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Edição 1946, 8 de março de 2006

Ciências da Natureza, Matemática e suas Tecnologias – Matemática

Gasolina ou álcool? Questão de cálculo

Analise e compare com os adolescentes os prós e contras dos combustíveis que movem os carros flex


"O Teste do Carro Flex", págs. 110 e 111 de VEJA

Três aulas de 50 minutos


Veículos flex e comparação entre os combustíveis


Analisar e confrontar as despesas com álcool e gasolina nos carros bicombustíveis

Álcool ou gasolina, qual deles sai mais barato? VEJA reforça informações que, ao menos no Brasil, são conhecidas há décadas. O primeiro produto é mais barato e aumenta a potência do motor, mas resulta em maior consumo por quilômetro rodado. A comparação entre as vantagens e desvantagens dos dois combustíveis vai além da eficiência mecânica que ambos oferecem. Questões ambientais e de mercado, entre outras, devem ser também consideradas e avaliadas numericamente. O tema pode render uma aula sobre interpretação de informações à luz da Matemática.

 

Atividades

Não custa recordar que o preço do álcool é significativamente menor no entorno das usinas (em sua maioria localizadas no estado de São Paulo) e os combustíveis em geral são mais baratos perto dos grandes centros de consumo.

Explique à moçada que a "conta simplificada" dos especialistas é uma regra de três um tanto primária, baseada na tabela de consumo apresentada na reportagem (um valor próximo de 8/12 = 0,67 ou 11/17 = 0,65, ou seja, cerca de 0,7). Desafie a classe a construir uma tabela semelhante, assumindo arbitrariamente os preços dos combustíveis (por exemplo, 2 reais para o álcool e 2,50 reais para a gasolina), e a determinar o custo por quilômetro rodado. Os alunos devem concluir que a diferença máxima entre os preços é de apenas 3 centavos de real por quilômetro percorrido. Todos então poderão confirmar que a diferença porcentual de consumo entre os dois tipos gira em torno de 1,5%.

 

Para debater

Levando em conta que com álcool o veículo anda mais e polui menos (mas o motor tem maior desgaste), o usuário deve decidir, de fato, o quanto quer pagar para ser "mais esportivo e ecológico" ou "mais econômico e poluidor". Não se pode esquecer, porém, que a produção de álcool é bastante poluidora.

Além desse fator, convém salientar que a questão do combustível no Brasil é complexa e muitas mudanças vêm ocorrendo simultaneamente. Eis alguns fatores importantes que merecem exames detalhados:

1. O Brasil acaba de atingir a auto-suficiência na produção de petróleo;

2. A perspectiva do uso de gás natural como combustível é cada vez mais presente para o consumidor final, em especial nas metrópoles. A descoberta de grandes reservas em solo nacional reforça, psicologicamente, essa tendência, mesmo que a exploração e distribuição se faça a longo prazo;

3. Não existe estoque regulador para álcool. O governo prefere considerar esse mercado "livre", como se não existisse um cartel de produtores;

4. Os carros bicombustíveis chegaram ao mercado, de maneira acentuada, nos últimos meses — o que acarreta demanda variável de álcool ou gasolina conforme se comportam os mercados externos de petróleo e, principalmente, de açúcar e álcool;

5. A produção e o processamento de cana-de-açúcar são relativamente concentrados em São Paulo e no Paraná, gerando problemas de distribuição e facilitando a formação de cartéis;

6. A existência das "safras" permite, ainda em conseqüência da ausência de estoques reguladores, explicações claudicantes para as flutuações de mercado. Em geral, no balanço de médio prazo, o que vem ocorrendo são aumentos sistemáticos de preço do álcool: em setembro de 2005, o combustível custava cerca de 1,20 real nos postos. Hoje, aproxima-se de 2 reais. Há entressafra que justifique esse descalabro?

7. A solução paliativa para tentar deter a escalada abusiva do preço do álcool foi diminuir de 25% para 20% o teor desse combustível adicionado à gasolina. Com base em valores arbitrários de 2,50 reais para o litro da mistura e de 2 reais para o álcool, desafie os estudantes a verificar que a elevação no preço do produto resultante acarretada pela redução da quantidade do derivado de cana é de aproximadamente 1,3%.

Plano de aula criado por Renato da Silva Oliveira, professor de Física e coordenador do Planetário Móvel AsterDomus, de São Paulo

 
 
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