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Edição
1942, 8 de fevereiro de
2006
Ciências
Humanas e suas Tecnologias Psicologia e Sociologia
Bullying,
um problema
que merece tradução
Constranger
e humilhar colegas, entre outras agressões, magoa e
deixa marcas para a vida toda. Combata essa prática
desde já
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Jardim
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VINGANÇA
A prática do bullying é uma espécie
de vingança por uma agressão sofrida no
passado. Portanto, a prevenção contra
humilhações, discriminações
e perseguições deve ser iniciada entre
as crianças ainda pequenas
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Estigmas
do cotidiano escolar: o fenômeno bullying


Refletir
sobre a violência e o preconceito na
sala de aula |
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Todo
dia, em praticamente todas as escolas do mundo, muitos alunos
sofrem algum tipo de agressão física ou moral
por serem gordinhos, usarem óculos com lentes grossas
ou simplesmente porque dedicam algumas horas a mais que os
outros aos estudos. Segundo uma pesquisa realizada no Rio
de Janeiro pela Abrapia, uma associação voltada
para a infância e a adolescência, 40% dos entrevistados
padecem com o bullying. Esse fenômeno, que começou
a ser observado nos anos 1970, ainda não tem tradução
para o nosso idioma, mas compreende todas as formas de atitudes
agressivas, intencionais e repetidas, que ocorrem sem motivação
evidente. Num dos conjuntos de notas que compõem a
seção Guia, VEJA lista uma série de sintomas
diagnosticados por especialistas em vítimas do bullying.
A revista também conta como algumas personalidades
reagiam ao ser importunadas na juventude e anuncia a chegada
da agressão ao mundo cibernético. De leitura
obrigatória, os pequenos textos podem se transformar
no fio condutor de uma reflexão sincera sobre como
essa prática prejudica o desenvolvimento psíquico
de crianças e adolescentes, derruba a auto-estima dos
adultos e pode até levar ao suicídio.
Preparação
da aula
Providencie
cópias do quadro da página ao lado e distribua
para a garotada. Se possível, acesse com os jovens
o site indicado no final deste plano e explore o Programa
de Redução do Comportamento Agressivo entre
os Estudantes, desenvolvido pela Abrapia, e os resultados
das pesquisas feitas sobre o tema em escolas do Rio Grande
do Sul e do Rio de Janeiro.
Para
começo de conversa
Organize
os alunos num círculo e oriente a leitura das notas
de VEJA. Pergunte quem já foi alvo de implicâncias
e perseguições de colegas na escola. Houve algum
tipo de agressão física ou as ações
se deram mais no campo moral, com a escolha de apelidos politicamente
incorretos? Os jovens percebiam risadinhas, empurrões,
fofocas ou a propagação de termos pejorativos
como bola, rolha de poço, baleia, nerd, quatro-olhos
etc.? Quem já recebeu mensagens difamatórias
ou ameaçadoras no celular, no Orkut ou nos blogs pessoais?
Provavelmente muitos dirão que já testemunharam
brincadeirinhas do gênero, mas dificilmente
admitirão que já as promoveram.
Para
debater
Chame
a atenção da moçada para o fato de que
o bullying, às vezes considerado normal por alguns
pais e até por professores, está longe de ser
inocente. Apesar de configurar prática comum entre
crianças e adolescentes de países diferentes
e fazer parte do cotidiano escolar em todas as épocas,
deve ser constantemente evitado e combatido. Ressalte que
uma das maiores preocupações dos estudiosos
do assunto são os efeitos psicológicos que as
agressões podem produzir nas vítimas. Leia com
a classe o quadro no alto desta página e discuta o
significado etimológico da expressão bullying.
Então, peça que todos pensem numa possível
tradução da palavra para o nosso idioma.
Destaque
os sinais listados por VEJA em relação aos alvos
da brincadeira sem graça. Lembre que daí
podem advir problemas como depressão, angústia,
baixa auto-estima, estresse, isolamento, fobias, evasão
escolar, atitudes de autoflagelação e até
suicídio. Os estudos produzidos pela Abrapia, inspirados
nas pesquisas norueguesas dos anos 1970, por seu turno, mostram
que as vítimas do bullying podem, no futuro, reproduzir
a prática com outras pessoas como os personagens
da capa deste Guia e da ilustração ao lado.
Exercícios
e outras atividades
Proponha
que os alunos colham depoimentos se possível
com auxílio de um gravador de pais, tios, avós
e outras pessoas de diferentes faixas etárias sobre
as dificuldades de relacionamento que experimentaram durante
o tempo de escola. Quais eram os apelidos mais comuns naquela
época? Alguém foi às vias de fato
com os colegas que criavam e apontavam defeitos nos outros?
Certamente a garotada vai identificar casos diversos de pessoas
que sofreram intimidações e agressões
no passado. É importante que os depoentes contem de
forma franca o que viveram e expliquem como superaram suas
dores, a exemplo das personalidades ouvidas por VEJA no quadro
Eles Eram Alvo de Implicância. Na semana
seguinte, os jovens devem reunir o material obtido. O conjunto
de narrativas dará a cada um a oportunidade de se identificar
com os entrevistados e também de se colocar no lugar
de quem é perseguido, achacado, discriminado, humilhado
e ridicularizado ainda hoje. Depois peça que, divididos
em pequenos grupos, os adolescentes aprofundem a questão
e elaborem uma lista de ações para evitar o
bullying na escola. As sugestões de cada equipe serão
organizadas e apresentadas por meio de um grande painel para
todo o colégio. Por fim, oriente a execução
de textos dissertativos individuais sobre o fenômeno.
Com a ajuda do professor de Língua Portuguesa, as redações
podem ser avaliadas conforme a qualidade da argumentação
e o nível de informação.
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Por
que um nome em inglês?
O
termo bullying tem origem na palavra inglesa bully,
que significa valentão, brigão. Como verbo,
quer dizer ameaçar, amedrontar, tiranizar, oprimir,
intimidar, maltratar. O primeiro a relacionar a palavra
ao fenômeno foi Dan Olweus, professor da Universidade
da Noruega. Ao pesquisar as tendências suicidas
entre adolescentes, Olweus descobriu que a maioria desses
jovens tinha sofrido algum tipo de ameaça e que,
portanto, bullying era um mal a combater. Ainda não
existe termo equivalente em português, mas alguns
psicólogos e estudiosos do assunto o denominam
violência moral, vitimização
ou maus tratos entre pares, uma vez que
se trata de um fenômeno de grupo em que a agressão
acontece entre iguais no caso, estudantes. Como
é um assunto examinado criteriosamente há
pouco tempo, cada país ainda precisa encontrar
um vocábulo ou uma expressão, em sua própria
língua, que tenha esse significado tão
amplo.
Texto
extraído e adaptado da revista NOVA ESCOLA,
edição 178, dezembro de 2004
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Bibliografia
Garota Fora do Jogo: A Cultura Oculta da
Agressão nas Meninas, Rachel Simmons, Ed. Rocco,
tel. 0800-216789
Internet
No site www.bullying.com.br, a turma
pode conhecer as iniciativas da Associação Brasileira
Multiprofissional de Proteção à Infância
e à Adolescência (Abrapia)

Roteiro
elaborado por Teresa Cristina Rego, professora de Psicologia
da Educação da Faculdade de Educação
da Universidade de São Paulo
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