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VEJA NA SALA DE AULA
     
 


Edição 1912, 6 de julho de 2005

Ciências Humanas e suas Tecnologias – Geografia e Economia

Analise alguns pilares da nossa
atual estabilidade econômica

Explique por que as finanças nacionais estão de pé, apesar da turbulência política que assola Brasília


“O Paradoxo Brasileiro”, págs. 74 a 80 de VEJA


Duas aulas de 50 minutos


Economia brasileira e infra-estruturas


Relacionar e interpretar dados e informações para tomar decisões e enfrentar situações-problema


Compreender o papel das infra-estruturas do território brasileiro e sua relação com o desenvolvimento econômico do país

Inflação sob controle, PIB e exportações em alta, novos recordes no agronegócio, superávit comercial, mais independência em relação ao FMI, abertura maior para o mercado global. Apesar da forte crise política conjuntural, que tem feito tremer o Palácio do Planalto e o Congresso Nacional, a economia do país avança. Os principais indicadores macroeconômicos mostram que prossegue a tendência de crescimento dos últimos três anos, com resultados cada vez melhores. É o que mostra a reportagem de VEJA, que enfoca os principais pilares da estabilidade econômica atual. Então, significa que a economia do Brasil vai “muito bem, obrigado”? Ao contrário: a espiral de crescimento poderia ser bem mais virtuosa se alguns obstáculos estruturais já tivessem sido removidos. Desafie a garotada a montar esse intrincado quebra-cabeça.

Preparação da aula

Providencie cópias da tabela, do mapa e do quadro apresentados no final deste plano de aula e distribua para a turma.

Para debater

Oriente a leitura de VEJA. Em seguida, pergunte sobre as bases da estabilidade econômica. Quais os principais pilares desse processo? O que eles revelam sobre a consolidação de nossas instituições políticas e econômicas? Quais os problemas e desafios que ainda temos pela frente?

Relembre alguns processos importantes ocorridos nos últimos anos. As conquistas populares garantiram a consolidação de um sistema democrático de escolha de representantes – que ainda pode, e deve, ser melhorado com reformas políticas. Tal sistema tem garantido eleições livres e regulares em todos os níveis de poder no país. Alguns avanços sociais de valor inestimável também foram alcançados, como a aprovação do Estatuto da Criança e do Adolescente, do Estatuto do Idoso e do novo Código Civil. Parece haver maior consciência de governos e população quanto aos benefícios da estabilidade econômica, como manter a inflação sob controle e ter moeda estável, e do controle das contas públicas. Entre os pilares da estabilidade atual estão aqueles que derivam do estabelecimento de novos marcos legais na regulação da atividade econômica e da gestão pública, como a Lei de Responsabilidade Fiscal e as Parcerias Público-Privadas (PPPs).

Enfatize que nem tudo é um mar de rosas. Sabe-se que o Brasil ainda é um país injusto, com distribuição de renda perversa e um enorme fosso social. Peça que a moçada dedique atenção especial para dois pontos: as PPPs e as exportações brasileiras. Quem já ouviu falar das PPPs? O que elas têm em comum com as exportações? Quais problemas ambas procuram enfrentar? Isso trará benefícios ao conjunto da população? Quais?

Conte que as PPPs já vem sendo instituídas há alguns anos em diferentes países, entre eles Portugal, França, Reino Unido, Estados Unidos e África do Sul. O conceito surgiu no Reino Unido, como opção à privatização dos serviços e bens públicos e ao financiamento pelo Estado da criação, manutenção e operação de serviços e infra-estruturas essenciais. A lei brasileira foi aprovada em 2004, permitindo a abertura de espaço à iniciativa privada para participar do financiamento de obras prioritárias. Ela teria como finalidade principal permitir a construção, recuperação ou reorganização de equipamentos básicos da infra-estrutural territorial, como rodovias, ferrovias, portos e aeroportos. Embora não sejam prioridade neste momento no país, energia e comunicações também jogam nesse time.

Do modo como estão postas, as PPPs parecem legítimas e inquestionáveis. Mas é bom examinar com atenção como elas poderão funcionar e quais segmentos sociais podem ser os que mais vão tirar proveito delas. Aqui, surgem as “pontes” entre PPPs e o quadro das exportações nacionais, pois as primeiras se destinam a retirar os famosos gargalos brasileiros na circulação de bens destinados ao mercado externo.

Conte que as estradas de ferro, que definharam no país nas últimas décadas, buscam retomar o vigor perdido com projetos como o da Ferrovia-Norte Sul (veja o mapa). Ela seria um eixo de transporte de minérios, soja e madeira do Centro-Oeste para os portos de Belém ou Itaqui (MA). No sentido contrário, circulariam pela ferrovia combustíveis, fertilizantes e carga em geral. Outros projetos ferroviários, como o Ferroanel de São Paulo e novos ramais no Paraná, teriam o objetivo de otimizar a exportação, respectivamente, pelos portos de Santos e Paranaguá. Dos treze novos projetos de ferrovias, apenas duas transportariam passageiros. Planeja-se ainda a recuperação ou duplicação de rodovias importantes para a exportação, como a BR-101 e a BR-116. A idéia é também otimizar a logística nos eixos de exportação, melhorando estruturas de apoio como galpões de armazenagem e distribuição de mercadorias.

Quais são as polêmicas e controvérsias em torno de projetos como esses? Ensine que, em primeiro lugar, há dúvidas no modo como serão contratadas as empresas para participar dos projetos. Teme-se pelo tráfico de influências ou o surgimento de nova ciranda de corrupção.

Além disso, são programas de custo elevado e que resultarão em implantes territoriais definitivos. Desta forma, está em questão quem serão os beneficiados pelas novas redes. Entre eles estariam os grandes produtores agrícolas e corporações empresariais, como mineradoras e madeireiras. Portanto, configura um uso corporativo do território e suas redes de circulação. Um fim de linha bem conhecido é o gado europeu, alimentado com o farelo de soja levado daqui. Além desse tipo de uso, chama a atenção a nova concentração das infra-estruturas no Centro-Sul do país. Em contrapartida, milhares de comunidades do interior da Amazônia e do Sertão Nordestino permanecem sem luz elétrica, estradas, transportes dignos ou redes de saneamento básico.

Exercícios e outras atividades

Proponha que os estudantes examinem o quadro, a tabela e o mapa abaixo. Peça que identifiquem os principais projetos de infra-estrutura territorial e suas finalidades. A seguir, eles devem relacionar esses projetos com as principais áreas produtoras e corredores de exportação. Então, proponha uma rápida pesquisa nos dados do Censo 2000 do IBGE sobre a distribuição das redes de transporte e energia nas regiões e estados brasileiros. De posse dessas informações, encomende dissertação sobre a relação custo-benefício dos novos projetos de melhoria das infra-estruturas territoriais no Brasil.

Mapa - Ferrovia Norte-Sul

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Para saber mais

Nossos primeiros PPPs

A integração a um corredor logístico de exportação é um dos critérios-chave para seleção dos primeiros projetos candidatos à modalidade de PPP.

CORREDORES LOGÍSTICOS
PORTOS DE DESTINO
PROJETOS
ESTRUTURANTES
Centro-Norte Itaqui Construção da Ferrovia Norte-Sul
São Francisco Aratu e Salvador Duplicação de trecho da BR-116 (Bahia-Minas). Irrigação: Pontal, Salitre, Jaíba e Baixio de Irecê
Sudeste Sepetiba e Santos Arco Rodoviário do Rio de Janeiro. Ferroanel de São Paulo
Sul Paranaguá Variante Ferroviária Ipiranga-Guarapuava
Fonte: Ministério do Planejamento

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Para saber mais

Saldo positivo

Após seis anos de déficit comercial, a balança comercial brasileira inverte a tendência e passa a registrar saldos positivos. O resultado de 2004 foi um recorde, com pouco mais de 33 bilhões de dólares. Contribuíram para isso a elevação do preço das commodities (como soja e minério de ferro), a recuperação da Argentina e a retomada da economia dos Estados Unidos. O Brasil consegue também conquistar novos mercados, como os da China, Índia, Rússia e países do Oriente Médio.


Principais produtos de Exportação
(em bilhões de dólares)
Produto
2001
2002
2003
Soja
2,7
3,0
4,3
Minério de ferro
2,9
3,0
3,5
Automóveis
2,0
2,0
2,7
Farelo e resíduos do óleo de soja
2,1
2,2
2,6
Aviões
2,8
2,3
1,9

Fonte: Secretaria de Comércio Exterior

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Roteiro criado por Roberto Giansanti, autor de livros didáticos de Geografia

 
 
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