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Edição 1942, 8 de fevereiro de 2006

Interdisciplinar – História e Educação Física

Competir na neve ou não: eis a questão

Debata a validade da participação brasileira em eventos esportivos como os Jogos de Inverno

The Walt Disney Company/ Rob Mcewan
Cena de Jamaica Abaixo de Zero: filme baseado nas peripécias da equipe caribenha durante as Olimpíadas de Inverno de 1988


“Carnaval na Neve”, págs. 92 a 94 de VEJA

Três aulas de 50 minutos


Esportes de inverno e financiamento público de práticas esportivas



Identificar os esportes de inverno e perceber a razão do incentivo ao esporte

Seus alunos já ouviram falar em snowboard ou bobsled? Trata-se de modalidades esportivas praticadas em países de clima frio: a primeira é uma espécie de skate de neve e a segunda, simplesmente uma corrida de trenó na neve. O bobsled, aliás, ficou internacionalmente conhecido graças à comédia Jamaica Abaixo de Zero, sobre as peripécias de uma equipe da ilha caribenha que disputou a prova nas Olimpíadas de Inverno de 1988.

Em 2006, sai de cena a Jamaica e entra o Brasil. Nossos atletas estão os raríssimos representantes de países tropical a participar dos Jogos Olímpicos de Inverno de Turim, na Itália. O texto “Carnaval na Neve” informa que a delegação nacional colocará dez atletas na competição. Os “bananas congeladas” – como é conhecida a equipe brasileira de bobsled –, por exemplo, conseguiram a vaga vencendo justamente os jamaicanos. Um acontecimento inusitado como esse pode se converter numa ótima ocasião para você apresentar aos estudantes o mundo dos Jogos de Inverno. Aproveite a oportunidade para discutir o sentido e a legitimidade de destinar verbas públicas a esportes que, como observa a reportagem de VEJA, não serão populares por aqui “antes da próxima era glacial”.

 

Para começo de conversa

Conte que, além do snowboard e do bobsled, muitas outras modalidades fazem parte dos Jogos Olímpicos de Inverno. O esqui alpino, o salto de esqui, o hóquei no gelo e a patinação artística são algumas delas. Disputados em espaços abertos ou fechados, esses esportes integram circuitos permanentes de competições internacionais. No entanto, em um país como o nosso, de temperaturas tropicais e subtropicais e de tradições culturais bem distintas daquelas das nações de clima frio, todo esse universo competitivo se mantém distante e praticamente desconhecido.

Mario Rodrigues
Pista de esqui no Brasil: quem não tem neve desliza sobre pinos de polietileno

 

Exercícios e outras atividades

Divida a classe em grupos, dando a cada um responsabilidades distintas com o objetivo de descobrir o que são e como funcionam os Jogos Olímpicos de Inverno.

  • Uma equipe pode recuperar a história cronológica do evento, iniciada em 1924 na França, verificando as provas que fizeram parte de cada edição (o quadro da página ao lado serve de ponto de partida para a atividade).
  • Outro grupo deve fazer um levantamento de caráter mais quantitativo. Que países já competiram nos Jogos de Inverno? Quais somam mais participações? Que delegações inscreveram o maior número de atletas? Que nações acumularam mais medalhas?
  • Uma terceira equipe, apoiada nas informações acima, fica encarregada de identificar as características geográficas e climáticas desses países, que tipo de cultura invernal eles têm e que apoio dão a essas atividades esportivas.
  • O quarto grupo, com base na pesquisa do terceiro, vai avaliar o impacto cultural e esportivo das participações de nações “estranhas” aos esportes de neve.
  • O quinto pode assinalar as atividades esportivas que fazem parte do evento – e as que já deixaram de fazer –, explicando como é cada uma delas.
  • Finalmente, a sexta equipe deve apontar como foi a participação do Brasil – quais atletas competiram, qual a sua origem sociocultural, a classificação obtida e, sobretudo, como foi a preparação para as Olimpíadas de Inverno. Chame a atenção para as inevitáveis adaptações, caso do treino em pistas cobertas de pinos de polietileno, por causa da ausência de neve.

 

Para debater

Uma boa maneira de se aproximar de um “fato estranho”, como é a participação do Brasil ou de qualquer país tropical em uma Olimpíada de Inverno, consiste em examiná-lo sem avaliações e juízos preconcebidos. Para isso, peça que a garotada se imagine na pele dos competidores dos Jogos Olímpicos de Turim. A imagem que os adolescentes fazem dessa cidade italiana, situada nas imediações dos Alpes, corresponde às idéias que eles fazem da calorosa Itália? Quantos de seus alunos têm origem italiana? Em seguida, eles devem fazer de conta que disputarão os Jogos de Inverno realizados na Noruega ou no Japão, países culturalmente bem mais distantes de nós que a Itália. Que aspectos da vida local provavelmente despertarão a curiosidade? Vale a pena aprofundar essas discussões, que remetem aos problemas de convivência e diversidade.

Encaminhe um debate sobre o significado que as Olimpíadas de Inverno tem para a turma. Esses jogos estão relacionados a que modo de vida e cultura? Quais transformações ocorreram neles? Por que se deram essas mudanças? As competições se tornaram eventos interessantes para a mídia – inclusive a crônica esportiva nacional? Qual a relação desses eventos com nossas tradições culturais e esportivas?

Encaminhe um exame mais abrangente da função do esporte na sociedade urbana que começou a ser construída no final do século XIX. Lembre que, desde essa época, as competições ganharam nova dimensão cultural e importância social e política. Não foi por acaso que os grandes eventos esportivos globais e de massa começaram a se desenvolver plenamente nas primeiras décadas do século passado. Na opinião da garotada, qual teria sido o seu papel político nos contextos internos de cada país e no quadro da política internacional? Proponha que a turma focalize alguns acontecimentos específicos, como as Olimpíadas de Berlim em 1936, sob o regime nazista de Hitler; a Copa do Mundo de Futebol na Itália em 1938, durante o governo facista de Mussolini; ou a da Argentina em 1978, em plena ditadura militar.
A reportagem também permite abordar o financiamento e o apoio do Estado a atividades esportivas e eventos de grande magnitude. O primeiro caso inclui questões sobre o esporte como elemento de educação, saúde, cultura e entretenimento; o segundo envolve aspectos econômicos, comerciais e políticos mais evidentes. Qual deve ser a postura do Estado nesses casos distintos? Destaque dois casos atuais: a organização dos Jogos Pan-Americanos de 2007, que terão lugar no Rio de Janeiro, e a aprovação, no Congresso, do projeto da loteria Timemania – que vai ceder dinheiro público para cobrir os eternos rombos de grandes clubes de futebol.

Bibliografia
O Jogo Como Elemento da Cultura, Johan Huizinga,
Ed. Perspectiva, tel. (11) 3885-8388
O que É Sociologia do Esporte, Ronaldo Helal,
Ed. Brasiliense, tel. (11) 6198-1488

Filmografia
Jamaica Abaixo de Zero, Jon Turteltaub,
Disney Video, tel. (11) 5504-9400


Aula sugerida por José Geraldo Vinci de Moraes, professor de História da Universidade de São Paulo

 
 
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