| |

Edição
2007, 9 de maio de 2007
Ciências
Humanas e suas Tecnologias - História e Cultura
Como
se baila na tribo
Convide
a turma a conhecer as várias formas de dança,
práticas milenares de coesão social

|
|
 |

Dança,
cultura e sociedade


Analisar
a dança como um fenômeno histórico-cultural |
|
|
Na
telinha e na telona, seja no programa Domingão do Faustão
ou em filmes como Dança Comigo?, os rodopios de salão
voltaram com força total. A reportagem informa que
o exemplo vindo dos estúdios da Rede Globo e da mídia
internacional pode ter sido o empurrão que faltava:
muita gente que sonhava em bailar nos braços de Richard
Gere ou de Jennifer Lopez armou-se de coragem e está
tornando esses devaneios um pouco mais reais, aprendendo sem
um pingo de vergonha a coreografia de ritmos como bolero,
mambo, tango e forró. Como explicar a ressurreição
de passos e requebros que, para alguns, pareciam tão
antigos quanto o cinema mudo? Explore o texto de VEJA e mostre
como as danças - folclóricas, sedutoras, rituais,
transgressoras, marciais, associadas ao poder etc. - revelam
um bocado sobre as sociedades em que foram criadas.
| David
James / Divulgação |
 |
| Cena
do filme Dança Comigo?: Richard
Gere e Jennifer Lopez deslizam pelos salões de
baile |
Atividades
1ª
e 2ª aulas - Após a leitura da reportagem,
solicite que os jovens comentem os motivos que levam indivíduos
de todas as idades a aprender as chamadas danças de
salão. Um deles, apontado no início do texto,
é o fato de que tais práticas vêm sendo
bastante divulgadas pela TV, em programas de auditório.
Mas será essa a única razão? Ressalte
que os depoimentos publicados indicam outros porquês,
entre os quais a facilidade para se relacionar em festas (sobretudo
com o sexo oposto), a procura por diversão e o receio
de passar vergonha em ocasiões importantes por não
saber dançar.
| Divulgação |
 |
| Apresentação
dos All Blacks, da Nova Zelândia: inspiração
nos guerreiros maoris |
É hora de propor a realização de uma
rápida enquete. O que, com quem, quando e como os estudantes
dançam? Dependendo da faixa etária da turma,
as únicas oportunidades de se exibir na pista são
eventos sociais como festas de aniversário ou casamentos.
Já os maiores podem freqüentar baladas em locais
determinados. Ensine de que modo a dança expressa sentimentos
(rebeldia, sensualidade etc.) e idéias, refletindo
a sociedade e a época em que vivemos. Chacoalhar sozinho
ou em grupo ao som de um rock no show da banda do momento
é diferente de valsar numa festa de 15 anos.
Leve a moçada a comparar os dois casos e pensar no
porquê dessa diversidade. A dança de salão
pode ser vista como uma forma de sociabilidade: o que os casais
praticam, em última instância, é uma relação
que envolve códigos coletivos. Os pares se movem em
locais apropriados e seguem regras estabelecidas por ritmos
e melodias. Comente que, nas décadas de 1930 e 1940,
tempos de recato, essas danças eram consideradas atrevidas.
Como não existia TV, as pessoas as ouviam pelo rádio
e as dançavam em casa e depois nos clubes e salões.
Talvez os avós ou bisavós da garotada se lembrem
de ter bailado boleros e tangos, os hits de então.
E que isso não era muito bem visto pelas gerações
anteriores.
Distribua cópias do quadro ao lado e sugira que todos
façam a atividade ali descrita. Encomende estudos sobre
outras formas de dança, tais como os ritos tradicionais
de povos diversos. Alguns cerimoniais são conhecidos.
A haka dos guerreiros maoris da Nova Zelândia, por exemplo,
é usada na apresentação dos All Blacks,
seleção de rúgbi daquele país,
uma das melhores do mundo. O portal Youtube traz clipes sobre
o tema.
Separe os alunos em equipes. Encarregue-as de pesquisar o
tango, o samba, o reggae e assim por diante. Leve-os a perceber
que a sistematização desses ritmos e a coreografia
que os acompanha fazem parte da construção da
identidade nacional argentina, brasileira e jamaicana (empreendida
deliberadamente nesses países no século XX).
Também podem ser investigadas danças atuais
como o break, o funk e o pagode. Conte que elas têm
tudo a ver com a formação de identidades socioculturais:
muitas expressam a visão de mundo da mocidade pobre
da periferia urbana. Estimule os adolescentes a trazer para
a escola ilustrações, fotografias, vídeos
e gravações de músicas. Se houver interesse
e oportunidade, incentive-os a apresentar performances pessoais
e coletivas para os colegas.
O resultado das pesquisas em grupo pode ser compartilhado
nas aulas seguintes, compondo um grande painel acerca das
formas de dançar e seus significados. O objetivo é
evidenciar como esse tipo de manifestação artística
remete a um momento histórico de determinada cultura.
| Divulgação |
 |
| No
ritmo do tango: a dança, sensual, faz parte da
identidade nacional argentina |
3ª
e 4ª aulas – Programe um festivo debate
interclasses sobre o que foi aprendido. Os jovens podem exibir
vídeos e projetar desenhos e fotos. E, se alguém
quiser mostrar como se dança um ritmo, basta tocar
a música. Sem esquecer o band-aid no calcanhar, item
imprescindível segundo a composição Dois
pra Lá, Dois pra Cá, de João Bosco
e Aldir Blanc.
| Mauro
Mendonça |
 |
| Pirueta
do break: expressão de rebeldia dos jovens
pobres da periferia urbana |
O
Sol brilha para todos
Examine com seus colegas a imagem abaixo. Criada por volta
de 1665, a gravura mostra o rei Luís XIV, da França,
um dos mais poderosos líderes europeus do século
XVII, em traje de balé. Observe o símbolo
do Sol empunhado pelo governante: trata-se de uma referência
a ele próprio, conhecido como Rei Sol. Além
de remeter ao absolutismo monárquico, essa expressão
está ligada à história da dança.
Luís XIV criou, em sua corte, o Ballet Royal de
la Nuit, no qual ele se apresentava no papel de Apolo,
o deus Sol, rodeado por damas e cavalheiros da alta nobreza
- os planetas. Era, portanto, uma afirmação
da supremacia real, num período em que o balé,
a equitação e a prática das armas
estavam entre as principais ocupações dos
aristocratas. Busque exemplos de outras situações,
tais como os bailes de gala, nas quais a dança
simboliza o poder.
| Roger
Viollet / AFP |
 |
|
VEJA TAMBÉM
Bibliografia
História da Dança no Ocidente,
Paul Bourcier, Ed. Martins Fontes, tel. (11) 3116-0000

Aula sugerida por Patricia T. Raffaini, professora
de História e Cultura da Universidade Anhembi Morumbi,
de São Paulo
|
|