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Edição
1967, 9 de agosto de 2006
Ciências
da Natureza, Matemática e suas Tecnologias - Multidisciplinar
Educação
é o negócio da China
Examine
e debata as bases do desenvolvimento científico e tecnológico
da terra dos mandarins

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Ciência
e tecnologia na China atual


Analisar
e discutir o modelo educacional chinês
voltado para o desenvolvimento tecnológico |
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O
desenvolvimento chinês está voltado principalmente
para os setores de ciência e tecnologia. A condição
sine qua non do processo é o investimento maciço
em educação dirigida a essas áreas. Se
por um lado o modelo trouxe benefícios imediatos para
a terra dos mandarins, por outro ainda é cedo
para identificar as conseqüências a longo prazo.
O confronto com as condições do Brasil pode
gerar bons debates com a garotada.
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Expoentes
da Física
Berço
de descobertas importantes para a humanidade, a China
destacou-se no século XX com nomes ligados à
pesquisa científica, sobretudo na área
da Física, que acabaram ganhando o Prêmio
Nobel. Todos eles, por tradição ou necessidade,
estudaram fora do país, mas mantêm, de
algum modo, laços com sua origem chinesa.
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| Tsung
Dao Lee (acima) e Chen Ning Yang conquistaram
o
Nobel de Física de 1957 por pesquisas sobre
as Leis da Paridade
e pela obtenção de importantes descobertas
relativas a partículas elementares. O primeiro
é cidadão americano, enquanto Yang
leciona na Universidade de Tsinhua, em Pequim |
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| Daniel
C. Tsui nasceu e estudou na província de
Henan, na China, depois em Hong Kong. Cursou a
universidade nos Estados Unidos, onde vive até
hoje. Dividiu o Nobel de Física de 1998
com um cientista alemão e outro americano
pela descoberta de uma nova forma de fluido quântico
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| Samuel
C. C. Ting nasceu acidentalmente nos Estados Unidos,
mas estudou na China até os 20 anos de
idade. Depois completou
seus estudos em universidades americanas. Recebeu
o Nobel de Física de 1976 junto com um
americano por trabalhos pioneiros na descoberta
de um novo tipo de partículas pesadas |
Fotos:
Philippe Caron/Sygma/Corbis/STOCK PHOTOS; Robert Jeager/APA/Corbis/STOCK
PHOTOS; Kevin Fleming/Corbis/STOCK PHOTOS; Maiman Rick/Sygma/Corbis/STOCK
PHOTOS
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Atividades
1ª
aula - Explique que, no mundo atual, marcado por novas
formas de produção cultural e de dominação
econômica, o progresso científico e a inovação
tecnológica são fundamentais. Embora um nem
sempre esteja diretamente atrelado ao outro, é difícil
distinguir claramente suas fronteiras. Desde o período
paleolítico até meados do século XVII,
os grandes feitos da humanidade não foram construídos
com base em princípios científicos e fórmulas
matemáticas, mas por “mestres” que se valiam
da experiência prática acumulada. Desde o final
do século XVIII, no entanto, e sobretudo após
a Revolução Industrial, ciência, tecnologia
e sociedade caminham juntas.
Converse com a classe sobre algumas relações
entre ciência, cultura e desenvolvimento social.
Assinale os pontos extremos – caso da busca da aplicação
imediata e o estudo da ciência sem fim prático,
em que se destacam alguns exemplos, como o da Matemática
pura. Aborde a questão da necessidade de mão-de-obra
qualificada e o papel da escolarização para
atingir esse objetivo. Discuta a importância da inovação
tecnológica e pergunte como ela pode ser incrementada.
Oriente a conversa para o universo dos alunos. Que profissões
eles pretendem seguir e por quê? Quais fatores podem
influenciar essa decisão: dinheiro, satisfação
pessoal, pressão familiar ou de amigos, falta de opção?
Suas escolhas são semelhantes às dos estudantes
chineses? Faça uma relação das profissões
pretendidas e agrupe-as por áreas de estudo (Ciências
Humanas, Ciências da Natureza, Matemática e Linguagens
e Códigos, por exemplo). Quais delas podem contribuir
para o desenvolvimento científico e tecnológico?
2ª
e 3ª aulas – VEJA afirma que a China vai
destinar 2,5% do PIB para a pesquisa em áreas estratégicas
de ciência e tecnologia, como nanotecnologia e tecnologia
da informação. Encomende uma pesquisa sobre
as tecnologias de ponta em áreas estratégicas
liste os setores aos quais eles destinariam recursos para
pesquisa e desenvolvimento tecnológicos – biotecnologia,
tecnologia espacial, robótica, fontes alternativas
de energia, meio ambiente etc. Quais seriam os critérios
empregados para direcionar tais aportes? Distribua cópias
do quadro à esquerda para a turma. Juntamente com os
números da revista relativos à educação
no Brasil e na China, ele traz informações suficientes
para uma boa discussão comparativa dos caminhos adotados
pelos dois países. O investimento público em
educação é proporcionalmente maior no
Brasil, mas os frutos disso são inferiores àqueles
obtidos pelos chineses. O que está errado, então?
Em seguida, pergunte como é possível avaliar
a produção científica de um laboratório
ou de uma nação. Explique que a Organização
das Nações Unidas (ONU) baseia-se no Índice
de Avanço Tecnológico, que envolve a criação
e difusão de tecnologias e capacidade humana para participar
nas inovações tecnológicas. Revele que,
segundo esse critério, o Brasil encontra-se abaixo
da média latino-americana. No Programa Internacional
de Avaliação de Alunos (Pisa), exame aplicado
a estudantes de 15 anos em cerca de 40 países, os brasileiros
ficaram em penúltimo lugar nas provas de Ciências,
enquanto os chineses conquistaram a terceira posição
em 2003. Que ações a garotada sugere para reverter
essa situação vexatória?
Um dos aspectos que se sobressaem na orientação
do jovem chinês é o estímulo para estudar
fora, sonho compartilhado pela maioria dos pesquisadores
brasileiros. Mesmo aqueles que têm seus estudos financiados
pelo Estado, em escolas e universidades públicas, buscam
realizar cursos de pós-graduação em países
desenvolvidos e, quem sabe, ficar por lá. Examine com
a classe os aspectos éticos envolvidos nessa opção.
Vale a pena investir na formação de indivíduos
que vão trabalhar no estrangeiro? Qual o retorno desse
investimento para nosso país? Apresente o quadro dos
laureados chineses para discutir até que ponto isso
beneficiou a nação oriental. O que é
possível fazer para trazer de volta ao Brasil nossos
melhores cientistas, hoje dispersos em universidades e centros
de pesquisa internacionais?As estratégias usadas pela
China são aplicáveis aqui?
Também merece destaque o custo ambiental do desenvolvimento
tecnológico. Nos anos 1970, durante a ditadura militar,
um presidente brasileiro chegou a afirmar que poluição
é sinal de progresso. A turma imagina quem foi? Sabemos
que a China é, hoje, um dos maiores degradadores da
natureza. Converse sobre os riscos ecológicos gerados
pelo desenvolvimento desenfreado e como eles podem ser minimizados.
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Matemática
pura
O empenho chinês não está voltado apenas às ciências capazes de dar frutos tecnológicos. No início deste ano, o Asian Journal of Mathematics anunciou a resolução completa da Conjectura de Poincaré (veja a indicação de site abaixo) por dois matemáticos chineses, Zhu Xiping e Cao Huaidong. Enunciado em 1904, esse problema está relacionado a espaços topológicos n-dimensionais. Mesmo sem aplicação prática imediata, a demonstração da conjectura pode valer o prêmio de 1 milhão de dólares estabelecido pelo célebre Instituto Clay de Matemática e ainda ajudar na compreensão da forma do Universo.
O site www.ims.cuhk.edu.hk/~ajm/vol10/
10_2.pdf traz a resolução da conjectura
de Poincaré
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Internet
Informações sobre vencedores do Prêmio
Nobel estão disponíveis no site nobelprize.org/nobel_
prizes/physics/laureates/1998/index.html

Aula elaborada por Gustavo Isaac Killner,
professor de Física do Colégio Santa Cruz, de
São Paulo
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