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Edição
2033, 7 de novembro de 2007
Interdisciplinar
- Física, História, Geografia e Literatura
Futuro
selenita ou presente lunático?
Debata os benefícios e as desvantagens dos programas
espaciais e as idéias da turma sobre como será
o futuro

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A corrida espacial


Analisar
e discutir os resultados dos programas espaciais
e as previsões para o futuro |
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Como
quase todo desenvolvimento tecnológico que ocorre em
nossos dias, a exploração do espaço em
larga escala teve início com o esforço de guerra
nos anos 1930 e 1940 e o apoio maciço de recursos governamentais.
A década de 1950 viu a Guerra Fria atingir a maturidade.
E a Lua, linha de chegada de uma corrida por poder e supremacia,
não de uma aventura científica, foi conquistada.
VEJA anuncia agora o ingresso de mais dois países no
clube de interessados em viagens tripuladas ao nosso satélite
natural. Os projetos apresentados na reportagem devem certamente
aguçar a curiosidade da garotada e render reflexões
importantes a respeito do empreendimento espacial humano.
Atividades
1ª
e 2ª aulas – Após a leitura do
texto pelos alunos, é possível que surjam perguntas
acerca de detalhes técnicos das diversas missões
planejadas ou das viagens espaciais em geral. Reserve algum
tempo para responder às dúvidas e discuti-las
em aula. Encaminhe o debate para os impactos desses projetos
na nossa vida. Quais as vantagens para os povos dos países
que se apressam em correr para a Lua? Quais as desvantagens
para o Brasil, que não pensa em ir para lá tão
cedo, mas que manda um astronauta ao espaço fazer turismo?
Em que medida a capacidade técnica nacional e mundial
está sendo usada em benefício das nações?
Outra abordagem interessante e mais lúdica é
tentar prever como será o futuro. O turismo espacial
- hoje um tipo de ostentação para poucos sonhadores
- se tornará comum mais tarde? Quando a classe média
irá ao céu, e não ao paraíso?
Daqui a 30 anos estaremos lendo manchetes nos jornais sobre
a "crise do apagão espacial", com fotos de
espaçoportos nacionais lotados, com multidões
aguardando escassas vagas para se apertar num bólido
ruidoso rumo à gélida e inóspita superfície
lunar?
Muita gente já fez previsões e se consagrou
com elas. Relembrá-las pode ajudar a moçada
a imaginar como será o futuro espacial da humanidade
e em particular, do nosso país, daqui a dez, vinte
ou cem anos. Para tanto, comece distribuindo o quadro ao lado,
"Entre Dois Mundos", para a turma.
Em seguida, faça um zoom pela história recente
do Brasil, a partir da Nova República, mostrando as
conquistas fundamentais da sociedade e também o surgimento
de problemas crônicos advindos da rápida e desordenada
urbanização da população.
Como algumas comunidades que convivem com esgoto a céu
aberto e intermináveis filas em postos de saúde
dispõem de celulares, TV a cabo e outras tantas benesses
tecnológicas? Qual a lógica por trás
dessa distribuição equivocada das conquistas
da ciência e da tecnologia?
Aponte que parte da gigantesca dívida externa do Brasil
no início dos anos 1970, que perdurou por décadas
gerando despesas de juros exorbitantes, deveu-se à
implantação do sistema nacional de TV em cores.
Pergunte se não teria sido mais inteligente aplicar
a mesma quantidade de dinheiro na criação de
um sistema eficaz de estruturação da educação
ou saúde pública.
Depois, peça que, em grupo, os adolescentes tentem
prever as mudanças comportamentais das pessoas e seu
reflexo na organização política e institucional
de nosso país e em outros, como a China e a Índia.
Computadores e iPods ainda serão sonhos de consumo
dos remediados? Ferraris e Rolex permanecerão objeto
de desejo dos abastados? A absurda disparidade de poder, expressa
apenas pela quantidade de dígitos usados para indicar
o saldo em contas, entre seres humanos e entre estes e instituições
ainda será permitida pela estrutura legislativa? Por
quanto tempo o milionário Bill Gates e lunáticos
conviverão com escravos, burkas, balas perdidas e mães
solteiras menores de 14 anos? Até quando Estados Unidos
e Finlândias viverão ao lado de Birmânias
e Congos?
Indague a classe sobre a conveniência ou não
de o Brasil entrar nessa corrida, inflando com recursos o
Programa Espacial Brasileiro ou pegando carona na nave de
alguém. Recorde também que a exploração
espacial começa a escapar ao monopólio dos estados
nacionais.
Há poucos anos, um grupo privado conseguiu fazer um
vôo (a mais de 100 quilômetros de altitude) e
ganhou cerca de 10 milhões de dólares como prêmio
de uma fundação que, agora associada ao Google,
oferece 20 milhões de dólares a quem fizer um
jipe-robô percorrer ao menos 500 metros em solo lunar.
A essa altura da história, da situação
socioeconômica e do desenvolvimento científico
e tecnológico do Brasil, a nossa participação
numa corrida espacial seria útil para quem?
Para finalizar, conduza uma análise das viagens de
turismo espacial sob o aspecto ético de cada agente
envolvido. Excursões desse tipo, em que são
pagos milhões de dólares para se espremer por
horas a fio numa nave rudimentar, não são mais
ou menos como fazer festa com trezentos convidados para o
cachorrinho de estimação? Ou andar com o relógio
de grife à mostra para quem dorme ao relento e não
almoça há dias? Examine com os estudantes os
prós (o dinheiro e a publicidade, por exemplo) e os
contras do turismo espacial.
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Entre
dois mundos
Nos
dias atuais, em pleno século 21, existimos numa
esfera intermediária entre o que previram os
trekkers, nos anos 1960, e os cyberpunks, nos anos 1980.
Os primeiros, otimistas, nos mostravam uma sociedade
organizada, onde inexistiam os principais problemas
que hoje nos afligem. Sua pintura onírica do
futuro está eternizada no universo ficcional
de Jornada nas Estrelas, alguns passos adiante da futurologia
de 2001, Uma Odisséia no Espaço.
Os cyberpunks, por outro lado, pessimistas e seguindo
a linha do pesadelo orwelliano de 1984, nos aterrorizavam
com o cenário depressivo de Blade Runner,
O Caçador de Andróides e com a hecatombe
de O Exterminador do Futuro.
Nesse mundo, parte 1984, parte Blade Runner, mas onde
uma soma surreal permite que seja também 2001
e Jornada nas Estrelas, assistimos, mais do que participamos,
a um morno revival da corrida espacial dos anos 1960,
na qual até o Brasil figura como personagem periférico.
Ao mesmo tempo que o programa espacial brasileiro é
virtualmente deixado às moscas, e isso pouco
tempo após o primeiro ser humano a falar português
subir ao espaço, outros dois países emergentes,
China e Índia, emparelham com potências
tecnológicas como Japão e União
Européia numa nova corrida espacial rumo à
Lua.
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Roteiro sugerido por Renato da Silva Oliveira,
professor de Física e coordenador do Planetário
Móvel AsterDomus, de São Paulo
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