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Edição
1912, 6 de julho de 2005
Ciências
Humanas e suas Tecnologias Geografia e Economia
Analise
alguns pilares da nossa
atual estabilidade econômica
Explique
por que as finanças nacionais estão de pé,
apesar da turbulência política que assola Brasília

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Economia
brasileira e infra-estruturas


Relacionar
e interpretar dados e informações
para tomar decisões e enfrentar situações-problema


Compreender
o papel das infra-estruturas do território
brasileiro e sua relação com
o desenvolvimento econômico do país
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Inflação sob controle, PIB e
exportações em alta, novos recordes no agronegócio,
superávit comercial, mais independência em relação
ao FMI, abertura maior para o mercado global. Apesar da forte
crise política conjuntural, que tem feito tremer o
Palácio do Planalto e o Congresso Nacional, a economia
do país avança. Os principais indicadores macroeconômicos
mostram que prossegue a tendência de crescimento dos
últimos três anos, com resultados cada vez melhores.
É o que mostra a reportagem de VEJA, que enfoca os
principais pilares da estabilidade econômica atual.
Então, significa que a economia do Brasil vai muito
bem, obrigado? Ao contrário: a espiral de crescimento
poderia ser bem mais virtuosa se alguns obstáculos
estruturais já tivessem sido removidos. Desafie a garotada
a montar esse intrincado quebra-cabeça.
Preparação
da aula
Providencie cópias da tabela, do mapa
e do quadro apresentados no final deste plano de aula e distribua
para a turma.
Para
debater
Oriente a leitura de VEJA. Em seguida, pergunte
sobre as bases da estabilidade econômica. Quais os principais
pilares desse processo? O que eles revelam sobre a consolidação
de nossas instituições políticas e econômicas?
Quais os problemas e desafios que ainda temos pela frente?
Relembre alguns processos importantes ocorridos
nos últimos anos. As conquistas populares garantiram
a consolidação de um sistema democrático
de escolha de representantes que ainda pode, e deve,
ser melhorado com reformas políticas. Tal sistema tem
garantido eleições livres e regulares em todos
os níveis de poder no país. Alguns avanços
sociais de valor inestimável também foram alcançados,
como a aprovação do Estatuto da Criança
e do Adolescente, do Estatuto do Idoso e do novo Código
Civil. Parece haver maior consciência de governos e
população quanto aos benefícios da estabilidade
econômica, como manter a inflação sob
controle e ter moeda estável, e do controle das contas
públicas. Entre os pilares da estabilidade atual estão
aqueles que derivam do estabelecimento de novos marcos legais
na regulação da atividade econômica e
da gestão pública, como a Lei de Responsabilidade
Fiscal e as Parcerias Público-Privadas (PPPs).
Enfatize que nem tudo é um mar de rosas.
Sabe-se que o Brasil ainda é um país injusto,
com distribuição de renda perversa e um enorme
fosso social. Peça que a moçada dedique atenção
especial para dois pontos: as PPPs e as exportações
brasileiras. Quem já ouviu falar das PPPs? O que elas
têm em comum com as exportações? Quais
problemas ambas procuram enfrentar? Isso trará benefícios
ao conjunto da população? Quais?
Conte que as PPPs já vem sendo instituídas
há alguns anos em diferentes países, entre eles
Portugal, França, Reino Unido, Estados Unidos e África
do Sul. O conceito surgiu no Reino Unido, como opção
à privatização dos serviços e
bens públicos e ao financiamento pelo Estado da criação,
manutenção e operação de serviços
e infra-estruturas essenciais. A lei brasileira foi aprovada
em 2004, permitindo a abertura de espaço à iniciativa
privada para participar do financiamento de obras prioritárias.
Ela teria como finalidade principal permitir a construção,
recuperação ou reorganização de
equipamentos básicos da infra-estrutural territorial,
como rodovias, ferrovias, portos e aeroportos. Embora não
sejam prioridade neste momento no país, energia e comunicações
também jogam nesse time.
Do modo como estão postas, as PPPs
parecem legítimas e inquestionáveis. Mas é
bom examinar com atenção como elas poderão
funcionar e quais segmentos sociais podem ser os que mais
vão tirar proveito delas. Aqui, surgem as pontes
entre PPPs e o quadro das exportações nacionais,
pois as primeiras se destinam a retirar os famosos gargalos
brasileiros na circulação de bens destinados
ao mercado externo.
Conte que as estradas de ferro, que definharam
no país nas últimas décadas, buscam retomar
o vigor perdido com projetos como o da Ferrovia-Norte Sul
(veja o mapa). Ela seria um eixo de transporte de minérios,
soja e madeira do Centro-Oeste para os portos de Belém
ou Itaqui (MA). No sentido contrário, circulariam pela
ferrovia combustíveis, fertilizantes e carga em geral.
Outros projetos ferroviários, como o Ferroanel de São
Paulo e novos ramais no Paraná, teriam o objetivo de
otimizar a exportação, respectivamente, pelos
portos de Santos e Paranaguá. Dos treze novos projetos
de ferrovias, apenas duas transportariam passageiros. Planeja-se
ainda a recuperação ou duplicação
de rodovias importantes para a exportação, como
a BR-101 e a BR-116. A idéia é também
otimizar a logística nos eixos de exportação,
melhorando estruturas de apoio como galpões de armazenagem
e distribuição de mercadorias.
Quais são as polêmicas e controvérsias
em torno de projetos como esses? Ensine que, em primeiro lugar,
há dúvidas no modo como serão contratadas
as empresas para participar dos projetos. Teme-se pelo tráfico
de influências ou o surgimento de nova ciranda de corrupção.
Além disso, são programas de
custo elevado e que resultarão em implantes territoriais
definitivos. Desta forma, está em questão quem
serão os beneficiados pelas novas redes. Entre eles
estariam os grandes produtores agrícolas e corporações
empresariais, como mineradoras e madeireiras. Portanto, configura
um uso corporativo do território e suas redes de circulação.
Um fim de linha bem conhecido é o gado europeu, alimentado
com o farelo de soja levado daqui. Além desse tipo
de uso, chama a atenção a nova concentração
das infra-estruturas no Centro-Sul do país. Em contrapartida,
milhares de comunidades do interior da Amazônia e do
Sertão Nordestino permanecem sem luz elétrica,
estradas, transportes dignos ou redes de saneamento básico.
Exercícios
e outras atividades
Proponha que os estudantes examinem o quadro,
a tabela e o mapa abaixo. Peça que identifiquem os
principais projetos de infra-estrutura territorial e suas
finalidades. A seguir, eles devem relacionar esses projetos
com as principais áreas produtoras e corredores de
exportação. Então, proponha uma rápida
pesquisa nos dados do Censo 2000 do IBGE sobre a distribuição
das redes de transporte e energia nas regiões e estados
brasileiros. De posse dessas informações, encomende
dissertação sobre a relação custo-benefício
dos novos projetos de melhoria das infra-estruturas territoriais
no Brasil.
| Mapa
- Ferrovia Norte-Sul |
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topo
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Nossos
primeiros PPPs
A integração a um corredor
logístico de exportação é
um dos critérios-chave para seleção
dos primeiros projetos candidatos à modalidade
de PPP.
|
CORREDORES
LOGÍSTICOS
|
PORTOS DE
DESTINO
|
PROJETOS
ESTRUTURANTES
|
| Centro-Norte |
Itaqui |
Construção
da Ferrovia Norte-Sul |
| São
Francisco |
Aratu e Salvador |
Duplicação
de trecho da BR-116 (Bahia-Minas). Irrigação:
Pontal, Salitre, Jaíba e Baixio de Irecê |
| Sudeste |
Sepetiba e Santos |
Arco
Rodoviário do Rio de Janeiro. Ferroanel de
São Paulo |
| Sul |
Paranaguá |
Variante
Ferroviária Ipiranga-Guarapuava |
Fonte:
Ministério do Planejamento |
topo
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Saldo
positivo
Após seis anos de déficit
comercial, a balança comercial brasileira inverte
a tendência e passa a registrar saldos positivos.
O resultado de 2004 foi um recorde, com pouco mais de
33 bilhões de dólares. Contribuíram
para isso a elevação do preço das
commodities (como soja e minério de ferro), a
recuperação da Argentina e a retomada
da economia dos Estados Unidos. O Brasil consegue também
conquistar novos mercados, como os da China, Índia,
Rússia e países do Oriente Médio.
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Principais
produtos de Exportação
(em bilhões de dólares)
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| Produto |
2001
|
2002
|
2003
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| Soja |
2,7
|
3,0
|
4,3
|
| Minério
de ferro |
2,9
|
3,0
|
3,5
|
| Automóveis |
2,0
|
2,0
|
2,7
|
| Farelo
e resíduos do óleo de soja |
2,1
|
2,2
|
2,6
|
| Aviões |
2,8
|
2,3
|
1,9
|
Fonte:
Secretaria de Comércio Exterior |
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Roteiro
criado por Roberto Giansanti, autor de livros didáticos
de Geografia
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