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Edição 2021, 5 de setembro de 2007

Ciências da Natureza, Matemática e suas Tecnologias - Física

Ao sabor do vento

Explique à garotada por que as aventuras marítimas, a despeito das novas tecnologias, continuam perigosas


O Desafio Ainda Existe


Duas aulas de 50 minutos


Meteorologia e fluidodinâmica


Examinar a evolução dos recursos que permitem avaliar as condições atmosféricas

Aventurar-se em viagens marítimas a bordo de um catamarã e sem equipe de apoio é um risco que só pode ser corrido graças ao aparato tecnológico hoje disponível, comenta o texto de VEJA. Merece destaque a possibilidade de acesso a boletins periódicos que alertam sobre a aproximação de tempestades com quatro dias de antecedência. O assunto é propício para envolver a moçada numa discussão acerca do ainda pouco conhecido mundo da meteorologia.


EPA / AFP
A jangada Kon-Tiki, que cruzou o Pacífico em 1947: recursos da ciência ainda são insuficientes para eliminar os riscos
de uma viagem assim


Atividades

1ª e 2ª aulas - Leia a reportagem com a turma, ressaltando os riscos da viagem planejada pelo velejador paulista Roberto Pandiani e os recursos de que ele dispõe. Conte que até a década de 1950, a meteorologia era tão inexata que mesmo as previsões mais técnicas dependiam quase integralmente da habilidade dos pesquisadores em realizar as medições necessárias (de temperatura, pressão etc.) e fazer cálculos, interpolações e projeções com base nos dados coletados. Uma evidência da imprecisão - e da importância desse fato - ocorreu durante a II Guerra Mundial, quando as divergências nos boletins dos meteorologistas alemães e americanos a respeito das condições de tempo e clima na Normandia, no dia D, favoreceram as tropas aliadas no desembarque em solo francês.

No pós-guerra, a meteorologia passou a contar com as novas tecnologias de computação. Outra revolução nesse campo deu-se com a expansão das comunicações nos anos 1990, em conseqüência da profusão de satélites artificiais em torno da Terra e de um número gigantesco de informações colhidas simultaneamente e em pontos distintos. Ainda assim, nunca se pode perder de vista a noção de que, em ciência, a certeza não existe. Os modelos meteorológicos mais sofisticados usam conceitos da fluidodinâmica tradicional, além das teorias das catástrofes, dos fractais e do caos. Trabalha-se com o objetivo de diminuir os desvios - mas eles sempre estão presentes. Então, apesar dos satélites e supercomputadores com internet e GPS, cruzar as águas do Pacífico sul num singelo catamarã tornou-se apenas um pouco menos arriscado do que foi a viagem do antropólogo norueguês Thor Heyerdahl a bordo da frágil jangada Kon-Tiki, em 1947.

Saliente a complexidade das condições climáticas, particularmente sobre os mares, onde as trocas de calor e umidade entre a água e o ar são intensas. Fale também que os deslocamentos das massas de águas oceânicas ainda são pouco conhecidos, mesmo na superfície e, principalmente, nas regiões abissais.

Essas reflexões sobre a origem e o célere desenvolvimento da meteorologia nas últimas cinco décadas devem servir de mote para abordar temas mais técnicos e operacionalizações da fuidodinâmica. Por exemplo, a equação de Bernouilli e o número de Reynolds, com o qual se pode distinguir um fluxo laminar (total inferior a 2000) e turbulento (superior a 4000) - além de fluxo de transição (entre 2000 e 4000). Assinale que situações de fluxo laminar, na natureza, são raríssimas. Os rios, os oceanos, a atmosfera, mais o sangue e a linfa em nossos corpos deslocam-se geralmente sob altíssimos números de Reynolds.

Se tiver chance, mencione a aplicação da equação de Poiseuille num modelo bem simples, o fluxo sanguíneo, para evidenciar a dependência da taxa de escoamento do líquido à quarta potência do raio da artéria. Assim, uma redução do calibre do vaso à metade significa dividir por 16 a taxa de escoamento, exigindo, então, um esforço muito maior do coração para manter o fluxo sanguíneo adequado.

 

Atividades sugeridas por Renato da Silva Oliveira, professor de Física e coordenador do planetário móvel AsterDomus, de São Paulo


 
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