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Edição
2021, 5 de setembro de 2007
Ciências
Humanas e suas Tecnologias - História e Política
Massacre
na Sibéria
Examine com seus alunos a trajetória da dinastia Romanov
90 anos depois da Revolução Russa

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Czarismo,
dinastia Romanov e Revolução
Russa


Analisar
aspectos da história da Rússia
na época da revolução
socialista |
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A
reportagem sobre a descoberta dos restos mortais de Alexei
e Maria Romanov, filhos do último czar, informa que
a família imperial foi canonizada no ano 2000 pela
Igreja Ortodoxa Russa. No momento em que Nicolau II foi proclamado
santo, as centenas de vítimas do Domingo Sangrento
de 22 de janeiro de 1905 - o massacre de uma manifestação
pacífica pelas tropas do governo em São Petersburgo,
diante do palácio imperial - devem ter se revirado
no túmulo. Afinal, que imagem do derradeiro monarca
da Rússia ficará para a história? A de
um mártir da religião ortodoxa, vítima
inocente do bolchevismo? A de “Nicolau, o Sangrento”,
como o chefe de estado passou a ser chamado depois da carnificina
que serviu de estopim à Revolução de
1905? A do governante fraco, que se deixava manobrar pela
czarina e pelo monge devasso Rasputin e guiou seus exércitos
à derrota na I Guerra Mundial? Qualquer que seja a
resposta, o texto serve de fio condutor para examinar com
seus alunos o que ocorreu nos domínios de Nicolau II
há exatos 90 anos, durante as mobilizações
populares que derrubaram o absolutismo e acabaram por entregar
o poder aos sovietes.
| Hulton-Deutsch
Collection / Corbis / Latinstock |
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EMINÊNCIA
BÊBADA
Um monge no poder: até o seu assassinato,
em 1916, Rasputin controlou totalmente a czarina |
Atividades
1ª
aula - Forneça algumas informações
sobre Nicolau II, da dinastia Romanov - linhagem que governou
a Rússia entre 1613 e 1917. Conte que o czar era oficialmente
designado como Imperador e Autocrata de Todas as Rússias:
um soberano absolutista à frente de um estado que não
dispunha de Constituição ou Parlamento. Assim,
não é de estranhar que o benzedeiro Rasputin,
um monge beberrão, devasso e semi-analfabeto, tenha
se tornado, de 1905 até 1916, o primeiro-ministro informal
do imenso Império Russo. Proponha uma rápida
busca de dados sobre esse personagem que parece saído
das páginas de Dostoievski, supostamente dotado do
poder de interromper os sangramentos que, de tempos em tempos,
levavam à beira da morte o príncipe herdeiro
Alexei, portador de hemofilia.
A revista indaga sobre a responsabilidade do último
czar "na criação do caos político
e social que culminou com a ditadura comunista". Oriente
pesquisas com esse foco.
Lembre que a guerra russo-japonesa, perdida pelo exército
czarista, a rebelião dos marinheiros do encouraçado
Potemkin e, em especial, o Domingo Sangrento desencadearam
a Revolução de 1905. Desde esse tempo, o rancor
popular estava contra o czar e a czarina Alexandra, "a
alemã", defensora incondicional de Rasputin na
corte - e tida como uma de suas muitas amantes. Em 1914, Nicolau
envolveu os russos na I Guerra, na qual só acumularam
derrotas. Sua iniciativa de assumir pessoalmente o comando
das tropas revelou-se desastrosa não apenas no campo
de batalha, mas também para a sobrevivência da
dinastia: a guerra impopular e malconduzida foi uma das causas
dos movimentos revolucionários de 1917.
VEJA dá conta de que a ordem de execução
da família imperial veio quando o Exército Branco
se aproximava de Ekaterinburgo, na Sibéria, onde os
Romanov estavam presos. Vale a pena estudar os desdobramentos
da guerra civil na Rússia, que, em 1918 e 1919, opôs
Brancos e Vermelhos e ameaçou derrubar o governo de
Lenin. Explique que a cidade caiu em poder dos soldados anti-soviéticos
em 26 de julho de 1918, nove dias após a execução
de Nicolau, Alexandra e seus filhos. O conflito só
terminaria em 1922.
| Divulgação |
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| Everett
Collection / Keystone |
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| Divulgação |
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CONFLITOS
NA TELA
De cima para baixo: O Encouraçado
Potemkin e Outubro, de Eisenstein, abordam respectivamente
as revoluções de 1905 e outubro de 1917,
enquanto Dr. Jivago tem como pano de fundo a guerra civil
que se estendeu de 1918 a 1922 |
2ª aula – Que tal realizar uma
análise iconográfica sobre a época dos
Romanov? Chame a atenção, na foto da família,
para a roupa de Nicolau II. É um uniforme militar.
O príncipe herdeiro, Alexei, veste um traje de marinheiro,
no estilo do pai. A czarina porta uma coroa e as princesas
ostentam colares e outros objetos de adorno. A imagem pode
ser considerada uma evidência do luxo da dinastia imperial?
Apresente à garotada outro exemplo do fausto da realeza:
os ovos fabricados para os czares por Fabergé, joalheiro
oficial da corte russa. Desde 1885, os imperadores passaram
a encomendar anualmente às oficinas Fabergé
uma dessas obras-primas, determinando apenas que fosse uma
peça única e que contivesse em seu interior
uma "surpresa". No caso do Ovo Mosaico (cuja imagem
é reproduzida abaixo), produzido em 1914, a tal surpresa
foi o perfil dos cinco filhos de Nicolau II.
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Tim Graham / Corbis / Latinstock |
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OVO
MOSAICO
A jóia criada por Fabergé inclui
uma "surpresa": o perfil dos
filhos de Nicolau e Alexandra |
Após a matança de Ekaterinburgo, surgiram boatos
de que alguns dos herdeiros do czar teriam escapado da morte.
Dizia-se, por exemplo, que a princesa Anastasia havia sobrevivido
e fugido para a França. Essa suposta epopéia
inspirou diversos longas-metragens hollywoodianos. Lance um
tema para debate: como explicar a persistência dessas
histórias? Elas decorrem somente da relevância
histórica do episódio?
3ª
aula – Trabalhe com filmes sobre o período.
Algumas produções que possibilitam uma boa análise
são o drama O Encouraçado Potemkin, o desenho
animado Anastasia – A Princesa Esquecida e a ficção
romântica Dr. Jivago.
A primeira fita, realizada por Sergei Eisenstein, retrata
a Rússia imediatamente anterior à Revolução
de 1905. O enredo tem início no instante em que a tripulação
do gigantesco navio é obrigada a comer carne podre.
Os marinheiros revoltam-se com a situação, deflagram
um motim, jogam seus oficiais no mar e tomam conta da embarcação.
Com seus canhões, ameaçam o governo local. O
povo pobre, sedento por libertar-se do jugo imperial, adere
à causa dos amotinados, fornecendo-lhes alimentos.
E assim começam a controlar as próprias vidas
e, mais tarde, o país. Libelo contra os regimes opressores,
a narrativa defende a doutrina socialista até as últimas
conseqüências - abordagem também presente
em Outubro, do mesmo diretor, que focaliza a tomada do poder
pelos sovietes liderados pelo partido bolchevique. Já
no desenho, Anastasia é a filha de Nicolau II que teria
se refugiado na França, onde procura a avó.
A trama apresenta a princesa como uma inocente vítima
da violência e dos desmandos do comunismo. Dr. Jivago,
por seu turno, é uma história de amor que tem
como pano de fundo a guerra civil que sucedeu as revoluções
de 1917.
Selecione de antemão os trechos mais emblemáticos
desses filmes e exiba-os em sala de aula. Destaque a presença
de personagens reais e fictícios em cada um. Então,
solicite que os jovens apontem, individualmente e por escrito,
diferenças ideológicas entre esses recortes
de uma só realidade.
VEJA
TAMBÉM
Bibliografia
O Dossiê do Czar, Anthony Summers
e Tom Mangold, Ed. Livraria Francisco Alves, tel. (21) 2240-7989
Filmografia
Anastasia – A Princesa Esquecida,
Anatole Litvak, 20th Century Fox, tel. (11) 3365-5200
Dr. Jivago, David Lean, Warner Home Video,
tel. (11) 3016-2900

Aula elaborada por Ricardo Barros, professor
de História do Colégio Paulista, de São
Paulo
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