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Edição
1925, 5 de outubro de 2005
Ética
e Cidadania
Debata
a ostentação que vem
de berço. O que há por trás dela?
Pergunte se pagar 890 reais por um irresistível
casaquinho é uma atitude meramente extravagante
ou pura frivolidade
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Jardim
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Adolescentes
e adultos seduzidos por roupas de grife não são
novidade há tempos. O fenômeno sintoma
do consumismo desenfreado que assola a sociedade ocidental
contemporânea leva muita gente a desembolsar
altas cifras para adquirir produtos de qualidade às
vezes duvidosa para satisfazer o desejo de exibir uma etiqueta
que denota status. A reportagem de VEJA, no entanto, enfoca
um público inusitado ostentando marcas como Dior, Burberry,
Cacharel e Dolce&Gabbana. Provavelmente os bebês
mostrados nas fotos da revista ainda balbuciam gu-gu e gá-gá.
Mas, entre uma e outra troca de fraldas, vestem Gucci e Gap.
Convide a garotada a refletir sobre essa faceta inédita
(e cara!) da elegância infantil.
Após
a leitura de VEJA pelos alunos
Com
a ajuda do professor de Biologia e a participação
dos estudantes, crie um gráfico sobre o crescimento
médio das crianças nos dois primeiros anos de
vida, levando em consideração o peso e a altura.
Com base nesses dados, peça que a turma pense a respeito
da vida útil das roupas de nenê. Quanto tempo
um macacão sobrevive até ficar curto demais?
E o que dizer de uma camiseta para recém-nascidos?
Segundo os adolescentes, que preços parecem razoáveis
para casacos, sapatos, saias e calças de tamanho minúsculo?
Para
debater
Depois
de a classe tomar conhecimento do texto, examine a intenção
de VEJA ao publicar tal conteúdo. Sabendo que a revista
atinge leitores de todas as classes sociais, a matéria
pode ser considerada mera mensagem elitista ou também
soa como provocação? Nesse caso, quem é
o alvo? A moçada consegue destacar trechos da reportagem
em que há juízo de valor? Destaque o fato de
que VEJA não endossa o dispêndio de centenas
de reais em trajes pueris e refere-se com ironia à
genética de quem desativa as áreas do
cérebro responsáveis por decisões financeiras
racionais.
Como
a turma interpreta o uso de mercadorias de grife desde a tenra
idade? É sinal de bom gosto ou exibicionismo gratuito
promovido pelos pais, diga-se? Que tipo de comportamento
podemos esperar dos petizes que crescem rodeados de tais mimos?
Eles vão se contentar com uma indumentária frugal
quando alcançarem a puberdade? Ser rico deve ser sinônimo
de consumir coisas caras? Há inteligência nessa
postura? O que revela a ostentação desmedida:
poder ou futilidade?
Provoque.
Será que as questões discutidas nesta aula já
não passaram pela cabeça dos consumidores classe
A, a quem teoricamente se destina a luxuosa indumentária
anunciada por VEJA? A conclusão inevitável não
é de que tais bens são descartáveis e
os preços, exagerados? Então por que o mercado
de roupinhas de criança cresce em ritmo acelerado,
como informa a reportagem? É um sinal da malfadada
concentração de renda? Isso significa que o
consumismo acossa apenas os endinheirados? Mencione as pessoas
das classes C, D e E que compram roupas falsificadas em barracas
de camelôs. O que as motiva? Não é justamente
a pretensa grife que as mercadorias piratas trazem? Como combater
o problema? Com a palavra, os alunos.

Roteiro
criado pela equipe de VEJA NA SALA DE AULA
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