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Edição 1994, 7 de fevereiro de 2007

Ciências Humanas e suas Tecnologias - História e Política

Tiranos made in Europe

Acompanhe com os estudantes a trajetória dos ditadores africanos, criaturas do colonialismo


Idi Amin, o Terrível

Uma aula de 50 minutos


Política da África e colonialismo


Perceber que a maioria dos ditadores africanos do século XX foi moldada pelas estruturas coloniais

Idi Amin Dada não era um 007, mas lutou a serviço de Sua Majestade Britânica no Quênia, contra os guerrilheiros Mau Mau, nos anos 1950. Foi inclusive um dos poucos militares de Uganda a tornar-se oficial antes da independência do país, em 1962. Depois, assumiu a presidência e governou de maneira brutal e despótica, como mostra a resenha sobre o filme O Último Rei da Escócia. Essa trajetória mereceu o repúdio da opinião pública européia - mas será que o comportamento do ex-cozinheiro do King's African Rifles, tão apreciado pelos britânicos, não prenunciava o tirano? Baseado no texto de VEJA, este plano de aula vai mostrar a seus alunos que muitos ditadores da África, no século XX, percorreram trilhas abertas pelo colonialismo.

Fotos Collection Roger-Viollet; Eric Feferberg /
APF e Patrick Hertzog / AFP

DITADORES
Da esquerda para a direita, Idi Amin Dada,
Mobutu Sese Seko e Muammar Kadafi: protagonistas
da instabilidade política africana no final do século XX. Dos
três, apenas Kadafi não iniciou sua carreira militar na
máquina montada pelo colonialismo europeu no continente


Atividades

Peça que a turma faça uma breve pesquisa sobre Jean-Bédel Bokassa e Mobutu Sese Seko, governantes autoritários mencionados na revista. Todos vão perceber que esses homens, a exemplo de Idi Amin Dada, foram moldados pela máquina militar colonial. Bokassa lutou na Indochina contra a guerrilha comunista e atingiu o posto de capitão do Exército francês. Mobutu, por sua vez, era sargento nas fileiras do Congo Belga - o mais alto posto ao alcance de um africano - quando enveredou pela política.

Os três eram figuras que os antigos colonizadores acreditavam controlar, até que as criaturas decidiram seguir caminhos próprios e brutais. Mesmo assim, conservaram o apoio das elites políticas e econômicas européias. Um caso emblemático é o de Mobutu, que se envolveu na derrubada e no assassinato, em 1961, do esquerdista Patrice Lumumba, primeiro-ministro do antigo Congo Belga. A notória corrupção de Mobutu e os atos de violência contra seus adversários e a população civil não impediram que fosse sustentado, até a década de 1990, pelos grupos interessados na exploração das riquezas minerais do Zaire - nome que ele atribuiu ao país, hoje chamado República Democrática do Congo.

Será que todos os ditadores africanos seguiram essa trilha? Antes que os jovens possam responder, devem verificar a trajetória de Muammar Kadafi, governante da Líbia desde 1969. Os estudos vão indicar que ele se graduou, em 1965, pela academia militar de um país que se tornou independente em 1951. Assim, sua formação não pode ser atribuída às autoridades coloniais, o que certamente aumentou a margem de manobra do ditador líbio. Conte que, na década de 1990, Kadafi afastou-se do fundamentalismo muçulmano e dos grupos guerrilheiros que antes financiava. Atualmente, é considerado um dos líderes "respeitáveis" da África.

Roteiro criado pela equipe de VEJA NA SALA DE AULA

 
 
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