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Edição
1972, 6 de setembro de 2006
Ciências
Humanas e suas Tecnologias - História
Um
aterrorizante mundo novo
Explique
por que podem ser tênues os limites
entre luta política, guerrilha, banditismo e terror

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Cavalos,
guerra e poder


Perceber
o impacto da domesticação dos
cavalos no cotidiano dos grupos humanos |
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Cinco
anos após os atentados de 11 de setembro nos Estados
Unidos, Osama bin Laden continua na lista dos mais procurados
pelo governo americano e ainda é visto como herói
nos países muçulmanos. Apesar das diferentes
perspectivas, cristãos, islâmicos, ateus –
povos de todas as crenças e das mais diversas origens
– devem coexistir numa realidade em que o terrorismo
faz parte do cotidiano tanto quanto as intervenções
militares que o alimentam. Os textos de VEJA analisam o alcance
político desses fenômenos e seu impacto cultural.
Constituem, desse modo, uma excelente base para o exame do
mundo novo e nada admirável em que vivemos.
| Jewel
Samad /AFP |
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| Paquistão,
2001: manifestante exibe cartaz com imagem de Bin
Laden, terrorista no Ocidente, herói para muitos
muçulmanos |
Atividades
1ª
aula - Peça que os alunos anotem as idéias
mais importantes dos textos. Chame a atenção
para o “efeito psicológico devastador”
na definição de terrorismo fornecida pela professora
Martha Crenshaw. Lembre que os ataques às torres gêmeas
de Nova York e ao Pentágono cabem como uma luva nessa
definição, pois foram transmitidos ao vivo,
para todo o planeta, pelos meios de comunicação
de massa. Assim, os terroristas atuais não se preocupam
tanto em causar danos ao inimigo, mas em se fazer ver –
principalmente pela televisão.
Destaque duas outras passagens: as fronteiras tênues
entre guerrilha e terrorismo e a presença de uma dimensão
nacionalista até mesmo na ideologia de grupos como
a Al Qaeda. Na opinião da turma, isso permitiria aproximar
a atuação dos extremistas islâmicos e
a de organizações como o ETA, que lutava contra
os espanhóis pela independência do País
Basco? Informe que ninguém jamais falou em “terrorismo
basco”, pois a grande maioria da população
que compõe essa nação não defendeu
nem utilizou tal forma de luta. O terrorismo foi exercido
por facções radicais que se sentiam alijadas
do poder. Sendo assim, não podemos mencionar um “terrorismo
árabe ou palestino”, como se tornou comum afirmar
na mídia, pois nem todo árabe ou palestino compartilha
do ideário dos terroristas.
Coloque em debate mais um aspecto da linha delicada que separa
ação política, guerrilha e terrorismo:
um militante que se considera guerrilheiro é enquadrado
como terrorista pelos órgãos de repressão.
Conte que, na França, durante a ocupação
nazista, os alemães chamavam de terroristas os partisans,
guerrilheiros rurais e urbanos que lutavam pela libertação
de seu país. Acrescente que eles se orgulhavam dos
atentados que praticavam. Um verso do Chant des Partisans
diz: “Ei, sabotador, cuidado com teu fardo: dinamite”.
Sugira que os estudantes discutam como caracterizar um grupo
como as Farc colombianas, que iniciaram sua trajetória
como uma força guerrilheira, mas atualmente têm
laços com o narcotráfico. E o PCC brasileiro,
que aparentemente fez o caminho inverso: do banditismo puro
e simples a uma guerra aberta contra o poder público,
digna de núcleo de guerrilha? Distribua cópias
do quadro abaixo, à esquerda, que traz dados sobre
a questão.
2ª
aula – Divida a classe em grupos e proponha
pesquisas sobre Estados ou instituições políticas
com poder de Estado que, ao longo da história, fizeram
uso de práticas terroristas. Uma equipe pode examinar,
por exemplo, a Inquisição ou Tribunal do Santo
Ofício, que perseguiu e condenou à morte pessoas
vistas como hereges, bruxas e outras que representavam uma
ameaça ao poder da Igreja Católica.
Outro grupo vai investigar a França revolucionária,
na qual o termo “terror” designava práticas
políticas do Estado republicano. Robespierre, um de
seus líderes, valeu-se do terror entre 1793 e 1794.
No final, ele próprio foi guilhotinado por seus opositores.
Uma terceira equipe deve estudar o terrorismo nazista contra
os judeus e certas minorias no decorrer da II Guerra Mundial,
que se estendeu de 1939 a 1945.
Finalmente, um quarto grupo realizará pesquisas sobre
o Brasil na fase do regime militar (1964–1985), quando
ocorreram torturas e violações aos direitos
humanos dos oposicionistas. Conte que Carlos Marighella, Carlos
Lamarca e outros militantes que empunharam armas contra a
ditadura viam-se como guerrilheiros, mas foram apresentados
como terroristas pelo governo e pela mídia da época.
Alguns eixos de investigação: os rebeldes recorreram
a ações terroristas? O Estado também
cometeu atos de terror contra as populações
civis? De que forma isso se deu?
3ª
aula – Oriente uma discussão sobre a
produção cultural posterior a 11 de setembro,
com base nas informações da reportagem “O
Mundo Lê, Vê e Ouve os Atentados”. Os alunos
percebem a mudança nos filmes e seriados de televisão?
Essa tendência, que é global, mas principalmente
americana, já lançou raízes no Brasil?
Por último, peça que a turma levante os argumentos
de americanos e árabes-muçulmanos quanto à
política no Oriente Médio. Lembre que os Estados
Unidos dominam militar e economicamente a região –
e, segundo a especialista entrevistada por VEJA, desenvolvem
uma política de intervenções desastrosa,
que serve “de nova motivação e justificativa
para o terrorismo islâmico”. Após identificar
as principais idéias favoráveis a cada bloco,
divida a classe em dois pólos, que terão de
defender os argumentos das correntes em confronto. A seguir,
peça que cada equipe redija um manifesto com as propostas
da vertente defendida por ele.
Ao final das atividades, todos os estudantes devem estar em
condições de perceber que o atual combate ao
terrorismo não é um conflito entre religiões
ou civilizações. Tampouco se trata de um confronto
tradicional. É, antes de tudo, uma guerra oculta e
difusa, liderada por diversos grupos pequenos, que se aliam
no plano internacional, provocando pânico e colocando
em risco a vida nas metrópoles de países desenvolvidos
e ricos. E também uma reação à
atuação das potências atuais, sob a liderança
dos Estados Unidos, que impõem seus interesses aos
países islâmicos do Oriente Médio.
| Mauricio
Duenas / AFP |
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| Guerrilheiros
das Farc em 2002: a luta financiada pelos
lucros do narcotráfico |
Bandidos,
terroristas ou guerrilheiros?
Compare as duas fotos. Uma mostra dois carros queimados
em Israel após ataque de foguetes do Hezbollah,
e a outra, um ônibus incendiado em ação
atribuída ao PCC. Pode-se equiparar os dois grupos?
O banditismo da organização paulista está
se deslocando para o terreno movediço da guerrilha
ou do terrorismo?
| Fotos:
Ferdinando Ramos/Agencia Estado e Roni Schutzer/AFP |
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Plano de aula sugerido por Ricardo Barros,
professor do Colégio Paulista e coordenador da Escola
Rodrigues Alves, ambos de São Paulo
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