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Edição 1972, 6 de setembro de 2006

Multidisciplinar - Literatura e Política

Criticar é preciso



The Yorck Project/ Divulgação
Thomas More, o pai da utopia: de chanceler inglês
a oposicionista executado e, daí, a santo católico

As Páginas Amarelas com o cineasta e escritor Arnaldo Jabor levantam uma série de questões instigantes sobre a América Latina contemporânea – desde a nostalgia leninista de alguns intelectuais patrícios até o simplismo dos esquemas populistas de Hugo Chávez e Evo Morales. Além disso, o entrevistado introduz um conceito fundamental, repetido ao longo do texto e presente em seu próprio título: “Abaixo a Utopia”. Investigue com os estudantes esse projeto generoso, formulado por um santo em 1516.

Sugira pesquisas sobre Thomas More, autor do livro Utopia. Explique que ele foi chanceler da Inglaterra, mas se opôs ao rei Henrique VIII em 1535 e foi executado. Quatro séculos depois, More foi canonizado pela Igreja Católica, tornando-se o santo patrono dos estadistas e políticos.
Paralelamente, tente providenciar um exemplar da obra ou acesse o texto, em português, no site www.sozialistische-klassiker.org/dir/morus.html.

Divida a turma em grupos e encarregue cada um deles de ler um capítulo e resumir no final, para os colegas, seus pontos mais importantes. Para orientar a atividade, explique que a palavra utopia tem raízes gregas e significa “lugar nenhum”. Apesar disso, a ilha dos utopianos era fácil de localizar, pelo menos conceitualmente: tratava-se de uma anti-Inglaterra, no período de transição da ordem feudal para a burguesa. Ou seja, o autor critica, por meio da sátira, tanto as instituições da burguesia em ascensão quanto as do feudalismo decadente. Conte que tal aspecto é no mínimo tão relevante quanto as descrições da sociedade comunista dos utopianos. Como indica o subtítulo do livro, Ridendo Castigat Mores (“rindo censuram-se os costumes”), o autor submete a uma crítica bem-humorada, mas implacável, a sociedade de seu tempo. É uma evidência de que intelectuais dignos desse nome devem manter aguçado todo o seu senso crítico, como fez no passado Thomas More e faz, agora, Arnaldo Jabor.

Aula criada pela equipe de VEJA NA SALA DE AULA

 
 
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