| |

Edição
1959, 07 de junho de 2006
Ciências
da Natureza, Matemática e suas Tecnologias - Matemática
Final
verde-amarela: isso pode acontecer?
Verifique
com a garotada as probabilidades de confrontos entre os times
dirigidos por brasileiros

|
|
 |

Tabela
da Copa do Mundo e cálculo de probabilidades


Analisar
e calcular as possibilidades de que ocorram
determinadas disputas entre seleções |
|
|
O
número cinco será destaque brasileiro na Copa
da Alemanha. Há bons motivos para isso: já ganhamos
o torneio cinco vezes e cinco são os técnicos
nascidos no país dirigindo seleções diferentes
na competição. Tal proporção (cinco
em 32 times) nos leva, inevitavelmente, a pensar em prováveis
confrontos diretos entre eles em fases diversas do evento.
Pode acontecer uma semifinal, ou mesmo uma final, entre seleções
comandadas por compatriotas. Convoque a garotada para esse
jogo de probabilidades.
Conterrâneos
Seguindo a linha de associar um peso para cada time,
outro critério válido para calcular
as probabilidades é avaliar o desempenho
dos técnicos. Isso pode ser feito com base
no número de vitórias em relação
ao total de jogos realizados no comando das seleções
que treinam. Parreira, por exemplo, recebe peso
48/93 contra 37/68 de Zico para a disputa na primeira
fase. No caso da Arábia Saudita, a regra
tem de ser diferente – uma alternativa é
considerar um valor baixo, algo como 1/10, uma vez
que o time tem muitas derrotas em Copas. |
|
Carlos
Alberto Parreira, Brasil
Em 93 partidas à frente da seleção
canarinho, saiu-se vencedor em 48 ocasiões |
| |
|
|
Luiz
Felipe Scolari, Portugal
No comando da equipe lusitana, conquistou 26 vitórias
em 42 jogos |
Zico,
Japão
O treinador do país oriental disputou 68
jogos e conseguiu 37 vitórias |
| |
|
|
Marcos
Paquetá, Arábia Saudita
Assumiu o time após a classificação
para a Copa de 2006. Disputou apenas amistosos |
Alexandre
Guimarães, Costa Rica
Com 4 vitórias em 7 partidas, carimbou
o visto dos centro-americanos para a Copa |
Fotos
Eugenio Savio, Jader Da Rocha,, Eduardo Monteiro, Fabio
Motta/Ag. Estado, Alaor Filho/Ag. Estado |
Atividades
1ª
aula Examine a tabela da Copa com a turma e aponte
o número de brasileiros que treinam seleções
de outros países. Lembre que, na Copa de 1966, pela primeira
vez, dois técnicos daqui dirigiram equipes envolvidas
em confronto direto. Isso se deu na partida entre Brasil e Portugal,
quando Vicente Feola encarou Otto Glória – e perdeu.
Placar final: Portugal 3 a 1 Brasil. Na ocasião, jornalistas
tupiniquins acusaram o comandante da equipe lusitana de pedir
marcação severa demais sobre Pelé, que
foi “caçado” do início ao fim, como
escreveram. Ao final do embate, o Rei do Futebol mal conseguia
andar, tamanha a truculência dos zagueiros adversários.
Parece lógico supor que um técnico brasileiro,
mesmo dirigindo outras seleções, saiba mais sobre
nossos jogadores do que profissionais estrangeiros. Levante
a dúvida: Será que teremos história semelhante
nesta Copa? Será que Zico ou Felipão sabem como
parar Ronaldinho e companhia?
Comece observando que a chance de duas equipes treinadas por
brasileiros se encontrarem na primeira fase é 100%, uma
vez que Brasil e Japão estão no mesmo grupo. A
possibilidade de a história se repetir em outras etapas,
porém, parece bem menor, e dependerá da performance
de cada seleção. Desafie a classe a determinar
a probabilidade de que dois times orientados por brasileiros
se encontrem a partir das oitavas-de-final.
Uma das possibilidades de trabalhar essa questão consiste
em permitir que os estudantes preencham com prognósticos
a tabela de resultados da primeira fase. Isso feito, eles devem
escolher os supostos primeiro e segundo lugares de cada grupo.
Assim, cada um terá seu palpite para a etapa seguinte.
Supondo que mais de uma seleção dirigida por brasileiro
se classifique, será factível trabalhar com as
probabilidades.
Das fictícias oitavas-de-final em diante, peça
que todos considerem chances iguais para cada resultado numa
partida entre as equipes A e B – vitória de A ou
de B. O estudante deve avaliar a possibilidade de que venha
a ocorrer um jogo entre duas das cinco seleções
– Brasil, Japão, Portugal, Costa Rica e Arábia
Saudita – na segunda fase, nas quartas-de-final, na semifinal
ou na final. Depois, vem o cálculo da probabilidade de
que cada time chegue a disputar alguma dessas fases. Ponha lenha
na fogueira e pergunte:
É possível que Brasil e Portugal meçam
forças em duelo direto? Em caso positivo, qual é
a probabilidade de que isso ocorra, considerando que as duas
equipes se classifiquem nos próprios grupos (de acordo
com a escolha feita pelo aluno)?
É absurdo prever o encontro de Japão e Brasil
na final?
É válido pensar, ao menos em termos matemáticos,
numa decisão entre Japão e Portugal?
Em quais fases podem acontecer cruzamentos de selecionados
dirigidos por brasileiros?
Sugira que todos indiquem o raciocínio utilizado para
resolver essas questões por meio de uma representação
semelhante à do quadro ao lado.
Quem curte futebol e acompanha de perto o desempenho das seleções
talvez estranhe o fato de este plano de aula atribuir probabilidades
iguais para cada resultado. Nesse caso, sugira que os próprios
alunos estipulem os valores e, com base nisso, avaliem as chances
de determinada equipe encontrar-se com outra. Eles podem, por
exemplo, combinar que, num jogo de oitavas-de-final entre Brasil
e Itália, o escrete canarinho tem mais chance de vitória
e, com esse dado, analisar os desafios seguintes da seleção
pentacampeã. 2ª
aula – Proponha variantes estatísticas
para estimar as chances de cada equipe em confronto direto
nas oitavas-de-final, quartas-de-final, semifinais e na final.
Uma alternativa é atribuir pesos a cada seleção.
Como? Simples: depois que a classe completar seus palpites
para os jogos da primeira fase, pergunte quantos escolheram
a Alemanha como primeira colocada do grupo A. Se 24 entre
30 jovens da sala fizerem essa opção, a equipe
germânica ganha “peso” 24 para os jogos
da fase seguinte. Dessa maneira, complementando a estatística,
cada país carregará um peso a cada etapa da
competição.
Numa situação hipotética, se a Alemanha
vier a enfrentar nas oitavas-de-final um país com peso
12, a turma deve considerar que a probabilidade de o país-sede
da Copa vencer é duas vezes maior que a do adversário,
pois 24 é o dobro de 12. Assim, ficaria definida a
probabilidade para a Alemanha e para o outro país.
Nem sempre a relação entre os números
de escolhas será tão evidente quanto a que está
implícita em 12 e 24. Isso vai tornar a atividade mais
complexa e interessante.
Por fim, convide todo mundo a criar um bolão em que
os palpites sejam baseados nas estimativas de cada um. Aí,
é só esperar para ver se as probabilidades funcionam
também na vida real.
Simulação
Este quadro simula a possibilidade de que o primeiro colocado
do grupo A passe por todas as fases e chegue à
final.
No caso, as chances estipuladas são todas iguais
a 1/2. O número, no entanto, pode ser modificado
de acordo com outros critérios de avaliação
dos times.
|

Plano
de aula criado por Walter Spinelli, professor
de Matemática do Colégio Móbile, de São
Paulo
|
|