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Edição
1921, 7 de setembro de 2005
Interdisciplinar
História, Geografia e Biologia
Mostre
que não basta ter matas
e rios, é preciso preservá-los
Ensine que muitos desequilíbrios ambientais
têm uma causa cada vez mais importante: as ações
humanas
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Luciano
Andrade
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Sertanejo
ao lado de um açude na Bahia: a dura convivência
com o fenômeno da seca
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Atentados
e preservação ambientais


Construir
e aplicar conceitos das várias áreas
do conhecimento para compreender processos
histórico-geográficos


Reconhecer
a importância da preservação
do meio ambiente |
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Focalizado
na reportagem de VEJA, o geógrafo Jared Diamond identificou
na degradação da natureza um dos fatores principais
da decadência das civilizações. Ele examinou
diversas situações históricas, tais como
a da Ilha de Páscoa, totalmente desmatada, e a da Nova
Guiné, onde se pratica há milênios uma
agricultura sustentável. Mas existem exemplos mais
familiares aos brasileiros: basta lembrar que a Zona da Mata
nordestina, apesar do nome, perdeu sua cobertura vegetal desde
o século XVI, substituída pelos canaviais. Além
disso, milhões de sertanejos convivem com os desequilíbrios
ecológicos. Use o texto como um alerta para a necessidade
de preservação ambiental e sugira a turma
volte a investigação para as condições
do Brasil. Um país que precisa aprender a conservar
suas águas e florestas, para descartar o risco de se
tornar uma imensa Ilha de Páscoa.
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Ana
Araújo
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Desmatamento
em reserva de Mato Grosso: atentado ambiental
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Exercícios
e outras atividades
O
texto de VEJA informa que a saturação na exploração
dos recursos naturais já é uma triste realidade.
Segundo a reportagem, é possível identificar
especialmente quatro fatores críticos: a escassez de
água potável, o desmatamento em larga escala,
a crise de fontes renováveis de energia e a poluição
do ar. Exponha sucintamente esses quatro problemas. Mostre
que a água é abundante no Brasil, mas escassa
em outros países. Mesmo assim, nossas metrópoles
já enfrentam sérios problemas de abastecimento.
A Floresta Amazônica mas não só
ela tem queimado como nunca nos últimos anos.
Já tivemos florestas praticamente extintas, como a
Atlântica, que sofreu desde o século XVI um processo
de exploração predatória. Vários
recursos energéticos tendem a se esgotar nos próximos
decênios, como, por exemplo, o petróleo. Por
sua vez, as medidas adotadas pela ONU contra a poluição
do ar não têm sido cumpridas pelos países
industrializados, em especial pelos Estados Unidos. Após
essa breve exposição, divida os estudantes em
quatro grupos, encarregando cada um deles de pesquisar um
desses temas. Peça que apresentem os resultados de
suas pesquisas para a classe. Solicite também que cada
aluno escreva uma redação expressando sua opinião
sobre a necessidade de preservar essas riquezas naturais.
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Paulo
Jares
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Plataforma
de petróleo em Campos: riqueza cada vez mais
escassa
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Lembre
que a tragédia ecológica e a escassez de matérias-primas
essenciais são fenômenos bem conhecidos em nosso
país, especialmente no semi-árido nordestino,
onde vivem mais de 15 milhões de brasileiros. A sucessão
das secas, a falta de cuidado na defesa dos recursos naturais
e a incapacidade governamental de estabelecer um plano que
dê viabilidade econômica ao sertão transformaram
o semi-árido na maior região-problema do Brasil.
O processo teve início no século XVI, quando
começou a ocupação portuguesa. A cada
grande seca, a economia se retraía, despovoava certas
regiões e impulsionava o deslocamento da população
para as áreas menos propensas à escassez de
água. Com o aumento demográfico, os efeitos
das secas foram cada vez mais dramáticos. A maior seca
da região, a dos anos 1877-1879, levou à morte
500 mil sertanejos, 4% da população brasileira
da época. Junto com a mortandade veio a destruição
dos rebanhos e da agricultura, gerando um grave desequilíbrio
ambiental. Outro problema é a adoção
de culturas agrícolas que exigem muita água
em uma região com uma dificuldade crônica de
absorver o líquido, principalmente devido ao solo cristalino:
cavam-se 30 centímetros e o agricultor encontra a rocha
pura. Ensine que uma região com esse perfil geológico
e com um regime especial de chuvas precisa ter uma economia
adaptada a essas circunstâncias. Necessita desenvolver
uma agricultura que exija pouca água, a chamada agricultura
seca ou dry farming, incentivada no sul dos Estados Unidos,
principalmente nas áreas da fronteira com o México.
Este pode ser um tema interessante de pesquisa: quais produtos
são mais adequados às condições
do semi-árido nordestino?
Informe
que, desde o início do século XX, o governo
federal criou diversos organismos para atuar na região.
O primeiro foi o Departamento Nacional de Obras Contra as
Secas (DNOCS), em 1909. Depois, em 1952, surgiu o Banco do
Nordeste do Brasil (BNB); sete anos depois, foi lançada
a Superintendência para o Desenvolvimento do Nordeste
(Sudene). Mesmo assim, pouco ou quase nada foi realizado na
região, que, assolada por secas periódicas,
acabou fornecendo mão-de-obra para a Amazônia,
o Sudeste e as cidades litorâneas do próprio
Nordeste.
Após
apresentar esse quadro, proponha a realização
de uma pesquisa sobre as condições atuais do
semi-árido nordestino. Ressalte que a seca é
um fenômeno climático, portanto não deve
ser combatido. A questão central é a convivência
com ele, daí a necessidade de programas que planejem
a intervenção governamental. Recorde que o governo
federal insiste em iniciar ainda em 2005 o polêmico
projeto da transposição do Rio São Francisco,
que, para alguns especialistas, não solucionará
o drama da região, podendo, inclusive, trazer sérios
danos ambientais. Divida a classe em dois grupos e peça
que levantem argumentos favoráveis e contrários
à transposição das águas do Velho
Chico. Eles devem ser apresentados ao conjunto da classe.
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Divulgação
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Poluição
industrial no Tietê: as maiores reservas de água
doce do planeta estão ameaçadas
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Para
debater
O
texto prevê o esgotamento dos recursos planetários
se os chineses e indianos atingirem o nível de consumo
dos californianos. Na opinião da moçada, como
os asiáticos provavelmente reagiriam diante desse problema?
Eles vão desistir de comprar sua primeira geladeira
ou sugerir que os habitantes da Califórnia diminuam
o nível de consumo? A discussão vai enfatizar
que a preservação dos recursos planetários
exige o apoio de todos, ricos e pobres.

Vida
e morte no sertão. História das secas no Nordeste
nos séculos XIX e XX, Marco Antonio Villa. Ática,
tel. 0800-115152

Os sites
www.sudene.gov.br
e www.dnocs.gov.br
trazem informações sobre iniciativas, atuais
e passadas, de enfrentamento das secas

Aula sugerida
por Marco Antonio Villa, professor de História
da Universidade Federal de São Carlos (SP)
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