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Edição 1908, 8 de junho de 2005

Ciências Humanas e suas Tecnologias - História, Geografia e Política

O sonho de um Velho Mundo unido
pode estar no fim. Discuta por quê

Examine as causas do descontentamento de algumas nações da União Européia e as possíveis conseqüências disso


“O Atoleiro Europeu”, Páginas Amarelas de VEJA
“O Bloco da Desunião Européia”, págs. 48 e 49 de VEJA


Três aulas de 50 minutos


União Européia: Constituição e perspectivas políticas


Construir e aplicar conceitos das várias áreas do conhecimento para a compreensão de processos histórico-geográficos


Analisar os motivos que levaram franceses e holandeses a rejeitar a Constituição da União Européia

Era uma vez um polonês que tencionava ter uma boa moradia em Londres, algo impensável dado o seu poder aquisitivo. Para driblar a situação, arrematou por bom preço uma casa arruinada na capital inglesa, cujos reparos ele não poderia realizar pagando a caríssima mão-de-obra local. Engendrou, então um plano: mandou ao Reino Unido - como turistas - quatro de seus funcionários, com a incumbência de reformar a construção de modo clandestino, remunerando-os com os baixos salários do país de origem. Essa história, que ocorre de forma semelhante e com freqüência pelo mundo afora, é o pano de fundo do filme A Classe Operária, do diretor Jerzy Skolimowski. A trama se desenrola em 1982, ano em que os soviéticos dominaram a rebelião encabeçada pelo sindicato Solidariedade. Cerca de 22 anos mais tarde, a clandestinidade deixou de existir, com a entrada de oito países da Europa Central e Oriental no bloco da União Européia (UE), em maio de 2004. Passado um ano dessa festejada adesão, franceses e holandeses, em plebiscito popular, rejeitaram a Constituição do Parlamento Europeu. VEJA faz um levantamento dos motivos dessa recusa, atitude que pode ser imitada por outros membros da UE e pôr em risco a continuidade do bloco. E vai ainda mais longe na entrevista com o historiador e comentarista político inglês Timothy Garton Ash. A turma não pode ficar indiferente a essa realidade.

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Para começo de conversa

Faça um pequeno resumo histórico do desenvolvimento da União Européia, iniciado em 1951 com o Tratado de Paris, que criou a Comunidade Européia do Carvão e do Aço (Ceca). Seguiu-se a isso, em 1957, o Tratado de Roma, que criou a Comunidade Econômica Européia (CEE) e a Comunidade Européia da Energia Atômica (Euratom). Por fim, em 1992, o Tratado de Maastricht estabeleceu as bases da integração política e monetária. Apresente exemplos das transformações que os Estados membros tiveram de realizar para cumprir esses acordos e destaque as dificuldades encontradas na formulação de um direito comunitário.

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ExercØcios e outras atividades

Após a leitura de VEJA, avalie o entendimento do texto pelos alunos, levantando questões previamente preparadas. No final dessa etapa, destaque as diferentes razões, apontadas pelo historiador inglês, que levariam os países membros a dizer não à Constituição, em seus plebiscitos. Isso dá uma idéia da diversidade européia. Chame a atenção para o contraste entre o salário-hora na Letônia, de 28 centavos de dólar, e o da Alemanha, quase 100 vezes maior. Proponha uma pesquisa comparativa dos valores da hora trabalhada nos 25 Estados comunitários para evidenciar as causas da circulação interna de mão-de-obra. Reproduza os quadros que confrontam o desempenho econômico e o desemprego entre as nações que adotaram o euro e as que rejeitaram a moeda.

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Para debater

Migrações populacionais por melhores salários e condições de vida não são novidade para os brasileiros. Elas acontecem aqui e podem servir de referência para discutir os riscos que ameaçam a UE. Há uma certa semelhança, mas convém mencionar que no caso europeu a situação se agrava pela redução dos postos de trabalho nos locais para onde a mão-de-obra aflui.

Ao puxar o assunto para o hemisfério Sul, sugira que os alunos se dividam em grupos para levantar similaridades e diferenças entre a UE e o Mercosul. Muitos podem argumentar que a divergência principal está na moeda comunitária, que nós não temos. Acentue, então, que antes de se poder criar uma moeda única é preciso estabelecer uma série de questões de direito e de procedimentos burocráticos que permitam a unificação. Tal burocracia, às vezes, pode levar o sistema ao colapso, como está ocorrendo agora no Velho Mundo.

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Roteiro proposto pela equipe de VEJA NA SALA DE AULA

 
 
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