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Edição
1912, 6 de julho de 2005
Ciências
Humanas e suas Tecnologias História e Cultura
Discuta
os múltiplos aspectos
associados ao atraso do país
Mostre à turma que o nosso subdesenvolvimento
é histórico e tem raízes no processo
de colonização

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Sociedade
brasileira e seu desenvolvimento


Relacionar
informações e conhecimentos
disponíveis em situações
concretas para construir argumentação
consistente


Construir
uma compreensão mais rica a respeito
das diferenças culturais entre o Brasil
e os chamados países desenvolvidos |
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Quando
os colonos portugueses começaram a chegar ao Brasil,
traziam consigo um único tipo de machado. Em contrapartida,
desembarcava com eles, montada em seu imaginário, uma
representação completa dos privilégios
da Coroa, continuamente reforçada pela atuação
de funcionários civis e religiosos. Mais ainda, esses
imigrantes haviam viajado em navios construídos para
um empreendimento real as navegações
ultramarinas e se dedicavam, em terra firme, a ampliar
o patrimônio do monarca, finalidade básica da
colonização. Ou seja, a presença do rei
permanecia dominante.
Essas
observações servem de contraponto ao instigante
artigo O Desafio da Complexidade. Nele, Claudio
de Moura Castro enfatiza que uma sociedade capaz de lidar
com situações complexas e com a sofisticação
tecnológica tem maiores chances de desenvolvimento.
É uma afirmação pertinente, mas que não
pretende resumir as causas de nosso atraso. Macunaíma,
o anti-herói de Mário de Andrade, diagnosticava:
Pouca saúde e muita saúva, os males do
Brasil são. Será que teremos de atualizar
esse ditado, dizendo Pouca saúde, muita saúva
e um só tipo de machado, os males do Brasil são
ou algo do gênero? Discuta essas questões com
os adolescentes, com base no artigo de VEJA e neste plano
de aula. É importante perceber que o tipo de machado
trazido para cá pode ter sido único, mas as
causas do subdesenvolvimento brasileiro são múltiplas
e complexas.
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Construção
naval na Ribeira das Naus: as navegações
ultramarinas eram um projeto da Coroa portuguesa
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Para
começo de conversa
Desafie
a moçada a dizer o que pensa do atraso nacional. Sugira
que cada um escreva um parágrafo sobre o que, na própria
opinião, causou essa situação. Cite personagens
conhecidos para estimular a conversa, como Caco Antibes, do
extinto show televisivo Sai de Baixo. Mostre como essas opiniões
fazem parte do nosso dia-a-dia e que, muitas vezes sem perceber,
compramos uma versão do Brasil que expressa a crença
de estarmos eternamente condenados ao subdesenvolvimento.
Na
verdade, as teorias sobre as razões do nosso atraso
cultural e econômico diante dos países do Primeiro
Mundo fazem parte do nosso imaginário social. Elas
estão presentes desde os livros didáticos, quando
aprendemos sobre a História do Brasil, até os
programas de televisão que tentam fazer graça
explorando a situação desigual da nossa população
e do nosso país. Tornou-se quase um lugar comum dizer
que somos atrasados por esse ou aquele motivo, mas pouco se
pensa criticamente sobre as raízes culturais dessas
razões.
Procure passar para os jovens o perigo das explicações
simplistas para o atraso nacional. Esta aula vai ajudá-los
a notar que as explicações para a nossa diferença
cultural e de progresso econômico são muitas
e partem das mais variadas perspectivas.
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Biblioteca
Municipal de São Paulo
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Personagens
da elite no Brasil de dom João VI: os escravos
estão integrados ao grupo familiar
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Para
debater
Discuta
com os estudantes como a forma de colonização
do país determinou em grande parte as nossas possibilidades
de desenvolvimento, tanto sociocultural quanto econômico.
Um bom ponto de partida consiste em apresentar mapas históricos
dos séculos XVI e XVII. Qual era a situação
das principais potências européias? A turma vai
perceber que os reinos ibéricos iniciaram o projeto
dos grandes descobrimentos no século XV e no século
seguinte já dominavam impérios mundiais, enquanto
a Inglaterra e a Holanda só iniciaram sua expansão
ultramarina no século XVII.
Lembre
que a colonização do Brasil não foi realizada
por pioneiros, como ocorreu em muitas colônias inglesas
da América do Norte, mas sim por uma empreitada da
Coroa portuguesa para a produção de açúcar.
Como observa Raymundo Faoro, no livro Os Donos do Poder, aqui
o Estado precede a sociedade civil. O Brasil colônia
fazia parte do patrimônio do rei, sendo dirigido por
uma burocracia dotada de numerosos privilégios e de
uma larga dose de autonomia. Em tais condições,
a própria burguesia mercantil contava pouco e o povo
não contou nunca.
Ao
contrário, nos núcleos da Nova Inglaterra, no
nordeste dos Estados Unidos, a colonização foi
feita por grupos que fugiam da perseguição religiosa
que ocorria na metrópole e tinham, portanto, poucos
compromissos com a Coroa. Retome os mapas históricos
e aponte a complexa rede de trocas entre os países
ibéricos e suas colônias na América e
na África, envolvendo até povos asiáticos
caso do comércio de especiarias com a Índia.
Nesse mesmo período, as colônias inglesas na
América do Norte comercializavam basicamente peles
e poucos produtos manufaturados com a Europa. Explique que,
na ausência de produtos lucrativos como o açúcar,
eles se preocuparam menos em garantir a prosperidade da metrópole
e mais em estabelecer uma sociedade autônoma, burguesa
e mercantil em sua essência. Enquanto as colônias
portuguesas e espanholas enriqueciam suas cortes, tornando
esses impérios os principais atores políticos
e econômicos do século XVI e boa parte do século
XVII, a ascensão da Inglaterra se deu depois disso,
com base em uma economia mais voltada à manufatura
e ao comércio.
Explore
as análises de Gilberto Freyre sobre a sociedade escravocrata,
que contribuiu para tornar o Brasil desigual e elitista desde
sua origem. Freyre contraria a tese de Claudio de Moura Castro
de que a América Latina foi colonizada por povos tecnologicamente
atrasados. Portugal, por exemplo, dominava tecnologias de
navegação e desenho de mapas que lhe permitiram
formar um gigantesco império colonial. Freyre mostra
ainda que os escravos trazidos para cá apresentavam,
por vezes, excelente formação, em especial aqueles
originários de regiões muçulmanas. Alguns
sabiam ler e escrever árabe e tinham, possivelmente,
mais acesso aos textos da Antiguidade clássica do que
muita gente na Europa, pois lá esses escritos começavam
a ser redescobertos.
A
questão da complexidade social, discutida no artigo
de VEJA, pode render mais debates interessantes. Será
que, no Brasil, não conseguimos lidar com isso? Quando
pensamos, por exemplo, nas dificuldades que enfrentamos todos
os dias, como uma montanha de exigências burocráticas
para tirar documentos ou fazer uma simples matrícula
na escola herança da colonização
portuguesa , não detectamos um excesso de complicações
que tornam a nossa situação menos competitiva?
Ou seja, muitas vezes precisamos lidar com situações
mais complexas até do que uma pessoa de um país
desenvolvido, que pode se concentrar mais em trabalhar
e produzir.
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Biblioteca
Municipal Mário de Andrade SP/ Reprodução/
Frederic Jean
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Negros
cortando tábuas: o domínio de ferramentas
e ofícios não era privilégio dos
homens livres
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Exercícios
e outras atividades
Muitos
textos da imprensa analisam atualmente os percalços
do brasileiro para abrir uma empresa. Encomende uma pesquisa
sobre o tema em revistas, jornais e na internet. Em outros
países, as exigências burocráticas são
menores? Que dificuldades abundam aqui? Quem vive no exterior
precisa enfrentá-las? Esse fator ajuda a explicar o
nosso atraso?
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Aula
sugerida pelo antropólogo Marko Synésio A.
Monteiro, professor do Senac, de São Paulo
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