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VEJA NA SALA DE AULA
     
 


Edição 1998, 7 de março de 2007

Linguagens e Códigos e suas Tecnologias - Língua Portuguesa

Opinião embasada

Discuta o alcance e a influência dos prêmios literários e explique aos adolescentes como elaborar resenhas


Prêmios, a Quanto Obrigam!

Duas aulas de 50 minutos


Resenhas críticas e prêmios literários


Conhecer a estrutura das resenhas e produzir textos desse gênero

Pelo menos sete dos mais respeitados resenhistas da imprensa nacional espicaçaram a comédia Um Elefante no Caos. Curiosamente, a Associação Brasileira de Críticos Teatrais concedeu à obra o título de melhor peça produzida no país em 1960. Mais tarde, o autor, Millôr Fernandes, publicou esse trabalho em forma de livro e aproveitou para reproduzir, na contracapa, as alfinetadas de seus detratores. Avesso a cerimoniais e elogios, o humorista faz observações ácidas que vão estimular os alunos a refletir a respeito da a influência que os prêmios literários exercem sobre nossos hábitos de leitura. Este plano de aula também se propõe a examinar as resenhas como gênero textual.

Sygma / Corbis / Latinstock
O FOGO DE ALÁ
Muçulmanos queimam livro de Salman Rushdie
em praça pública: sentença de mortes


Atividades

1ª aula - Antes de distribuir os exemplares de VEJA para os adolescentes, pergunte quem já ouviu falar em Milton Hatoum, Nélida Piñon, Bernardo Carvalho, Ana Miranda, Rubens Figueiredo, Moacyr Scliar e Carlos Nascimento Silva. Talvez alguns reconheçam um ou outro nome dessa pequena lista. Mas o que eles têm em comum? Informe que são os mais recentes vencedores do Prêmio Jabuti na categoria romance. Se achar conveniente, conte que o troféu foi criado em 1959 pela Câmara Brasileira do Livro e é entregue anualmente aos profissionais de maior destaque do setor. A turma conhece honrarias semelhantes, de âmbito local, regional ou internacional? Alguém já se sentiu tentado a ler contos, novelas e poemas simplesmente porque os textos eram laureados? Peça exemplos.

Incentive os jovens a citar seus livros favoritos e contar, em poucas palavras, o porquê dessa predileção. Em seguida, sugira que todos visitem brevemente a internet para verificar se o material mencionado já recebeu prêmios ou freqüentou relações do tipo “os mais vendidos”. Isso faz diferença para eles?

Questione o papel dos críticos literários, teatrais, cinematográficos e musicais. As resenhas que eles publicam em jornais e revistas têm que objetivos? Informar e orientar o público? Polemizar? Estimular o consumo de produtos culturais? Massagear ou demolir o ego dos autores? Os estudantes se lembram de ter desistido de comprar um CD, ver um filme ou ler um livro influenciados por uma resenha negativa? E as críticas favoráveis, já convenceram a moçada a assistir a um show, ver uma peça de teatro ou adquirir um DVD?

Apresente a coluna de Millôr Fernandes e chame a atenção para o fato de que ele transcreveu comentários hostis dos resenhistas na versão impressa de Um Elefante no Caos. Qual foi a intenção do escritor ao tomar essa atitude? Posar de vítima? Tornar patente seu menosprezo pela crítica? Ou convidar os leitores a apreciar seu trabalho e discordar daqueles que o atacaram?

2ª aula – Sugira que a garotada tente conceituar resenha. Permita que todos se manifestem e, em seguida, partilhe a definição sucinta dada por Ulisses Infante, autor de Do Texto ao Texto (Ed. Scipione): "Resenhar é, basicamente, resumir as características de um objeto - um quadro, uma escultura, um livro, um filme, um CD etc. - e também opinar sobre o mesmo. É fundamental, no entanto, que o posicionamento do crítico se apresente como desenvolvimento natural de uma argumentação consistente".

Mostre que, mesmo sem ter muita consciência disso, nós agimos como resenhistas no cotidiano quando recomendamos filmes, textos e músicas aos amigos. Dependendo de quem expressa a opinião, o impacto pode ser tremendo. Lembre que, em 1989, o escritor anglo-indiano Salman Rushdie foi jurado de morte pelo aiatolá Khomeini. O líder islâmico se sentiu ofendido pelo conteúdo do livro Os Versos Satânicos (Companhia das Letras), lançado no ano anterior. Perseguido por fanáticos religiosos, Rushdie se viu obrigado a evitar aparições públicas por muito tempo, até que a ira dos seguidores de Alá arrefeceu. Enquanto durou essa reação violenta, porém, o romance revelou-se um campeão de vendas.

Organize a sala em grupos e disponibilize críticas publicadas em edições anteriores de VEJA (os textos que estão na revista desta semana referem-se a lançamentos, que seus alunos provavelmente ainda não tiveram oportunidade de conhecer). Então, proponha que cada equipe escolha uma resenha - sobre uma obra que seus componentes apreciem. Todos devem ler atentamente o material selecionado, observando os seguintes aspectos:

  • Quais trechos contêm informações objetivas? Que proporção do total essas passagens ocupam?

  • Quais são as partes opinativas? Elas surgem de forma gratuita ou estão contextualizadas e bem justificadas?

  • Os comentários são positivos, negativos ou neutros? Que expressões explicitam essa posição?


  • Desafie os times a produzir as próprias resenhas. Dê-lhes a liberdade de optar entre a reformulação da crítica que acabaram de ler (com outro teor informativo e opinativo, claro) e a elaboração de textos sobre temas diferentes. Insista na fundamentação dos comentários, na exatidão dos dados e no cuidado com o estilo. Uma vez concluída a atividade, os resultados devem ser avaliados pelo conjunto da classe. Quem apresentou argumentação mais convincente? Quem informou melhor?

    Encerre mostrando os cartuns abaixo - criados, respectivamente, pelos artistas gráficos Rekern e Redi - e debata suas mensagens tácitas.

    CBL / Divulgação
    PRÊMIO JABUTI
    O troféu, criado pela Câmara Brasileira do Livro em 1959,
    é entregue anualmente: só para os melhores

    Para seus alunos

    Crítica da razão pura

    Embora divertidas, estas cenas abordam questões sérias. Pense a respeito


    Reprodução

     

    Roteiro sugerido por Heloísa Cerri Ramos, professora e consultora de Língua Portuguesa, de São Paulo


     
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