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Edição
1912, 6 de julho de 2005
Interdisciplinar
Física, Química e Comportamento
Como
os impulsos elétricos
podem combater a tristeza
Ensine, por meio de experimentos, de que
forma as terapias de choque aliviam as dores da alma

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Depressão,
eletrodos e farmacoterapia


Construir
e aplicar conceitos das várias áreas
do conhecimento para a compreensão
de fenômenos naturais e da produção
tecnológica


Entender
o papel dos impulsos elétricos no tratamento
contra a depressão |
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Não
exagera quem diz que a depressão é uma das doenças
mais antigas da humanidade. Cerca de 2 400 anos atrás,
o grego Hipócrates, considerado o pai da medicina,
já havia detectado que a alma também fica doente.
Ele deu a esse estado de espírito o nome de melancolia.
Desde então, a depressão foi confundida erroneamente
com outros distúrbios mentais. Hoje, graças
aos diagnósticos modernos, ela é classificada
como uma doença afetiva, diferenciada e tratada com
precisão. De acordo com a seção Guia
da VEJA, nunca se investiu tanto em novos tratamentos. Combinadas
a remédios e psicoterapias, as novas investidas contra
esse mal recorrem a estimulações eletromagnéticas.
O tratamento é feito por meio de eletrodos, implantados
na pele do paciente, que conduzem pequenas correntes elétricas
no cérebro. Não há contra-indicação
e não requer o uso de anestesias. Use essa notícia
para explicar à classe o funcionamento físico
dos novos aparelhos e discutir a eficácia dos métodos.
Revele também como algumas personalidades mundiais
se referiram ao mal e ensine: por uma simples questão
biológica, ninguém está a salvo de ficar
deprimido.
Preparação
da aula
Providencie
cópias dos quadros destas páginas e distribua
para a turma. No caso das experiências, desenhe o esquema
de desenvolvimento das mesmas e escreva no quadro-negro as
fórmulas químicas mencionadas. Acesse o roteiro
indicado no final deste plano de aula com informações
sobre o funcionamento do sistema nervoso.
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Saudade,
tela de Almeida Júnior: a tristeza pode desencadear
a depressão
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Para
começo de conversa
Faça
uma pequena revisão do conceito de eletrodo. Lembre
que se trata de um condutor metálico por onde uma corrente
elétrica entra ou sai de um sistema. Ao longo do percurso,
ela oferece diversas possibilidades de aproveitamento. Acender
uma lâmpada, por exemplo, é uma das finalidades
mais conhecidas e pode ser mostrada com os experimentos
do quadro da página ao lado. Passe à leitura
de VEJA.
Para
debater
Explore
as diferenças entre os vários tipos de tratamento.
Destaque que os medicamentos realizam uma correção
bioquímica de tal forma que há um aumento dos
neurotransmissores. Isso deixa os neurorreceptores equilibrados.
Lance mão das informações publicadas
no site de VEJA NA SALA DE AULA. Ajude a garotada a perceber
que o impulso nervoso pode ser estimulado pela corrente elétrica,
com ondas despolarizadoras e repolarizadoras que se propagam
pela membrana plasmática do neurônio. Essas ondas,
deixe bem claro, percorrem um único sentido na fibra
nervosa. A despolarização e a repolarização
de um neurônio ocorrem por causa de modificações
na permeabilidade da membrana plasmática.
Exercícios
e outras atividades
Realize
as experiências do quadro ao lado e depois retome as
informações do plano de aula já mencionado
sobre neurotransmissores. Enfatize que, num primeiro instante,
abrem-se portas de passagem de sódio que permitem a
entrada de grande quantidade desses íons no neurônio.
Com isso, aumenta a quantidade relativa de carga positiva
na região interna na membrana, provocando sua despolarização.
Em seguida, são as portas de passagem de potássio
que se abrem e permitem a saída de grande quantidade
desses íons. Então, o interior da membrana volta
a ficar com excesso de cargas negativas (repolarização).
O portador da depressão geralmente possui um desequilíbrio
nesse processo. Daí os estudos atuais para recompensar
e reconstituir o equilíbrio que resulta no bem-estar
do paciente.
Para
ir mais longe
Leia
com os adolescentes as opiniões sobre depressão
externadas por quatro celebridades e reproduzidas nestas páginas.
Aponte o fato de que a doença não escolhe classe
social ou tipos específicos para se manifestar. Depois,
encarregue cada aluno de elaborar uma redação
acerca do tema, destacando os fatores socioculturais que podem
contribuir para um quadro depressivo: o desemprego, a falta
de perspectiva profissional, a violência, a perda de
um parente ou amigo querido etc.
topo
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Ser
ou não ser, eis a questão. Que é
mais nobre para o espírito: sofrer os dardos
e setas de um ultrajante destino ou tomar armas contra
um mar de calamidades e pôr-lhes fim, resistindo?
Morrer... dormir, nada mais. E com o sono terminamos
o pesar do coração e os mil naturais conflitos
que constituem a herança da carne. Que fim poderia
ser mais devotadamente desejado? Morrer, dormir, dormir...
William
Shakespeare (1564-1616) em Hamlet
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Sou
o mais miserável dos homens. Se o que sinto fosse
distribuído por igual entre os seres humanos,
não haveria face alegre na Terra. Não
sei se algum dia vou me sentir melhor, mas continuar
assim é impossível. Se nada mudar, prefiro
morrer.
Abrahan
Lincoln (1809-1865), presidente dos Estados Unidos
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Tenho
a impressão de que vou ficar louca. Ouço
vozes e não posso concentrar-me no trabalho.
Eu lutei, mas não posso continuar. Devo a vocês
toda a felicidade da vida. Vocês foram perfeitos.
Não posso continuar a estragar suas vidas.
Virginia
Woolf (1882-1941), escritora inglesa, no bilhete que
escreveu à família antes de se suicidar
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Eu vejo
uma porta vermelha e a quero pintada de preto. Tomara,
então, que eu desfaleça e não tenha
de enfrentar os fatos. Não é fácil
reagir quando seu mundo todo está negro.
Mick
Jagger, vocalista dos Rolling Stones, na canção
Paint in Black
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Eletrodos
em ação
Material necessário
Fita crepe; cinco pilhas médias; dois pedaços
de fios de cobre; uma lâmpada pequena; meio litro
de água destilada; quatro colheres de sopa de
sal
Execução
Desencape as extremidades dos fios. Ligue uma das extremidades
de cada fio aos pólos positivo e negativo da
lâmpada. Se necessário, prenda-as com fita
crepe. Associe as pilhas em série e fixe o conjunto
com fita crepe, de modo que fique estável. Em
seguida, conecte as extremidades livres aos pólos
positivo e negativo do conjunto de pilhas. Cada extremidade
ligada à lâmpada é um eletrodo.
Note que a lâmpada acende e podemos concluir que
está passando corrente pelos eletrodos. A corrente
é de baixa intensidade, por isso nos aparelhos
antidepressivos o tratamento é demorado. Os alunos
podem sentir a corrente elétrica retirando as
extremidades dos fios da lâmpada e colocando-as
na ponta da língua. Eles vão experimentar
pequenos choques.
Outro
teste que permite comprovar a passagem de corrente consiste
em retirar os eletrodos da lâmpada e colocá-los
numa solução de sal de cozinha. Ao se
fazer isso, um dos eletrodos libera um gás borbulhante
de coloração esverdeada. Do outro sai
um gás incolor e inodoro. No primeiro caso, trata-se
do cloro gasoso, presente na água sanitária.
O outro gás é o hidrogênio.
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O
site www.vejanasaladeaula.com.br oferece um plano sobre os
neurotransmissores. Procure o texto
Investigue em Detalhes Como Funciona o Sistema Nervoso,
publicado em versão exclusiva on-line no Guia do Professor,
nâ 40, de 1â de dezembro de 2004

Roteiro
elaborado por Elisabete Rosa e Maria Elisa V. S. Bombonatto,
professoras do Laboratório de Química do
Colégio Bandeirantes, em São Paulo
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