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Edição
1981, 8 de novembro de 2006
Ciências
Humanas e suas Tecnologias - Coordenação
Pedagógica e Cidadania
Rito
de passagem
Mostre
que os sistemas de ingresso na universidade podem variar.
Todos, no entanto, são competitivos

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Sistemas
de avaliação de conhecimentos


Identificar
os modos de avaliação de conhecimentos
no fim do Ensino Médio e no acesso
à universidade |
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Num
ensaio polêmico, Claudio de Moura Castro aborda um tema
que costuma provocar insônia e calafrios nos estudantes
do Ensino Médio: o vestibular. Segundo o autor, o sistema
brasileiro de acesso à universidade é um foco
de crendices. Ele elenca várias delas, examinando uma
a uma.
Que tal você, orientador educacional, usar o artigo
e este plano de aula como base para refletir com os jovens
e suas famílias sobre o ingresso no Ensino Superior,
maior preocupação dos adolescentes? E você,
professor, lembre à moçada que o estudo é
a única receita para o sucesso nesse competitivo e
angustiante rito de passagem para a idade adulta.
| João
Araujo / Futurapress / Agência |
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| Vestibular
da Fuvest, o mais concorrido do Brasil: em 2005,
aproximadamente 170000 candidatos submeteram-se à
avaliação |
| Orlando
Brito |
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| Jovens
circulam pela conceituada Universidade Yale,
nos Estados Unidos: os testes SAT e ACT ajudam
na seleção dos futuros alunos das academias |
Atividades
1ª
aula - Para começar, vale a pena recordar o que é
Ensino Superior e diferenciar faculdade de universidade. Comente
que cada instituição acadêmica tem sua forma
particular de admitir novos estudantes. Vestibular é
o nome tradicional do processo de entrada. Os vestibulares não
são unificados. Há desde os que avaliam os candidatos
em diversas fases, com testes de múltipla escolha, provas
dissertativas e redação - como ocorre nas universidades
públicas -, até os que pedem apenas uma redação.
Quanto mais procura tiver um curso, mais difícil será
obter uma vaga. E a competição aumenta a cada
ano: em 2005, cerca de 170000 pessoas submeteram-se ao exame
da Fundação Universitária para o Vestibular
(Fuvest), o mais concorrido do Brasil, que dá acesso
à Universidade de São Paulo (USP) e a outras escolas
paulistas de nível superior geridas pelo Estado.
A seguir, estimule uma discussão na sala de aula sobre
o tema. Seus alunos pretendem cursar alguma faculdade? Pública
ou particular? Por quê? Pretendem fazer cursinho? Como
eles avaliam a acirrada disputa pelas vagas? É possível
imaginar um sistema de acesso automático ao Ensino Superior?
Essa fórmula não geraria injustiças sociais?
Depois que cada um expressar suas opiniões, peça
que todos leiam o Ponto de Vista de VEJA. Os argumentos enumerados
ali ajudam a esclarecer as questões levantadas na discussão?
Proponha que os jovens anotem, em cartazes, as crendices acerca
do vestibular apontadas por Moura Castro:
Vou acabar com o vestibular!;
Coitadinho, tem de estudar tanto!;
O vestibular é uma loteria!;
É um absurdo decidir tudo em uma só prova!;
É pura decoreba!;
Cursinho é para adestrar, para aprender onde pôr
as cruzinhas!;
Não se podem testar conhecimentos marcando cruzinhas;
A prova deste ano foi muito difícil!;
Se se trocar o vestibular pelo Enem, serão aprovados
analfabetos!; e
Os vestibulares das universidades públicas criam
distorções no Ensino Médio.
Talvez nem todos tenham experiência suficiente para entender
todas essas assertivas. Muitos não são do tempo
das cruzinhas, por exemplo. Se houver dúvidas, esclareça-as.
O passo seguinte consiste em formar dez equipes e atribuir a
cada uma a análise de uma crendice apontada no texto.
Os grupos devem esmiuçar a opinião do autor sobre
determinado aspecto do problema e explicar por que concorda
com essa análise - ou discorda dela. Solicite, para a
próxima aula, argumentos fundamentados em dados estatísticos,
exemplos, experiências etc. Como apoio, distribua cópias
do quadro “Defasagem”.
Como síntese da atividade, cada equipe vai produzir um
texto apresentando sua visão acerca do vestibular.
2ª aula – Destaque
a passagem do artigo sobre os exames que marcam o fim do curso
secundário na Europa. Informe que um dos mais conceituados
é o baccalauréat, da França, instituído
em 1808 por Napoleão Bonaparte. O chamado “bac”
compreende nove ou dez provas obrigatórias, escritas
e orais, e outras facultativas. Quem não alcança
um nível mínimo na avaliação nacional
não pode ingressar numa faculdade.
Conte ainda que nos Estados Unidos existem dois exames básicos,
preparados por instituições privadas, a que
os estudantes se submetem enquanto freqüentam o Ensino
Médio. Eles podem escolher o teste, além de
quando e quantas vezes fazê-lo. Essas duas avaliações
são o SAT Reasoning Test e o ACT. O SAT é atualmente
uma prova de múltipla escolha de Matemática
e Inglês e inclui também uma redação,
enquanto o ACT consiste em exercícios de Matemática,
Inglês, compreensão de texto e Ciências.
Ambos servem de parâmetro para as universidades selecionarem
seu corpo discente.
Proponha que a turma compare semelhanças e diferenças
entre o “bac”, o SAT e o ACT e o nosso Enem, avaliação
voluntária da qual podem participar os matriculados
na última série do Ensino Médio e todos
aqueles que já o concluíram. Diga que o exame
brasileiro foi implantado pelo governo federal em 1998 com
a finalidade de medir a qualidade do Ensino Médio em
todo o país. Ele hoje se apresenta como uma alternativa
para o critério de seleção de candidatos
a vagas em algumas universidades. O Enem é composto
de uma prova única, contendo 63 questões objetivas
de múltipla escolha e uma proposta de produção
de texto a ser estruturado na forma de redação
em prosa do tipo dissertativo-argumentativo, derivada de um
tema de ordem social, científica, cultural ou política.
A intenção dos organizadores é abranger
as várias áreas de conhecimento em que se fundamentam
as atividades pedagógicas da escolaridade básica
no Brasil. Uma boa nota pode garantir descontos em mensalidades
ou mesmo bolsas de estudo integrais em faculdades e universidades
que se utilizam do desempenho obtido no exame como critério
de seleção para a distribuição
de vagas.
Ensine aos jovens que o endereço virtual www.inep.gov.br/basica/enem/
universidades/ dá acesso a instituições
de Ensino Superior de todo o país que levam em conta
o resultado do Enem para o preenchimento de seus quadros de
estudantes. O crescimento do número de faculdades e
universidades com esse perfil é uma boa notícia,
que ajuda a reduzir as noites de insônia por causa da
aproximação do vestibular.
Defasagem
| Antonio
Milena |
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Examine
com seus colegas a tabela ao lado, elaborada com base
em anuários estatísticos da Unesco. Ela
focaliza o porcentual de matrículas no Ensino
Superior em alguns países latino-americanos em
relação à população
com idade ideal para a vida acadêmica. Os índices
mostram a defasagem brasileira e mexicana em comparação
com Argentina, Chile e Uruguai. Em 2003, a proporção
de universitários na América Latina era
de 30%; na Europa, 59% e nos Estados Unidos, 55%.
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| Fonte:
Latinoamericana – Enciclopédia Contemporânea
da América
Latina e do Caribe, 2006 |
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Aula criada por Miguel Castilho Júnior,
professor de Biologia da Escola Lourenço Castanho,
de São Paulo
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