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VEJA NA SALA DE AULA
     
 


Edição 1925, 5 de outubro de 2005

Ciências da Natureza, Matemática e suas Tecnologias – Biologia

Diagnostique com a classe a
síndrome dos prédios doentes

Analise os problemas de saúde relacionados à falta de manutenção dos sistemas de condicionamento de ar

Divulgação
Aquilo que ninguém vê: sujeira no interior de uma tubulação de ar-condicionado


“O Inimigo Está no Ar”, pág. 100 de VEJA

Três aulas de 50 minutos


Poluição e purificação do ar; saúde


Selecionar e interpretar dados representados de diferentes formas para tomar decisões e enfrentar situações-problema


Conhecer especificidades dos poluentes atmosféricos e os mecanismos fisiológicos envolvidos nos seus efeitos sobre a saúde humana

O que é melhor, a poluição atmosférica das ruas ou aquela existente nos prédios? Esse dilema é relativamente novo. Há bem pouco tempo, ninguém se dava conta de que a qualidade do ar inalado no interior dos prédios fosse tão ruim, mas os sinais começam a aparecer. VEJA revela que numa pesquisa entre executivos a principal queixa é alergia respiratória. A causa: na maioria dos edifícios de escritórios, o ambiente é fechado e o ar circula impulsionado por um sistema de condicionamento, muitas vezes sem passar por purificação eficiente. Examine com os estudantes os tipos de poluentes que circulam nesses recintos e os problemas de saúde provocados. O tema remete ainda ao estudo do funcionamento de algumas defesas do nosso corpo e de um transtorno do sistema imune – a alergia.

 

Após a leitura de VEJA pelos alunos

Exponha de forma detalhada os distúrbios de saúde relacionados ao universo dos prédios fechados e com manutenção inadequada. Indique alguns dos sintomas da síndrome citada na reportagem – dor de cabeça, irritação dos olhos, da garganta, das narinas e da pele, tosse, tonturas, náuseas e fadiga –, que tendem a regredir depois que o ocupante sai do ambiente. As causas específicas do problema (assim como os sintomas mais importantes) não são claramente conhecidas. Pergunte se alguém já sentiu isso depois de passar muitas horas dentro de um shopping center.

Andrew Syred/SPL/Stock Photos
Amostra de poeira doméstica: a micrografia eletrônica revela a presença de fios de cabelo, fibras diversas e do ácaro. Uma cama pode conter cerca de dois milhões desses aracnídeos

 

Para debater

Organize a classe em equipes e peça que enumerem todos os possíveis poluentes internos, classificando-os em:

  • Solventes;
  • Compostos orgânicos voláteis (adesivos, carpetes, madeira manufaturada, máquinas fotocopiadoras, mobiliário, produtos de limpeza e pesticidas);
  • Tintas;
  • Fumaça de cigarro;
  • Produtos derivados da combustão (monóxido de carbono e dióxido de nitrogênio) dos fogões, dos aquecedores e das lareiras;
  • Material particulado contendo poeira, ácaros, fezes de ácaros e fungos;
  • Fezes e restos de animais que eventualmente ocupam dutos do sistema de ar-condicionado; e
  • Microorganismos causadores de doenças no sistema respiratório (eliminados por indivíduos doentes dentro do edifício).

Lembre que vários fatores ocorrem para a poluição interna. Ela pode ser provocada por agentes químicos externos ao prédio (isso depende da localização) ou internos, além de vírus, bactérias, pólen, fungos e ácaros, que entram no sistema de condicionamento e distribuição de ar. Níveis inadequados de umidade (tanto pelo excesso quanto pela falta) devem ser computados. Acrescente ainda o problema de ventilação imprópria – baixa taxa de renovação do ar por ocupante e distribuição malfeita. Água estagnada e sujeira nos dutos ainda são responsáveis pela contaminação do ar. Use o quadro abaixo para explicar como é realizada a purificação do ambiente pelo sistema de condicionamento de ar.

Debata com a moçada os fundamentos biológicos desses problemas de saúde gerados pela poluição interna. Não se pode esquecer, porém, que a ocorrência de tais enfermidades está relacionada também ao sistema de proteção do corpo, manifestada em três linhas de defesa. A primeira delas é a barreira superficial – a pele e as mucosas, cujas secreções diminuem as chances de penetração de microorganismos. A segunda linha de defesa entra em ação quando os microorganismos ultrapassam a barreira superficial. É reação não específica, como a inflamação, capaz de prevenir muitas doenças. Finalmente, a terceira linha fica a cargo de uma série de proteínas que auxiliam todo o processo de reação inespecífica. Então, pergunte que sintomas da síndrome do prédio doente estão no universo das reações inespecíficas.

Investigue em seguida a relação das alergias respiratórias com tal síndrome. Mostre que em pessoas com o sistema imune hipersensível ocorrem reações de reconhecimento a determinadas substâncias. A maior parte delas está nos edifícios doentes. O sistema imune reage aos alérgenos, produzindo um anticorpo chamado imunoglobulina E. Existem diversos tipos desse anticorpo, específicos para cada alérgeno. Uma vez produzido, ele se fixa nas células de defesa chamadas mastócitos e basófilos e volta a manifestar-se toda vez que o indivíduo tem contato com o alérgeno, disparando nas células a secreção que causa a reação alérgica. Portanto, vale a pena reforçar a noção de que existe um processo de sensibilização antes da manifestação da alergia.

Etapas da purificação do ar

Nos ambientes fechados dotados de sistemas de condicionamento do ar, a purificação é realizada antes do tratamento térmico. Filtros diferentes são usados para essa função, cada um capaz de reter partículas de determinado tamanho

 

Exercícios e outras atividades

Proponha a realização de um exame do ambiente escolar. Os alunos devem procurar identificar possíveis poluentes ou situações favoráveis a que eles se dispersem. A atividade pode ser precedida de planejamento e elaboração de um protocolo, do qual devem constar fotografias, vídeos, entrevistas e até coleta de material para análise, dependendo dos recursos disponíveis.

Envolva o professor de Química no projeto para ajudar na identificação de materiais coletados por meio de algumas reações simples de laboratório. A pesquisa de poluentes biológicos exige o emprego de equipamento mais sofisticado. Se o orçamento permitir, adquira kits de identificação de microorganismos. Sugira a elaboração de um relatório com os dados levantados.

Essa ação estimula o engajamento da garotada nas questões ligadas ao espaço escolar – e de seu entorno, por que não? – e representa um exercício de cidadania, considerando os efeitos positivos na prevenção de problemas de saúde na comunidade.

 


Aula desenvolvida por Ricardo Vieira dos Santos Paiva, professor de Biologia do Colégio Santa Cruz, de São Paulo

 
 
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