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VEJA NA SALA DE AULA
     
 


Edição 1994, 7 de fevereiro de 2007

Ciências Humanas e suas Tecnologias - História e Cultura

Estudar é viver?

Mostre que, para quem quer uma longa vida, o estudo é bem mais útil do que receber glândulas de macaco


O Hormônio da Ilusão
O Bê-Á-Bá da Longevidade

Três aulas de 50 minutos


Longevidade e padrões de comportamento


Refletir sobre como o desejo de uma vida longa se manifesta na sociedade e na esfera artística

A reportagem "O Hormônio da Ilusão" alerta para o risco de tentarmos a todo custo lutar contra o envelhecimento natural, usando, sem recomendação médica, hormônios como o do crescimento, de efeito inócuo sobre o processo ou, em certos casos, perigoso. Então, fazer o quê? Sair em busca da fonte da juventude, tal qual Ponce de León? Vender a alma, como fez Dorian Gray, personagem de Oscar Wilde? Acreditar na própria imortalidade e, por precaução, ter aulas de esgrima, espelhando-se em Connor McLeod, protagonista de Highlander? Ou simplesmente levar uma vida equilibrada e encarar a sério os estudos? É o que informa "O Bê-Á-Bá da Longevidade”: quem passa mais tempo nos bancos escolares vive mais. Com base nos dois textos da revista e neste plano de aula, avalie com a turma como esse desejo de juventude eterna aparece em obras literárias, em filmes e na televisão, entre outras produções culturais. Lembre que ele é característico de nossa sociedade - e talvez vá além dela. Afinal, o vulcaniano Spock, da série Jornada nas Estrelas, cumprimentava seus pares desejando a eles vida longa e prosperidade.

Bettmann / Corbis / LatinStock

Ponce de León alcançou a Flórida quando buscava uma fonte
lendária: suas águas rejuvenesciam quem as bebesse


Atividades

1ª aula
- Após a leitura das páginas 114 e 115 de VEJA, proponha que a garotada discuta o texto e suas conclusões. As pesquisas americanas e européias apontam para os mesmos resultados: as pessoas com um nível de instrução formal mais alto têm uma expectativa de vida maior, independentemente da origem social. Em que comportamentos, desenvolvidos na escola, se fundamenta essa conclusão? Ela também é válida no Brasil, onde, segundo a revista, fica difícil isolar educação e renda, pois "os mais ricos são sempre os mais escolarizados”? Indivíduos bem informados e com uma formação mais crítica são capazes de utilizar hormônios, sem indicação médica, na busca de um corpo mais jovem? Se os alunos desejarem, o debate pode se desdobrar numa pesquisa a ser realizada no âmbito do colégio com o objetivo de verificar os padrões de comportamento que predominam nesse espaço.

Conte que, muito antes de os instrutores bombados das academias de ginástica "receitarem” o hormônio do crescimento para seus clientes, outros métodos de rejuvenescimento fizeram furor no Brasil. É o caso do procedimento desenvolvido por Serge Voronoff no início do século XX. Esse médico russo transplantava glândulas de macacos para homens, o que gerou caricaturas, crônicas e até canções sarcásticas. Transcreva no quadro-negro os primeiros versos de Seu Voronoff, composição de Lamartine Babo e João Rossi, e peça que os jovens pesquisem, para as aulas seguintes, materiais iconográficos sobre esse método pouco ortodoxo de rejuvenescimento.
Nana Production/ Sipapress

Connor McLeod, de Highlander: o fascínio e o fardo da
imortalidade no cinema e na TV


Seu Voronoff
Toda gente agora pode
Ser bem forte, ser um "taco"
Ser bem ágil como um bode
E ter alma de Macaco.
A velhice na cidade
Canta em coro a nova estrofe
E já sente a mocidade
Que lhe trouxe o Voronoff.


2ª aula – Oriente o estudo de textos e imagens sobre figuras históricas e personagens de ficção associados à busca do rejuvenescimento. Um deles foi o espanhol Ponce de León, o primeiro europeu a chegar à Flórida - em 1513 -, durante uma expedição na qual buscava uma lendária fonte da juventude. No cinema e na TV, uma referência conhecida é Highlander, série protagonizada por um guerreiro imortal. Na literatura, merecem destaque O Retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde, publicado em 1890, e Orlando, de Virginia Woolf, lançado em 1928. Explique que Wilde criticou de forma brilhante a sociedade hedonista de sua época ao narrar a trajetória de um jovem que vende a alma para conservar a aparência sedutora. Por sua vez, em Orlando, o herói homônimo segue as transformações da história inglesa ao longo dos séculos, sempre mudando de gênero.

Distribua cópias do quadro à direita e coordene a execução das atividades propostas. Depois, questione a razão dessa procura pela longevidade. Basta viver muito? Ou o que se deseja é ser jovem por anos a fio? O que tal ânsia sugere sobre a sociedade atual? Pergunte se, quando valorizamos unicamente o que é jovem, o que é novo, deixamos de dar o devido valor à experiência, ao conhecimento acumulado por gerações e gerações. A reflexão sobre esses aspectos vai ajudar a moçada a perceber os mecanismos do mundo contemporâneo e nosso próprio modo de pensar.

3ª aula – Encarregue os adolescentes de montar painéis críticos sobre os personagens - reais e de ficção - mencionados neste plano de aula. Também devem ser expostos materiais sobre os transplantes de Voronoff e os produtos afrodisíacos pesquisados na aula anterior. Um seminário pode ser organizado para apresentar as conclusões.

Corbis / LatinStock

Dorian Gray: o retrato reflete a podridão moral de
um jovem belo e sedutor

 

Para seus alunos

Protoviagras

Observe com seus colegas o cartum abaixo, assinado por Miguel Paiva, no qual um homem segura um vidrinho com a inscrição "Elixir da Juventude".

Ele foi apresentado na exposição Objetos de Desejo do Homem, realizada em São Paulo em 2005. Será por acaso que as palavras homem, desejo e juventude aparecem associadas? Na verdade, nas mais diversas culturas, são encontrados produtos afrodisíacos, ou seja, considerados capazes de estimular o ardor sexual, especialmente o masculino. Que tal investigar alguns desses produtos e reunir textos e imagens dos ancestrais do Viagra? O leque é amplo: vai desde a brasileiríssima catuaba até o chifre de rinoceronte reduzido a pó, artigo muito procurado na Ásia e que quase levou o animal à extinção.


Divulgação / Mube


Veja também

Bibliografia

  • O Retrato de Dorian Gray, Oscar Wilde, Ediouro, tel. (21) 3882-8416
  • Orlando, Virginia Woolf, Ed. Nova Fronteira, tel. (21) 2537-8770


  • Aula sugerida por Patricia Tavares Raffaini, professora de História e Cultura da Universidade Anhembi Morumbi, de São Paulo

     
     
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