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Edição
2033, 7 de novembro de 2007
Ciências
Humanas e suas Tecnologias - História e Economia
Sobra
mês, falta dinheiro
Examine com seus alunos as origens e o atual panorama do trabalho
no Brasil e no mundo

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Trabalho e salário


Investigar o poder de compra do dinheiro no
mundo |
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A
leitura de certos textos dá a sensação
do reencontro com um velho conhecido. É o caso da entrevista
com o empresário italiano Enzo Rossi, que resolveu
atravessar um mês com o salário de um de seus
empregados - cerca de 1000 euros. Com palavras simples, ele
conta que "sobrou mês" no fim do salário:
era quase impossível viver com aquela quantia. Decidiu
então aumentar a remuneração de seus
operários, o que os levaria a trabalhar com mais empenho
e ter mais recursos para adquirir os produtos que fabricavam.
Desse modo, todos lucrariam, concluiu. "As vendas vão
disparar."
Informe aos adolescentes que Rossi retoma aspectos aparentemente
desprezados pelos economistas da globalização,
como a importância do mercado interno para o crescimento.
Esse modelo vigorou na América Latina entre os anos
1940 e 1960, sendo chamado por alguns autores de "nacional
desenvolvimentismo". Muito antes disso, Henry Ford, pioneiro
da indústria automobilística, já pagava
salários razoáveis a seus funcionários,
para que estes pudessem comprar os Ford Modelo T que fabricavam.
O entrevistado tem, portanto, antecessores ilustres. Use o
texto como base para o exame do mundo do trabalho, do qual
os jovens já participam ou vão participar em
breve.
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Reprodução |
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| Greve
dos Mineiros do Pas-de-Calais: combatividade
operária numa ilustração de 1906 |
Atividades
1ª
aula – Verifique a imagem que os meninos fazem
de Enzo Rossi. Um idealista, um empresário objetivo
ou um homem com um profundo sentimento de solidariedade ao
próximo? Ele declara que "valeu a pena reduzir
um pouco a mais-valia", o que leva o repórter
a perguntar, surpreso: "Mais-valia? Por acaso o senhor
é marxista?". Solicite uma pesquisa desse conceito-chave
do pensamento de Karl Marx e Friedrich Engels. Aponte que,
antes dos dois autores alemães, a questão dos
salários visando a uma sociedade mais justa já
havia sido pensada por intelectuais socialistas como Saint-Simon,
Robert Owen e Charles Fourier. Este último idealizou
uma forma de consumo e produção dentro de comunidades
de trabalho. Depois vieram os anarquistas, que disputaram
com marxistas a liderança no movimento operário
no final do século XIX e início do século
XX.
O socialismo defendido por esses autores foi denominado de
"utópico" por seus opositores marxistas (os
quais se autodenominavam "socialistas científicos"),
uma vez que os teóricos expunham os princípios
de um mundo ideal sem indicar os meios para alcançá-lo.
Mas a visão de uma sociedade igualitária não
surgiu com o socialismo. Na França do século
XVIII, Gracus Babeuf escreveu o Manifesto dos Iguais, enfatizando
o abismo entre a tríade "liberdade, igualdade,
fraternidade" e a desigualdade real. No século
XIX, com o capitalismo industrial em crescimento acelerado,
as cidades tornaram-se centros de proletários com baixos
salários. As críticas ao liberalismo resultaram
da constatação de que o livre mercado não
trouxe o equilíbrio prometido. Ao contrário,
instaurou uma ordem injusta e imoral.
Vale a pena pesquisar as propostas dos socialistas utópicos,
marxistas e anarquistas. Mostre também a ilustração
A Greve dos Mineiros do Pas-de-Calais, reproduzida acima,
e encomende à turma uma análise iconográfica
da obra. Ressalte que as bandeiras vermelhas sugeriam a hegemonia
socialista entre os trabalhadores da área, pois os
anarquistas tinham como símbolo uma bandeira negra.
Destaque a presença de mulheres e crianças entre
os manifestantes, fruto da sólida união forjada
nas comunidades mineiras.
2ª
aula – O entrevistado considerou insuficiente
um salário de 1000 euros. E seus alunos, o que eles
acreditam ser um salário justo para os trabalhadores
brasileiros? Explique que a Constituição Brasileira,
em seu artigo 7º, item 4º, estipula que o salário
mínimo deve ser capaz de atender a necessidades vitais
básicas "como moradia, alimentação,
educação, saúde, lazer, vestuário,
higiene, transporte e previdência social, com reajustes
periódicos que lhe preservem o poder aquisitivo, sendo
vedada sua vinculação para qualquer fim".
Um salário mínimo de 380 reais é capaz
de atender a todas essas necessidades?
Distribua cópias do quadro deste plano de aula à
moçada e demande a realização dos debates.
Solicite um exame, na internet, sobre qual deveria ser o valor
do salário mínimo em 2007 de acordo com organismos
como o Departamento Intersindical de Estatística e
Estudos Socioeconômicos (Dieese). Esse salário,
caso fosse adotado pelo governo, traria quais conseqüências
para o país?
3ª aula – Recorde que a era Vargas
foi um marco na vida do trabalhador brasileiro. Para controlar
e fiscalizar o sindicalismo, foram criados o salário
mínimo em 1940, o imposto sindical e os serviços
estatais de aposentadoria, e colocada em vigor a Consolidação
das Leis do Trabalho (CLT), em 1943. No entanto, ao lado das
concessões aos trabalhadores - auxílio-natalidade,
salário-família, licença-maternidade,
estabilidade no emprego (após dez anos), descanso semanal
remunerado - deixaram de existir o direito de greve e a independência
dos sindicatos. Estes passaram a ser dirigidos por "pelegos",
ligados ao governo.
Acrescente que, após a criação do salário
mínimo, houve um crescente distanciamento entre a evolução
do seu poder de compra e o Produto Interno Bruto (PIB) per
capita. Apenas na década de 1950 é que o mínimo
passou a crescer em níveis próximos aos do PIB.
A partir de 1964, a política de arrocho dos salários
acarretou um afastamento de suas trajetórias, uma das
causas da desastrosa distribuição de renda atual
do país.
Após essas observações, encomende à
turma uma pesquisa de imagens sobre o Estado Novo da era Vargas
(1937-1945), quando o governo criou o Departamento de Imprensa
e Propaganda (DIP) com o objetivo de difundir uma boa imagem
do ditador. A análise de fotos e ilustrações,
nos moldes da realizada em relação à
greve dos mineiros franceses, vai ajudar a compreender a história
do trabalho no Brasil.
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Reprodução |
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Vargas
decreta o salário mínimo: o ditador
reforça a imagem de
" pai dos pobres" |
Cestas
de tamanhos desiguais
Examine com seus colegas a tabela abaixo. Ela mostra as
estimativas de 2006 para a renda per capita dos quatro
países do Mercosul, e da Itália de Enzo
Rossi, com relação à paridade do
poder de compra. Esse método mede o quanto uma
determinada moeda pode comprar em termos internacionais,
considerando não apenas as diferenças de
rendimento, mas também as distinções
no custo de vida.
Assim, proporciona uma visão mais realista da riqueza
da população.
Alguns temas para discussão: se o Brasil é
bem mais industrializado que a Argentina, por que os hermanos
têm um poder de compra quase duas vezes superior
ao nosso? Se o salário de um italiano era considerado
insuficiente, o que dizer de um trabalhador paraguaio,
com uma renda quase sete vezes menor?
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Aula sugerida por Ricardo Barros, professor
de História do Colégio Paulista
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