| |

Edição
1972, 6 de setembro de 2006
Ciências
Humanas e suas Tecnologias - Geografia e Política
O
mundo piorou. E muito
Examine com a turma os efeitos gerados pela
desproporção da reação americana
ao terrorismo

|
|
 |

Mundo
contemporâneo


Perceber
o impacto das reações do governo
norte-americano às investidas terroristas
de 11 de setembro de 2001 |
|
|
VEJA
analisa as mudanças provocadas no mundo após
os ataques terroristas que chocaram a humanidade cinco anos
atrás. Muitos desses efeitos já eram esperados
– o clima de insegurança que se alastrou entre
a população é um exemplo. Outros, no
entanto, decorrem da resposta americana ao terror. O panorama
atual descrito pela reportagem abre espaço para você
discutir com os alunos o impacto desses acontecimentos em
nosso dia-a-dia.
Atividades
1Ù e 2ª aulas
Oriente a leitura do texto em sala de aula. Peça que
os jovens identifiquem, individualmente e por escrito, as
alterações sentidas no próprio cotidiano,
separando-as daquelas que se referem a valores e visões
de mundo. A reportagem associa os efeitos das ofensivas terroristas
a uma onda de choque. Ressalte que a imagem traduz como as
ondas se propagam e perdem força à medida que
se afastam do foco. Isso justifica seu impacto menor aqui
no Brasil. Ainda assim, elas se fizeram sentir. Verifique
se alguém vivenciou ou testemunhou fatos ligados ao
tema.
VEJA sustenta que, após o 11 de Setembro, os Estados
Unidos se assumiram como império. Que evidências
levam a tal conclusão?
A reportagem informa também que os abalos não
foram suficientes para interferir no ritmo da economia global
e compara-os com as transformações do mundo
após a queda do Muro de Berlim. Converse com a turma
sobre a nova estrutura de poder que se estabeleceu com o fim
da União Soviética, fator decisivo para os arranjos
geopolíticos que surgiram após 1989. Por que
os ataques terroristas não tiveram a mesma amplitude?
É interessante observar que a queda do Muro de Berlim,
sem reduzir a importância do evento, foi o ápice
de mudanças profundas que já vinham se estabelecendo
no bloco comunista, movidas sobretudo por motivos econômicos.
Peça que os estudantes tracem um paralelo entre o saldo
material dos atentados de 11 de setembro e a reação
do governo dos Estados Unidos. Eles devem compreender que,
se os atos terroristas não foram capazes de romper
os alicerces da economia mundial, a resposta do Tio Sam teve
resultados bem mais significativos. Seus desdobramentos, esses
sim, repercutiram (e repercutem) na vida de todos.
3ª
aula – Logo após a queda das torres
gêmeas, o lingüista e ativista político
Noam Chomsky comentou que quando o fundador da Al Qaeda, Osama
bin Laden, fala em “nossas terras” (invadidas
e ocupadas pelos infiéis), refere-se aos territórios
islamitas. Em contrapartida, o presidente George W. Bush usa
uma expressão idêntica para se reportar ao mundo
todo. Discuta esse ponto de vista. Mostre que a distinção
feita por Chomsky reflete a diferença de poder entre
os dois oponentes, mas também sinaliza a vocação
americana para a missão imperialista de impor sua ordem
ao planeta.
A mobilização mundial seria a mesma se o atentado
envolvesse a Torre Eiffel, em Paris? A invasão do Iraque,
mesmo sem o aval da Organização das Nações
Unidas, faz parte daquilo que o governo Bush denomina ataque
preventivo. Levante com a moçada os riscos que tais
poderes supranacionais podem representar para o resto da humanidade,
incluindo a potencialização do terror, o que
pode originar uma guerra sem fim. Lembre que, para tanto,
contribuem o elevado número de muçulmanos na
Europa e o crescimento do fanatismo religioso – que
já se estende a povos africanos. Na opinião
dos adolescentes, a resposta aos atos terroristas deve ser,
necessariamente, o recrudescimento das ações
bélicas e a redução das liberdades individuais?
Proponha que a turma reflita a respeito dos segmentos econômicos
que se beneficiam com a instabilidade gerada pelo medo do
terrorismo. Isso envolve não só o orçamento
para o Departamento de Defesa americano, mas também
o desenvolvimento de dispositivos de segurança nas
cidades e nas empresas.
Para finalizar, aborde as possíveis conseqüências
na América do Sul, quando governos daqui tomam partido
na disputa entre americanos e muçulmanos, como fez
o presidente da Venezuela, Hugo Chávez.

Roteiro
criado pela equipe de VEJA NA SALA DE AULA
|
|