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Edição 1981, 8 de novembro de 2006

Ciências da Natureza, Matemática e suas Tecnologias - Biologia

Reflexos inteligentes

Examine com a garotada o comportamento dos animais na natureza...
e diante do espelho


Os Elefantes Perderam a Paciência

Três aulas de 50 minutos


Comportamento animal


Analisar e compreender as manifestações de alguns animais diante da própria imagem refletida

O comportamento agressivo dos elefantes está associado, segundo pesquisas recentes, a desequilíbrios sociais e ambientais. Por que a reportagem de VEJA cita um experimento de auto-reconhecimento em espelhos, realizado com elefantes do zoológico do Bronx em Nova York, para corroborar os estudos realizados por Isabel Bradshaw e Allan Schore? Qual é a função social disso? Por que um simples espelho pode dar muitas informações a respeito do comportamento de determinadas espécies? Essas e outras questões podem revelar à moçada um mundo ainda desconhecido.

Divulgação
Cena do documentário A Marcha dos Pingüins, de
Luc Jacquet: a emissão de sons específicos permite
aos filhotes reconhecer corretamente os pais em
meio a milhares de indivíduos adultos


Atividades

1ª e 2ª aulas - Leia a reportagem com a turma. A questão da agressividade deve chamar a atenção e proporcionar alguma discussão inicial sobre comportamento animal. Inclua os humanos no assunto e oriente uma pesquisa na internet ou em livros de etologia (a ciência que estuda o comportamento) sobre os sinais de interação social que os recém-nascidos exibem, a idade em que os manifestam e as respectivas substituições por outros códigos. Sugira uma consulta aos pais - às vezes, eles são ótimos informantes sobre tais processos.

Incentive os estudantes a ver o documentário A Marcha dos Pingüins e recomende que se concentrem no modo como os bebês reconhecem seus pais em meio a milhares de animais adultos. Comente que isso se dá pela emissão de sons específicos, recurso bastante comum entre os pássaros. Reserve algum tempo para discutir o filme.
Apresente, depois, algumas questões:

  • Como uma criança recém-nascida identifica sua mãe?

  • Será que a espécie humana herdou essa característica de seus antepassados biológicos?

  • O não reconhecimento dos pais é fator de estresse para o jovem pingüim?

  • Isso pode, mais tarde, desencadear comportamentos agressivos nessa ave?


  • Tais indagações são um prato cheio para reflexões sobre os fatores ambientais e sociais que podem ser associados à agressividade na vida adulta.

    Para seus alunos

    Voz impressa

    O austríaco Konrad Lorenz, especialista em fisiologia do comportamento e ganhador do Prêmio Nobel de Medicina em 1973, realizou um experimento que se tornou clássico com o pato-real. Separou de uma ninhada um ovo prestes a eclodir e passou a “conversar” com ele diariamente. Quando os patinhos nasceram, o único que não reconheceu a mãe biológica foi aquele com o qual Lorenz havia “falado” durante a gestação. O filhote correu e piou atrás do cientista por cerca de três semanas. A esse fenômeno o pesquisador deu o nome de imprinting — pois parecia que o som de sua voz ficara impresso no cérebro do animal.

    SPL / Latinstock

     

    3ª aula – Ressalte o dado de VEJA a respeito do auto-reconhecimento dos elefantes asiáticos e complemente-o com a distribuição de cópias do quadro “É o Contrário”.

    Volte aos humanos e conte que desde os nove meses de idade as crianças dão a impressão de se reconhecer no espelho. Por outro lado, há pessoas com distúrbios neurológicos que nunca chegam a alcançar esse estágio. A maioria dos animais reage como se a própria imagem refletida fosse outro bicho. Se deixarmos um pintinho dentro de uma caixa de papelão, ele começará a piar chamando pela mãe. Porém, basta o filhote se ver num espelho para se tranqüilizar instantaneamente. Dito isso, discuta o caso de animais que atacam a própria imagem, explicado no quadro “Emoção Refletida”.

    Para seus alunos

    É o contrário

    Não é um elefante que incomoda muita gente. À parte a perturbação criada pelo homem, a experiência realizada com os elefantes mencionada pela reportagem traz revelações importantes. Pintado com marca imperceptível (para ele) na cabeça, o elefante notou-a ao espelho e tentou tocá-la. O auto-reconhecimento na superfície refletora é um indicador de autoconsciência do animal, verificado em chimpanzés e golfinhos, o que sugere uma evolução cognitiva convergente provavelmente relacionada a sociabilidade e cooperação complexas. Os testes e o texto podem ser observados no site www.pnas.org/cgi/content/abstract/0608062103.

    FOTOS PNAS– The National Academy of Sciences of
    The United States of America / Divulgação

     


    Relate as experiências de Gordon Gallup com chimpanzés nascidos em seu ambiente natural. O pesquisador americano trancou-os em jaulas separadas, com um espelho de corpo inteiro em uma das paredes. Nos primeiros dias, eles se comportaram como se a imagem fosse outro macaco. No terceiro dia, passaram a utilizar o espelho para explorar as partes do corpo que não podiam ver. No décimo dia, foram anestesiados e nesse tempo o pesquisador pintou, em cada um, uma sobrancelha e parte de uma orelha com tinta inodora e não perceptível ao toque. Quando as cobaias recobraram consciência, não perceberam que haviam sido pintadas. Postos diante do espelho, porém, os bichos ficaram muito agitados, tocando as partes que receberam tinta. Um deles olhou e cheirou as patas, como se quisesse identificar o material que não estava ali antes. Dessa forma, ficou evidente que os chimpanzés aprendem a reconhecer a própria imagem no espelho.

    Para alguns animais - patos, gansos, cisnes, marrecos e outras aves, por exemplo -, o auto-reconhecimento depende menos do estímulo visual que do auditivo e dificilmente ocorre diante de um espelho. Leia com os estudantes o conteúdo do quadro “Voz Impressa” e apresente o experimento conclusivo do fisiologista Konrad Lorenz sobre o assunto.

    Para seus alunos

    Emoção refletida

    Contam-se casos de pardais que agrediam sua imagem espelhada nas calotas de automóveis, quando ainda se usavam materiais reflexivos nesse acessório. Da mesma forma, o peixe-de-briga (Betta splendens) ataca seu reflexo no vidro do aquário ou nada rapidamente, como se desafiasse um suposto oponente - que, para ele, é real.

    Nos seres humanos, as reações iniciais são semelhantes.
    Os bebês costumam procurar a “outra” criança atrás do espelho, quando se deparam pela primeira vez com um desses objetos. Tal estranhamento se dá também com cegos de nascimento que mais tarde passam a enxergar.

    Sam Yeh / AFP

     


    Veja também

    Filmografia

  • A Marcha dos Pingüins, Luc Jacquet, Buena Vista Home Entertainment, tel. (11) 5504-9400
  • Aula criada por Miguel Castilho Júnior, professor de Biologia da Escola Lourenço Castanho, de São Paulo

     
     
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