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Edição 1981, 8 de novembro de 2006

Ciências Humanas e suas Tecnologias - História e Política

Vai uma buchada?

Conte à turma que, para os homens públicos, algumas imagens são um prato difícil de engolir


Dos Pastéis na Rua à Poltrona de Couro

Duas aulas de 50 minutos


Imagens e poder político


Perceber como a fotografia registra aspectos contrastantes dos homens públicos

Num artigo incomparavelmente mais saboroso que uma coxinha ou uma buchada de bode, Roberto Pompeu de Toledo focaliza as fotos de políticos - tanto aquelas produzidas para campanhas eleitorais, destinadas a provar que eles são “gente como a gente”, quanto as clicadas depois, quando os eleitos já estão paramentados para a liturgia do cargo. O articulista explora ainda as imagens de atentos fotógrafos, “esses seres maldosos”, que retratam o poder em momentos de instabilidade. Tais instantâneos são mesmo um osso duro de roer — mas será que isso não faz parte da inevitável e necessária exposição dos homens públicos? O texto de VEJA e este roteiro vão ajudar seus alunos a responder.

Paul Richards / AFP
Bush devora iguaria mexicana: versão cucaracha da buchada

Erno Schneider
Jânio perde o rumo: paródia visual do próprio governo


Atividades

1ª aula - Conte que, até meados do século XIX, as pinturas de reis, ministros e outros poderosos geralmente os apresentavam sérios, em trajes de gala, como altos sacerdotes do poder temporal e espiritual. O advento da fotografia democratizou o acesso a essas cenas e depois instaurou uma nova lógica de exposição dos governantes. As fotos políticas inesquecíveis não mostram cerimônias de posse, mas homens públicos flagrados em instantes de fragilidade.

Em seguida, distribua cópias das imagens que ilustram esta página e proponha que a turma discuta seu significado político. Uma delas exibe o presidente americano George W. Bush durante a campanha eleitoral de 2000, traçando na Califórnia uma gororoba típica mexicana. Ela pode ser comparada à foto citada no texto, de Fernando Henrique Cardoso encarando uma buchada de bode?
A outra imagem, um clássico do jornalismo brasileiro, flagra o então presidente Jânio Quadros com os pés trançados, como se não soubesse para qual direção seguir. Informe que a foto, de Erno Schneider, foi publicada originalmente no Jornal do Brasil em 20 de agosto de 1961, cinco dias antes da renúncia de Jânio — e pareceu antecipá-la. A cena tornou-se emblemática do Brasil daquele período, perplexo diante das oscilações personalistas de um governante que ziguezagueava entre a direita e a esquerda. As oscilações prosseguiram após a renúncia, no governo João Goulart, até o golpe militar de 1964 decretar uma guinada geral à direita. Será que todos esses desenvolvimentos já estavam presentes, em embrião, nessa obra vencedora do Prêmio Esso de 1962? A moçada responde.

2ª aula – Sugira que os jovens pesquisem flagrantes de homens públicos daqui e do exterior, montem painéis e discutam que imagens sintetizam determinados momentos políticos. Itens obrigatórios: George H. Bush (pai do atual titular da Casa Branca) regurgitando no colo do premiê japonês em 1992, Fernando Collor tropeçando ao sair do Palácio do Planalto pouco antes de ser deposto e o presidente Lula fantasiado de caipira, celebrando em 2004 os folguedos juninos na capital federal.

Aula criada pela equipe de VEJA NA SALA DE AULA

 
 
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