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Edição 2011, 6 de junho de 2007

Interdisciplinar - Ética, História Geografia e Biologia

Nem preto, nem branco

Mostre à garotada por que não há sentido em classificar o ser humano em raças


Eles São Gêmeos Idênticos, Mas, Segundo a UnB, Este É Branco e Este É Negrol

Duas aulas de 50 minutos


Sistema de cotas nas universidades brasileiras


Discutir a subjetividade e a propriedade envolvidas na política de cotas raciais

Em torno do equívoco na classificação do vestibular da UnB, em que dois gêmeos univitelinos receberam classificação racial diferente, VEJA discute a impropriedade da política de cotas. Dois aspectos sobressaem: a impossibilidade de estabelecer critérios objetivos e o perigo de querer apagar o fogo da discriminação com o combustível de leis separatistas. O tema, polêmico, envolve questões de diferentes áreas, que vão da História à Biologia. Chame a moçada para o debate.


Atividades

1ª e 2ª aulas - Apresente aos estudantes a seguinte situação: A prefeitura do município pretende desenvolver um programa cultural e esportivo destinado à juventude de uma determinada favela da comunidade. Para tanto, está planejando a criação de escolas de futebol, basquete, vôlei, dança e teatro. Pergunte, então, que critérios eles consideram importantes para selecionar os participantes de cada atividade, uma vez que não há vagas para todos. Anote os comentários e as sugestões. Alguém disse que um programa que não envolva cada jovem da favela vai criar problemas? Pergunte se faz sentido ue na escola de basquete, por exemplo, exija que 50% dos integrantes tenham estatura abaixo da média. A seleção é justa? Existem parâmetros objetivos para realizá-la? Analise, nesse caso, os prós e contras da inclusão: por um lado, os "baixinhos" também teriam oportunidade de aprender a jogar - e entre eles, é sabido, já se revelaram grandes craques; por outro, a obrigatoriedade dos 50% deixaria de fora muitos talentos. Como não se trata de preparar indivíduos para disputas importantes, os casos de exclusão talvez não dêem margem a grandes conflitos, mas podem despertar sentimentos de revolta. Investigue algumas das possibilidades, como uma eventual animosidade dos "altos" excluídos contra os "pequenos" privilegiados. Enfatize que o critério para a escolha é objetivo, pois baseia-se na estatura, facilmente mensurável. Porém, se faz justiça de um lado, de outro cria uma divisão artificial dentro da comunidade. E se, em vez de estatura, o critério for a cor da pele? Há condições objetivas para uma avaliação? Ouça as opiniões e passe à leitura da reportagem.

Conte que a UnB foi a primeira universidade federal a adotar o regime de cotas para o exame vestibular, reservando 20% de suas vagas a alunos considerados negros. Em última instância, a avaliação é feita pelo exame de fotos dos vestibulandos. Indague a respeito da objetividade desse procedimento. Destaque o papel da genética na alteração de todos os conceitos que a sociedade tinha a respeito de raça até a segunda metade do século XX. Aponte os quadros de VEJA que evidenciam características fenotípicas ao lado de índices de origem genética. Presumindo que a política de cotas seja justa, que parâmetros são razoáveis para atendê-la: fenotípicos ou genotípicos? De acordo com o exposto na reportagem, é possível estabelecer critérios objetivos para a concessão de cotas?

Peça que os estudantes expliquem o ponto de vista da antropóloga Yvonne Maggie ao afirmar que a lei de cotas e o Estatuto da Igualdade Racial atropelam a Constituição. Por que, na visão dela, tais iniciativas tratam negros e brancos de forma desigual? A turma acha que bastam leis para combater a discriminação? Em que casos elas são necessárias? É importante que os alunos percebam o vínculo entre as leis que concedem benefícios, seja à minorias ou não, e o surgimento de separatismos quando passam a vigorar.

O texto menciona dois desastres das tentativas de classificação racial: o anti-semitismo alemão na II Guerra Mundial e o apartheid sul-africano. Retome a leitura para rever os efeitos desses episódios extremos.

Explique que tanto os defensores da política de cotas quanto seus detratores procuram combater o racismo, mas buscam tal objetivo com estratégias distintas. Qual é a correta? Pode ser difícil avaliar, mas fica muito claro que a adoção do sistema de cotas almeja a justa inclusão partindo de uma premissa separatista.

Roteiro criado pela equipe de VEJA NA SALA DE AULA


 
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