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VEJA NA SALA DE AULA
     
 


Edição 1912, 6 de julho de 2005

Ciências Humanas e suas Tecnologias – Economia

Ensine que a receita para
sobreviver é inovar sempre...

...e que as bases para isso vêm do investimento das empresas em P&D, ou pesquisa e desenvolvimento

Fotos Cláudio Melo/ Embrapa/ Divulgação e Oscar Cabral
Resultados dos centros de excelência nacionais: o primeiro animal clonado no país, pela Embrapa, e a produção de remédios que compõem o coquetel antiaids, pela Fiocruz


“Os Eleitos da Inovação”, págs. 90 a 95 de VEJA

Duas aulas de 50 minutos


Crescimento econômico e inovações tecnológicas


Construir e aplicar conceitos das várias áreas do conhecimento para a compreensão da produção tecnológica


Refletir sobre as relações entre desenvolvimento econômico-social e pesquisa científico-tecnológica

No final do século XVIII, Bartholomeu de Gusmão, um jovem padre jesuíta, concebeu e realizou ensaios com um modelo de balão a ar quente no Brasil. Pouco mais de cem anos depois, entre 1897 e 1900, outro padre, Landell de Moura, fez experimentos inéditos com radiodifusão no país. Os exemplos mostram que as inovações, aplicadas tanto ao setor produtivo quanto à resolução de problemas cotidianos, dependiam antes da iniciativa e persistência de pioneiros e obstinados. Mas a imagem do cientista que, isolado em seu laboratório, cria inventos mirabolantes fica melhor em filmes da Sessão da Tarde. Hoje, para sobreviver em um mundo competitivo e ganhar novos nichos de mercado, as empresas precisam buscar novidades e investir em pesquisa científica e tecnológica. É o que prova o texto de VEJA, que traz resultados de uma pesquisa do IBGE sobre a inovação na iniciativa privada. Para surpresa de muitos, as maiores taxas de inovação ocorreram em pequenas empresas, contra a retração nas médias e grandes. Chame os alunos para conhecer melhor essa realidade, pois em alguns anos eles vão enfrentar a disputa por postos de trabalho.

Roosevelt Cássio/ Folha Imagem
Inovação do setor privado: granada pulverizadora de inseticida projetada para combater o mosquito da dengue em locais de difícil acesso

Após a leitura da reportagem, questione a garotada sobre as relações entre empresas e pesquisa científico-tecnológica. Para crescer, o mercado precisa investir em criações? Isso é papel dos empresários ou do Estado? O que acontece, em geral, no Brasil? Que obstáculos impedem os avanços da pesquisa e o desenvolvimento de inovações?

Explique que a inovação é uma idéia fundamental no mundo capitalista. Trata-se da introdução de novas técnicas de produção, de bens originais ou de gestão da administração. As inovações têm a propriedade de gerar patamares de crescimento econômico, arrastando empresas e setores para formas inéditas de conceber e produzir bens.

Conte que as inovações tecnológicas têm papel central nesse contexto.Mas como elas surgem e se desenvolvem? Como são incorporadas pelos setores produtivos? Ensine que uma boa maneira de compreendê-las é situá-las em seus períodos históricos. Em regra, as técnicas ou tecnologias – que, diferentemente de técnicas mais simples, agregam ciência em sua elaboração – evoluíram como se fossem “famílias”, a partir de marcos fundamentais. Um deles foi a máquina a vapor, que provocou uma mudança radical nos setores produtivos da primeira fase de mecanização, já no final do século XVIII. Entre essas áreas, destaque para o têxtil, o químico de fundição e a implantação de ferrovias. Para a filósofa Hannah Arendt, são três os estágios do desenvolvimento da tecnologia pós-Revolução Industrial: o da máquina a vapor, o da eletricidade e o da automação. Hoje, como afirma o geógrafo Milton Santos, vivemos num meio técnico-científico-informacional. Nele, alguns setores de atividade despontam como “carros-chefe”: a biotecnologia (na qual o Brasil tem vantagens, face à grande biodiversidade), a microeletrônica, as tecnologias da informação e multimídias e a área químico-farmacêutica.

Devolva a questão à classe: quem faz pesquisa? Quem seriam os agentes das inovações? Como não estamos mais no tempo dos “cientistas malucos”, explique que o Estado e as empresas são os maiores responsáveis por essa tarefa, sobretudo em nações como o Brasil. Entretanto, aqui começam a aparecer os obstáculos. Quais são eles? Além das dificuldades conjunturais, como juros e carga tributária elevados, chama a atenção o fato de que apenas 20% dos gastos de pesquisa em P&D no país partem do setor privado, cabendo os demais 80% aos organismos estatais. E, ainda, enquanto o nosso gasto no setor fica na marca de 1% do PIB, em lugares como Cingapura o investimento situa-se em torno dos 2,2% do PIB. A Lei de Inovação, aprovada em 2004, pretende corrigir essa diferença e estimular a pesquisa em instituições privadas, mas ainda é cedo para avaliar seus efeitos. Ressalte o fato de que boa parte da produção científica e suas aplicações tecnológicas estão concentradas em universidades e institutos localizados no centro-sul – a Fiocruz, por exemplo –, o que gera desigualdades regionais e sociais.

Henry Yu
Robô soldador na linha de produção: indústria automobilística foi uma das que apresentaram maior índice de inovação, segundo o IBGE

Mostre também que os setores produtivos de maior crescimento e sucesso, inclusive na arena internacional, são justamente os que mais investem em pesquisa científico-tecnológica. Entre eles estão a Embrapa – considerada modelo nesse campo –, a Petrobras e a Embraer. A primeira pode ser apontada como a grande responsável pelo fato de o Brasil ser o principal produtor de bens agrícolas em área tropical no mundo. A Petrobras desenvolveu alternativas de prospecção e extração de petróleo em águas profundas que podem levar o país em breve à auto-suficiência, enquanto a Embraer é respeitada no mundo inteiro pela qualidade de suas aeronaves de pequeno e médio porte. Informe que uma pesquisa do IBGE aponta as maiores taxas de inovação, entre 2001 e 2003, nos segmentos envolvidos na fabricação de máquinas para escritório e equipamentos de informática, material eletrônico básico e veículos.

Peter Menzel/ SPL/ Stock Photos
Inovação didática: mosca-robô gigante desenvolvida para ensinar a respeito da estrutura e dos hábitos do inseto

Exercícios e outras atividades

Proponha que os estudantes se organizem em pequenos grupos para a realização de uma pesquisa sobre os setores de atividades e empresas mais bem situados no mapa das exportações brasileiras. Peça que identifiquem as principais inovações tecnológicas implementadas nesses setores e que tipos de produtos resultam desse sistema. Sugira que avaliem também as eventuais repercussões sociais dessas inovações, como a geração de empregos. Discuta os resultados e encomende uma dissertação sobre o assunto.

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Roteiro elaborado pelo geógrafo Roberto Giansanti, autor de livros didáticos

 
 
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