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VEJA NA SALA DE AULA
     
 


Edição 1981, 8 de novembro de 2006

Interdisciplinar - Biologia e Comportamento

Uma lição de peso

Uma reportagem e uma entrevista de VEJA geram discussões oportunas a respeito de obesidade e saúde


As Meninas do Sumô
Nizan Guanaes

Duas aulas de 50 minutos


Nutrição, obesidade e saúde


Discutir a relação entre obesidade, saúde e bem-estar

Ana Cláudia Gomes e Alexandra Marques não se enquadram nos padrões anoréxicos de beleza ditados pelo mundinho fashion. Mas isso não as incomoda. Gorduchas, as jovens atletas brasileiras fizeram bonito no campeonato mundial de sumô recém-disputado em Osaka, no Japão, onde cada uma conquistou uma medalha de bronze. Já a alegria do publicitário Nizan Guanaes é motivada pela perda de peso. Fã confesso de acarajé, o baiano se submeteu a uma cirurgia de estômago geralmente reservada a obesos mórbidos. As declarações das lutadoras e do novo magro - personagens, respectivamente, de uma reportagem e uma entrevista de VEJA - podem gerar boas discussões na escola acerca de obesidade e saúde.

Jardim
O GORDO E O MAGRO
Onde estão a beleza e a saúde? Com a palavra,
os estudantes



Atividades

1ª aula - Se os alunos já estudaram digestão, não há necessidade de preparação prévia para esta aula. Caso isso ainda não tenha ocorrido, uma figura tridimensional que mostre o sistema digestório pode ser útil. Outra idéia interessante é gravar de antemão algumas propagandas de TV que apresentem diferentes tipos de beleza e caracterizem pessoas gordas e magras. Esse apoio audiovisual vai ajudar você a debater como a mídia constrói padrões estéticos.

Comece a lição comentando a expressão anglo-saxônica shape, muito usada entre surfistas para designar o formato da prancha. Exportada para o linguajar da moçada, a palavra passou a indicar que o físico de alguém está em ordem. Eis um ponto de partida inusitado para uma reflexão cada dia mais relevante: quanto de saúde existe na beleza e vice-versa?

Use a mesma linha de descontração exibida por Nizan Guanaes na seção Auto-Retrato. Uma piada de gosto duvidoso diz que um grupo de rapazes se reúne no velório de um colega. Tristes, todos começam a falar do falecido, relembrando como era uma pessoa jovem e ativa, um esportista inveterado, que comia moderadamente e se cuidava sob os mais variados aspectos. Um dos amigos - aquele gordo, sedentário, fumante e desregrado na alimentação - olha para o caixão e comenta: “Que bom, morreu com tudo em cima, saradão”.
Pergunte que leituras podemos fazer dessas pequenas perversidades cotidianas. Que informações podem nos ajudar a entender o que é simultaneamente belo e saudável? Que espécie de decisão advém dessa compreensão?

Organize a garotada em duplas ou trios e peça que todos leiam os dois textos de VEJA, extraindo deles as impressões que as lutadoras de sumô e o publicitário têm sobre ser gordo. Os pontos de vista são iguais, opostos ou complementares? Oriente a conversa até que haja consenso. Fica bastante claro, tanto na reportagem quanto na entrevista, que a relação dos personagens com seus corpos passa pelo prazer de fazer coisas: as meninas se valem do excesso de peso para triunfar no esporte e o marqueteiro emagreceu para poder dançar e comer à vontade. Para ele, a gordura causava desconforto; para elas, traz poder e satisfação.

O que os estudantes fazem ou já fizeram por seus corpos? Eles malham? Jogam bola? Nadam? Seguem alguma dieta? Consomem alimentos light? Com que objetivo? Estimule-os a apresentar relatos a respeito e, com base nessas informações, analise o que cada um pretende com tais práticas. Como eles se enxergam daqui a dez, vinte ou trinta anos?

Lembre que, na faixa etária em que a turma se encontra, o organismo passa por mudanças significativas e a aparência recebe atenção especial - até porque a atração física facilita descobertas sexuais. Mas o que é de fato saudável na opinião dos adolescentes? Dançar, por exemplo, é um exercício que consome calorias. Mas ficar na balada até o amanhecer acarreta que conseqüências?

Agora recorra aos anúncios de televisão. De que modo as pessoas são caracterizadas nessas peças quanto ao tipo físico? Que papéis são atribuídos aos gordos? E aos magros? Faça ver que, de modo geral, os fofinhos e obesos são estereotipados como deselegantes, desleixados, bonachões ou bobos, enquanto os esguios e sarados ganham um ar de sensualidade, levam vantagem sobre os demais e protagonizam as situações de sucesso. Ressalte que em certas telenovelas a aparência muitas vezes justifica atitudes moralmente condenáveis. Ainda assim, os vilões que respondem por tais desvios de conduta gozam de grande simpatia por parte do público.

Por que será que propagandas de cerveja utilizam mulheres tidas pelo imaginário popular como gostosas? Note que uma marca bastante tradicional reconhece isso em sua campanha atual. Não custa recordar que cerveja é uma bebida alcoólica, que pode causar problemas de dependência e doenças variadas. E mais: trata-se de um alimento calórico. Será que as tais gostosas bebem tanta cerveja, como sugere a publicidade?

Indague sobre quem define o que é belo. Como isso se dá? O padrão de beleza vigente – cuja precursora é a modelo inglesa Twiggy, que pôs os cambitos de fora nos anos 1960 – tem sido questionado, já que a magreza desmedida implica transtornos alimentares.


Roger Viollet/ AFP
TWIGGY
Modelo inglesa, despontou na década de 1960
e estabeleceu o padrão anoréxico

2ª aula – O exame de pinturas e esculturas de épocas diferentes prova que os ideais estéticos se transformam com o tempo. Como exemplo, exiba a reprodução da tela As Três Graças, de Rubens, impressa na capa deste Guia. Se julgar oportuno, proponha uma pesquisa na internet para aferir essa noção.

Ensine que os gostos também mudam conforme o lugar. Partilhe com a classe o conteúdo do quadro “Beleza na Balança”. Diga que, no passado, em certas regiões, a gordura foi associada à fartura e, por extensão, à riqueza. Isso explica a tendência à obesidade identificada em países como os EUA? Ou existe um forte componente cultural nessa questão?

Para seus alunos

Beleza na balança

Em contraste com a eleição anual de Miss Universo e as promoções patrocinadas por agências de modelos internacionais para escolher novas e sempre esqueléticas estrelas das passarelas, há pelo menos duas importantes competições anuais de beleza restritas a quem tem fofura de sobra. Desde 1989, a Itália sedia o Concurso Miss Gordinha & Mister Gordinho. Aberto a concorrentes de todas as idades, o evento exige apenas que as musas pesem no mínimo 100 quilos e os galãs, 150. Os tailandeses aderiram à idéia em 1997, quando organizaram em Bangcoc a primeira edição do Festival das Misses Gordas. Entre dezenas de postulantes, são selecionadas a mais fotogênica, a mais simpática
e a mais pesada. O slogan usado pelos organizadores para atrair público é singelo e emblemático: “Gordura é formosura”.

Tiziana Fabi / AFP

 


Roteiro criado por Marcos Engelstein, professor de Biologia do Colégio Vera Cruz, de São Paulo

 
 
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