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Edição
1967, 9 de agosto de 2006
Ciências
Humanas e suas Tecnologias - História
Do
império ao capitalismo
Acompanhe
com a classe a história recente do país onde
Mao Tsé-tung fez sua Revolução Cultural
Columbia
Pictures/Divulgação |
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ADEUS,
ANTIGO REGIME
Cena de O Último Imperador, filme de
Bernardo Bertolucci
que trata da transição chinesa para o
governo socialista
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Oralidade,
escrita e alfabeto


Perceber
a presença de fontes tanto nos ideogramas
chineses quanto na escrita alfabética |
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Furor
produtivo, prodigiosa capacidade, otimismo galopante, capitalismo
desenfreado e dimensões titânicas. Eis algumas
das expressões superlativas usadas por VEJA para descrever
o crescimento e a euforia experimentados pela China em decorrência
de conquistas econômicas que vêm alçando
o país à condição de superpotência
mundial. Para compreender melhor tal conjuntura, é
oportuno revisar com os estudantes a trajetória recente
dessa nação, que abandonou o regime imperial
há menos de um século, foi revirada pelo avesso
por uma revolução comunista e hoje goza as benesses
de sua vocação empreendedora.
Atividades
1ª
aula - Promova a leitura crítica dos textos, cuidando
para que as dúvidas sejam esclarecidas. Estimule os
alunos perguntando o que eles sabem sobre Deng Xiaoping, Mao
Tsé-tung, Revolução Cultural e economia
de mercado.
2ª
aula – Informe que a civilização
chinesa é antiqüíssima: seus impérios
e dinastias antecederam, e muito, a era cristã. A atual
República Popular da China, entretanto, foi fundada
em 1º de outubro de 1949 pelo líder socialista
Mao Tsé-tung e seu Exército de Libertação
Nacional, após 22 anos de intensa guerra civil. Os
oponentes derrotados, seguidores do nacionalista Chiang Kai-shek,
refugiaram-se na ilha de Formosa e criaram Taiwan, organizando
por lá um governo capitalista pró-Estados Unidos.
Em 1950, a China formalizou um acordo de cooperação
com a ex-União Soviética, já que ambas
comungavam o ideal socialista. Mas Moscou queria que o Partido
Comunista Chinês, independente desde 1930, seguisse
suas diretrizes. Essa pressão, somada à falta
de apoio do Kremlin nas guerras de anexação
levadas a cabo por Pequim, provocou o rompimento de relações
entre as duas nações em 1970.
Em 1976, com a morte de Mao Tsé-tung, Deng Xiaoping
assumiu o poder e deu início à mercantilização
da economia socialista. Tratava-se de um modelo novo: no campo
político, o Partido Comunista mantinha um rígido
controle da sociedade, reprimindo quaisquer manifestações
contrárias à ordem vigente; do ponto de vista
econômico, porém, adotava determinadas práticas
capitalistas. Isso fez o país aproximar-se dos americanos
e gerar mais desenvolvimento interno. No decorrer da década
de 1980, a China abriu ainda mais seu mercado, permitindo
a atuação de empresas multinacionais em seu
território. Paralelamente, o Estado suprimiu liberdades
individuais, o que gerou protestos e culminou, em 1989, com
o massacre de estudantes na Praça da Paz Celestial,
em Pequim. Muitos desses manifestantes acabaram presos, torturados
e mortos a mando do governo.
Com a ampliação do parque industrial, os produtos
made in China começaram a invadir o mercado globalizado.
A intermediação dos Estados Unidos garantiu
ao país, em 2001, uma cadeira de membro da Organização
Mundial do Comércio, a fim de disciplinar sua produção
e aumentar seu espectro de transações comerciais.
Hoje, a China é o país mais populoso do planeta
– com aproximadamente 1,3 bilhão de habitantes,
22% do total mundial – e o terceiro maior em extensão
territorial. Por causa da alta taxa de natalidade, o Estado
passou a estabelecer regras de planejamento familiar na década
de 1970. Por meio da aplicação de multas pesadas
e da supressão de benefícios, as famílias
são desestimuladas a ter mais de um filho.
Apesar dos excelentes índices econômicos, atestados
pela reportagem “A Ordem É Crescer” e pelas
estatísticas publicadas no infográfico “A
Reinvenção do Mundo”, o governo chinês
estuda medidas para combater esse forte aquecimento do mercado.
A expectativa é de que o ritmo de crescimento do comércio
exterior seja reduzido em 50%. Isso atenderia à demanda
dos países europeus e dos Estados Unidos, que criticam
constantemente a política de subsídios dada
às indústrias chinesas, bem como a manutenção
do câmbio artificialmente baixo que garante os bons
preços dos produtos desse tigre asiático no
mercado internacional.
3ª
aula – Sugira que os jovens examinem a procedência
de mercadorias oferecidas em lojas de equipamentos eletrônicos
e brinquedos, além de supermercados. Eles verificarão
que boa parte desses produtos tem a inscrição
fabricado na China. Pergunte por quê. Leve-os a relacionar
esse fato à existência, naquele país,
de um grande contingente de mão-de-obra recebendo salários
baixos. Cite ainda a política de incentivo do governo
chinês às indústrias.
Proponha a realização de estudos em grupo sobre
a Revolução Socialista na China e a participação
de Mao Tsé-tung, Chiang Kai-shek e Deng Xiaoping nesse
contexto. Ao final, as equipes podem elaborar cartazes comparando
o comunismo praticado pelos chineses com o modelo soviético.
Aborde a questão do câmbio. Por que o valor do
yuan é mantido artificialmente baixo em relação
ao dólar? De que instrumentos o governo chinês
se utiliza para fazer isso? Apresente o caso da China e o
do Brasil, onde os exportadores reclamam do valor do real
em relação à moeda americana. A que interesses
serve a flutuação do câmbio nos países
que se valem do dólar como principal instrumento monetário
para a balança comercial?
United
Artists/Divulgação |
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Roger
Viollet/AFP |
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CH.Jing/Sipa
press |
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| SUCESSÃO
DE LÍDERES
Da cima para a baixo: Chiang Kai-shek, nacionalista
simpático ao capitalismo americano e fundador
de Taiwan; Mao Tsé-tung, mentor e comandante
da Revolução Cultural; e Deng Xiaoping,
responsável pela redução de liberdades
individuais e pela abertura de mercado na economia chinesa
– o que trouxe prosperidade à nação
mais populosa do planeta |
Filmografia
O Último Imperador, Bernardo Bertolucci,
Ed. NBO, tel. (11) 5061-9898

Aula sugerida por Ricardo Barros, professor
do Colégio Paulista e coordenador da Escola Rodrigues
Alves, ambos de São Paulo
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