arthur
Schopenhauer, a visão do existencialismo francês,
representada por Albert Camus e Jean-Paul Sartre etc. Há
inúmeros vieses que podem ser encaminhados.
Para
debater
Proponha à garotada uma reflexão
sobre o artigo A Morte e o Consumo, do poeta mexicano Octavio
Paz, prêmio Nobel de Literatura, disponível em
http://ocanto.webcindario.com/morte.htm.
Um trecho em especial pode servir para iniciar uma discussão
em torno do quanto nos impomos desejos na sociedade tecnológica
atual contrários ao caminho da verdadeira felicidade:
O materialismo consumista não
só tentou suprimir a morte na sua perspectiva unidimensional
do presente, como agora parece possuído por um desejo
prometéico de curar a morte através
da tecnologia. Isto parece-me a obsessão última
do conceito de encontrar o paraíso aqui e agora,
uma versão barata do hedonismo, totalmente oposta ao
hedonismo de Epicuro, que defendia a vida baseada nos prazeres
dos sentidos, mas com pleno conhecimento e aceitação
dos limites da vida.
Pergunte se a vida não tem sentido
porque termina em morte. Provavelmente, muitos vão
argumentar que o sentido está na existência de
outra vida no pós-morte. Outros podem imaginar que
não somos nada senão elos de uma corrente e
por aí vai. Em qualquer caso, impõe-se sempre
outra dúvida: então, só tem sentido o
que dura para sempre? Essa questão evoca O Mito
de Sísifo, cuja leitura pode ser recomendada para
exame posterior.
Exercícios
e outras atividades
Lembre que a prática da cidadania depende,
sobretudo, de informação. Sem a notícia,
agrade-nos ou não, dificilmente poderíamos estabelecer
uma crítica acerca dos acontecimentos. Comprovar isso
é simples: convide a moçada a pesquisar nos
últimos 20 anos o papel da imprensa em prol da divulgação
da verdade à população. Eles podem começar
com o exemplo do jornal The New York Times, que fez
a autocrítica em relação ao caso
Judith Miller (pág. 74 de VEJA),
cumprindo o desígnio básico da atividade jornalística:
a busca da verdade, doa a quem doer, mesmo que seja na própria
carne.
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Aula
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