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Edição
1994, 7 de fevereiro de 2007
Interdisciplinar
- Física, Biologia e Filosofia
A
fé move montanhas?
Pergunte
se a crença no sobrenatural é compatível
com um mundo explicado pelos olhos da ciência

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Ciência
e fé


Examinar
o papel da fé ao longo da evolução
humana |
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Que
caminho escolher para explicar a vida e o mundo: a fé
ou a ciência? Existe coerência em optar pelas
duas, ou em algum momento dessa busca o choque será
inevitável? Ao que se sabe até agora, ambas
são manifestações exclusivas da espécie
humana. Em suas raízes, elas contêm uma transformação
genética que aparentemente nos privilegiou em relação
ao restante dos seres vivos. Nessa discussão, há
boas cabeças do mundo acadêmico que postulam
um ou outro percurso como o único possível,
enquanto outras procuram conciliar as duas vertentes. Mas
a reportagem traz uma revelação: a fé
teve papel fundamental na evolução humana. Mostre
à garotada por quê.
Atividades
1ª
aula - Comente que, para alguns cientistas, o aquecimento
global é um fenômeno natural. Eles acreditam
que o planeta está saindo de um período glacial.
Outros, por seu lado, afirmam que o fato decorre da ação
humana. Todos se baseiam em estatísticas e dados científicos.
Onde está a verdade? Faça a turma perceber que,
ao optar por uma das explicações, levamos em
conta, além da argumentação científica,
uma boa dose de crença naquilo que nos informam.
Promova a leitura da reportagem e, ao final, destaque as afirmações
do biólogo americano David Sloam Wilson quando questionado
sobre a existência de lugar para a fé num mundo
traduzido pela ciência. Explique que todo o conhecimento
humano é resultado do pensamento simbólico -
ou seja, a habilidade de utilizar representações
para a realidade. Essa capacidade humana não encontra
similar entre o restante dos animais. Embora muitos bichos
possam ser condicionados a dar respostas a estímulos
específicos, eles não transformam tais experiências
em saber transmissível por meio de sinais. Convém
assinalar, então, que as raízes da fé
e da ciência encontram-se no pensamento simbólico.
A leitura do quadro "Mitos
do Além, Explicados pela Ciência" pode
originar uma reflexão acerca dos limites elásticos
entre as duas visões de mundo. Examine, em seguida,
os momentos de aproximação e afastamento entre
ambas ao longo da história. Proponha que os estudantes
busquem na internet referências a respeito dos nomes
mencionados nessas passagens do texto, sobretudo Richard Dawkins
e David Sloan Wilson.
2ª
aula - Coordene um bate-papo sobre as teses centrais
defendidas pelos cientistas pesquisados no final da aula anterior.
Verifique se todos perceberam que o núcleo do pensamento
de Wilson está na transposição das idéias
evolucionistas para o âmbito social e cultural. Assim,
sob o olhar das vantagens adaptativas, o homem se beneficiou
com a fé. Dawkins, ao contrário, a compara a
um vírus, um perigo que deve ser banido. Ouça
o que a classe tem a dizer a respeito e oriente um rápido
debate em que sejam abordadas tanto as explicações
científicas e desmitificadoras quanto os limites do
ainda inexplicável.
Peça que a garotada reflita sobre a proposta de Dawkins
e pergunte se é possível traçar um paralelo
entre a fé e algumas de nossas emoções,
como a inveja e o ciúme. Tais sentimentos também
devem ser eliminados? Isso é factível? Em caso
positivo, o que temos a ganhar com isso? Somos melhores sem
eles? O raciocínio pode levar à conclusão
de que, entre remédio e veneno, a diferença
está na dose.

Roteiro criado pela equipe de VEJA NA SALA DE AULA
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