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VEJA NA SALA DE AULA
     
 


Edição 1908, 8 de junho de 2005

Interdisciplinar – Química, Biologia, Geografia e Economia

Apresente aos estudantes a
energia que vem do campo

Analise os fatores que norteiam a indústria automotiva para as fontes renováveis de combustíveis

Fotos Nani Gois; Hemispheres Images/ AFP e Divulgação
Em sentido horário: culturas de cana-de-açúcar, canola e milho: alternativas energéticas menos poluentes que os combustíveis fósseis, mas que exigem a ocupação de grandes áreas


“Biocombustível para Fugir do Petróleo”, págs. 140 a 142 de VEJA

Duas aulas de 50 minutos


Biocombustíveis; economia e impactos ambientais


Construir e aplicar conceitos das várias áreas do conhecimento para a compreensão de fenômenos naturais e da produção tecnológica


Entender os aspectos econômicos e ambientais envolvidos na produção de biocombustíveis

Os chamados veículos flex fluel vêm conquistando a preferência popular, talvez mais pela economia que oferecem do que por questões de preservação da atmosfera urbana. Para o usuário, além do custo menor – quando o segundo combustível é o álcool –, há outras vantagens, como a flexibilidade de opção pelo produto que estiver mais barato num determinado momento ou lugar. De qualquer forma, o ambiente sai ganhando e, até certo ponto, isso vale também para o desenvolvimento do país. VEJA conta que os biocombustíveis já movimentam os motores em outras nações. Aponta ainda quanto essa alternativa representa no bolso do consumidor nesses países e discute o Programa Nacional de Biodiesel – tema que permite aprofundar o exame dos benefícios (e riscos) ambientais e econômicos trazidos pelas fontes renováveis de energia automotiva.

 

Para começo de conversa

Após a leitura do texto, faça um apanhado da situação atmosférica urbana por volta de 1980. Por causa da grave poluição nos grandes centros, criou-se naquele ano um programa nacional de controle das emissões de origem veicular, as principais responsáveis pela contaminação do ar nesses locais. Depois, em 1986, o Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) desenvolveu o Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos (Proconve). Destaque que o controle e o estabelecimento de metas de emissões estão diretamente ligados ao incremento de novas tecnologias pelas indústrias automotivas e pelos fabricantes de combustíveis. Exiba os resultados registrados pelo Proconve de lá para cá (veja o quadro abaixo) e convide os estudantes a transformar a tabela em gráfico.

Clique na imagem para ampliar

 

Exercícios e outras atividades

Estimule a garotada a enumerar os fatores que provocam a poluição ambiental. Em seguida, recorde as características físico-químicas do monóxido de carbono e seus efeitos sobre o organismo. A substância prejudica a oxigenação dos tecidos e, por isso, é classificada como asfixiante sistêmico. O professor de Biologia pode ajudar explicando a ação desse gás sobre a hemoglobina e como ocorre a troca gasosa, acentuando que ela é possível devido à instabilidade dos complexos hemoglobina-oxigênio molecular e hemoglobina-gás carbônico. Já o monóxido forma um complexo estável conhecido como carboxihemoglobina.

Em 1998, o Enem lançou uma questão a respeito da concentração de monóxido de carbono no ar (veja a indicação no final deste roteiro). Explore-a e peça que a classe complemente o estudo acrescentando os efeitos dos demais poluentes atmosféricos.
Alerte a moçada para a estimativa de que cada tonelada de biodiesel produzida permite a redução de 2,5 toneladas de dióxido de carbono (CO2).

Passe às questões relativas a economia. Conte que um hectare plantado gera 76 toneladas de cana-de-açúcar e cada tonelada de cana produz 80 litros de álcool anidro. Uma boa pergunta nesse momento é: Qual o volume esperado da produção considerando uma área de corte de 13000 hectares?

Apresente aos adolescentes outros exercícios desse tipo, variando a matéria-prima, a fim de oferecer um quadro comparativo do rendimento de cada uma. No caso da mamona, cultivada nas regiões Norte e Nordeste, uma produção de 1,5 tonelada por hectare (considerada boa) permite a extração de 500 litros de biodiesel.

 

Para debater

A produção de biocombustíveis altera hábitos agrícolas? Sim. A agricultura de subsistência e a produção de alimentos podem perder lugar para atividades mais rentáveis – o plantio de cana ou milho para etanol e mamona ou canola para biodiesel, por exemplo. Lembre que isso já ocorreu quando se instaurou o Programa Nacional do Álcool (Proálcool). Quais os efeitos dessa tendência?

 

Para saber mais

Um dos problemas ambientais do plantio de cana tão intenso no Estado de São Paulo gera reflexos no Aqüífero Guarani. Pesquisas constataram a contaminação da água desse reservatório por agrotóxicos usados na lavoura canavieira, cujo nível chegou a 80% do permitido para o consumo humano. No mapa elaborado pela pesquisa, as áreas de recarga do interior paulista são consideradas como de alto risco de contaminação.

 

Para saber mais

Esperança nacional

A foto à esquerda mostra veículos movidos a biodiesel, projetados pelo Laboratório de Desenvolvimento de Tecnologias Limpas (Ladetel), do Departamento de Química da USP de Ribeirão Preto. Esse combustível é obtido de diversas plantas oleaginosas, como a mamona (foto à direita), num processo em que o óleo do vegetal reage com o hidróxido de sódio e o metanol ou etanol. Estima-se com isso uma economia de 160 milhões de dólares em importação do similar mineral.

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Internet
No site www.inep.gov.br/basica/enem/provas_gabaritos/gabaritos1998.htm, é possível baixar o texto completo da prova de 1998 do Enem


Aula sugerida por Claudia A. B. Elias, mestre em Físico-Química pela Unicamp (SP)

 
 
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