|

VEJA
1942, 8 de fevereiro de 2006
Ciências
Humanas e suas Tecnologias Geografia e Cultura
Até
que ponto a liberdade
de expressão é absoluta?
Examine
o efeito das charges de Maomé
nas estremecidas relações Islã-Ocidente

|
|
 |

Choque
de civilizações: Islã
e Ocidente


Examinar
os limites da liberdade de expressão
e os conflitos decorrentes da publicação
das caricaturas de Maomé por jornais
europeus |
|
|
Quando o assunto envolve religião,
a lei da ação e reação ganha um
enorme multiplicador. Isso se evidenciou mais uma vez com
as recentes manifestações no mundo islâmico
em resposta às charges com caricaturas do profeta Maomé,
publicadas por alguns jornais europeus. A análise de
VEJA sobre o incidente traz informações importantes
para uma boa reflexão sobre os possíveis desdobramentos
de uma importante questão em jogo: a liberdade de expressão.
Podemos simplesmente dizer, como o jornal France Soir, que
temos direito de fazer caricaturas de Deus? Mais
que um simples choque de opiniões e crenças,
esses fatos podem esconder outros conflitos e interesses.
Para
começo de conversa
Durante a leitura das reportagens com os alunos,
enfatize alguns trechos e, se necessário, aprofunde
a explicação:
1. As caricaturas foram originalmente
publicadas na Dinamarca, em setembro de 2005, alguns meses
antes, portanto, das reações no Islã.
2. No cerne da revolta islamita está
supostamente o fato de os jornais reproduzirem imagens de
Maomé, o que é proibido pelos preceitos islâmicos
a fim de impedir a idolatria.
3. A fúria das ruas muçulmanas
se virou contra o espantalho de sempre, Israel e o Ocidente
em geral.
Assinale ainda as diferentes reações
que ocorreram no mundo: grande parte dos jornais europeus
saiu em defesa da liberdade de expressão e republicou
as charges. Essa atitude, no entanto, não foi encampada
pelas publicações e pelo governo norte-americanos,
que consideraram o ato ofensivo. Lembre que a Europa vive
hoje o conflito resultante da imigração, sobretudo
de povos islâmicos, que vem suscitando questões
polêmicas em diversos países e despertando até
a xenofobia.
Para
debater
Comece a discussão examinando duas
questões:
1. A imprensa tem o direito de publicar
tais charges?
2. A veiculação feita
é uma afronta à religião islâmica?
É provável que as respostas
girem em torno de tem o direito, mas não deve,
porque é um desrespeito, o que relativiza a liberdade
de expressão, tida como absoluta nas democracias. Mas
é preciso ressalvar também o contexto em que
ela ocorre. A publicação da imagem de Maomé
por VEJA seria desrespeitosa ou, nesse caso, uma obrigação
jornalística? Que diferença há entre
veicular caricaturas e o exibir o filme Submissão,
do holandês Theo van Gogh? Podemos classificar a película
como ofensiva?
Comente a desproporção da reação
provocada: boicote ao consumo de produtos dinamarqueses, depredação
de embaixadas, sentença de morte ao autor das charges
etc. Destaque a generalização absurda que ocorre
nesse tipo de conflito, em que se estende a uma nação
ou a um povo a responsabilidade por atos isolados. Esse exagero
se dá apenas entre os muçulmanos? Peça
que a classe levante exemplos de excessos ocorridos fora do
Islã. Todo seguidor de Maomé carrega uma bomba
no turbante, como uma das charges parece sugerir? Compare
as conseqüências nefastas das caricaturas para
o mundo árabe com as imagens divulgadas pela mídia
que mostram seqüestradores degolando vítimas ou
suicidas explodindo hotéis de turistas. Na cultura
ocidental, as charges são aparentemente inofensivas,
enquanto os ataques terroristas muitas vezes evocam sentimentos
de revolta contra o que chamamos de fanatismo religioso. É
interessante ressaltar que na base de tudo isso encontra-se,
de ambos os lados, a não aceitação da
diversidade um paradoxo em tempos de globalização
e também um desafio, como VEJA deixa entrever.
topo

Aula
sugerida pela equipe de VEJA NA SALA DE AULA
|