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Edição
2021, 5 de setembro de 2007
Ciências
Humanas e suas Tecnologias - Geografia
Ao
lixo, com carinho
Avalie o "estado da arte" das práticas sociais
envolvidas na reciclagem de produtos descartáveis

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Reciclagem,
lixo e consumismo


Avaliar
criticamente a produção de lixo
no Brasil e os métodos, as técnicas
e as políticas públicas de reciclagem
dos materiais |
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O
geógrafo Milton Santos declarou, certa vez, que a difusão
das novas formas de consumo é um dado fundamental para
compreender e explicar as sociedades contemporâneas.
A generalização do modelo de consumo das modernas
coletividades industriais e urbanas trouxe como subproduto
um par perverso: a intensa exploração dos recursos
naturais em escala planetária e, na outra ponta, a
produção de uma quantidade desmesurada de resíduos,
muitos deles de baixo reaproveitamento. VEJA apresenta um
balanço da reciclagem do lixo no Brasil e um roteiro
de boas práticas, que destaca materiais, técnicas
e procedimentos mais bem-sucedidos. A revista enfoca também
onde estão os gargalos desse processo, provando que
ainda há bastante o que fazer. É uma boa oportunidade
para a garotada avaliar em que pode contribuir para melhorar
essa situação.
| Nani
Gois |
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| Presença
do poder público: triagem na usina de
reciclagem de lixo da prefeitura de Curitiba |
Atividades
1ª
aula - Recomende que os alunos façam uma leitura
atenta dos dados e das principais conclusões contidas
na reportagem. Em seguida, questione-os sobre os diferentes
papéis que cabem aos indivíduos, ao poder público
e às empresas quando o assunto é produção
e destinação do lixo. Quem são os responsáveis
pela geração dos resíduos? Quem deve
cuidar do lixo? De que maneira isso tem de ser feito? O que
ainda precisa mudar na atitude das pessoas e nas políticas
públicas para que haja avanços nesse campo?
Oriente uma discussão em dois planos: o exame das origens
dos problemas e, num segundo momento, o que pode ser feito
a respeito. De início, pergunte se todos conhecem os
famosos três erres (reduzir, reutilizar e reciclar),
em que se baseiam os modelos de reciclagem do lixo. O primeiro
deles - reduzir - representa, além da mera diminuição
da quantidade de dejetos produzidos, repensar a cultura de
consumo em que estamos inseridos.
| Paul
Hilton / Epa / Corbis / Latinstock |
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| A
volta da sacola: o uso de sacos plásticos
para guardar as compras está em declínio
no Primeiro Mundo |
Mostre que nunca é demais lembrar que certos bens,
destinados às camadas mais endinheiradas, vêm
em embalagens difíceis de serem recicladas ou reaproveitadas.
Além disso, como dispõem de mais recursos, essas
pessoas muitas vezes não têm freios para o consumo.
Assim, é possível falar num "lixo dos ricos"
- com mais resíduos sólidos - e num "lixo
dos miseráveis" - basicamente formado por materiais
orgânicos. Está em questão, portanto,
repensar (um quarto erre) os padrões e as necessidades
de consumo. Segundo dados do Cempre, entidade mencionada por
Monica Weinberg, são produzidas hoje no Brasil cerca
de 240000 toneladas diárias de lixo. Desse total, por
volta de três quartos não passam por nenhum tratamento
e em geral vão para aterros ou depósitos a céu
aberto.
Incentive os adolescentes a refletir sobre os impactos sociais
e ambientais dessa situação. Nos lixões,
por exemplo, o solo, as coberturas vegetais e os recursos
hídricos ficam comprometidos. Compõem essa paisagem
as levas de catadores - homens, mulheres, crianças
e idosos, não raro expostos a doenças diversas
- que sobrevivem dos restos de alimentos e outros resíduos.
Peça que os estudantes explorem essas informações,
pesquisando novos dados se for necessário.
| Andre
Valentim |
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| Reaproveitamento
de produtos eletrônicos: nas fábricas
de impressoras, os cartuchos de tinta usados ganham vida
nova |
2ª
aula – Resgate os pontos discutidos na aula
anterior e encaminhe um estudo sobre as principais medidas
tomadas para a destinação do lixo - ou a ausência
delas. Sugira um exame das atribuições e responsabilidades
tanto dos indivíduos (ricos e pobres) quanto das empresas
e do poder público. Conte aos jovens que diversas companhias,
em especial as fábricas, deixam de tratar seus restos,
que variam segundo a natureza da atividade. Compreendem resíduos
de limpeza de máquinas, pátios e galpões,
mas a “parte do leão” são os rejeitos
do processamento industrial, muitos deles tóxicos ou
inflamáveis - é o caso de tintas, solventes
e sobras metálicas. Assim, o poder público e
os cidadãos devem se mobilizar para controlar e fiscalizar
o destino desses materiais.
Aos indivíduos cabe conter, em primeiro lugar, a sanha
consumista. Não é incomum conhecermos pessoas
que compram os bens, mas não os utilizam. Os meios
de comunicação e a publicidade também
têm sua parcela de responsabilidade, por induzir ao
consumo indiscriminado. VEJA aponta atitudes simples que podem
ajudar, como separar o lixo seco e destiná-lo a agentes
de reciclagem. Comunidades de vizinhos, inclusive de edifícios,
também podem se organizar para criar unidades de compostagem
e elaborar adubo orgânico, um preparado que leva terra,
restos de folhas e sobras de alimentos.
Outra medida é diminuir ou - de preferência -
eliminar no ato da compra o emprego do saco plástico,
item decadente em lojas e supermercados de países do
Primeiro Mundo.
As autoridades, por sua vez, podem instituir políticas
de coleta e separação do lixo articuladas ao
financiamento de cooperativas de reciclagem. No Brasil, o
tratamento do lixo vem se constituindo em excelente opção
de combate à pobreza e ao desemprego. Mas, para tirar
os projetos do papel ou evitar que tenham uma repercussão
modesta, é preciso que a população cobre
medidas concretas dos governantes. Campanhas públicas
mais incisivas também são bem-vindas. Leve a
moçada, de posse desses dados, a editar uma cartilha
de esclarecimento à comunidade sobre a questão
do tratamento do lixo. Para isso, eles podem realizar novas
investigações e criar roteiros com textos e
imagens destacando a importância de repensar o modelo
de consumo, além de reduzir, reutilizar e reciclar
o lixo produzido.
| Dilmar
Cavalher / Strana |
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| Usina
de tratamento de lixo e produção de biocombustível:
opção de combate à pobreza |
VEJA
TAMBÉM
Bibliografia
Os Bilhões Perdidos no Lixo, Sabetai
Calderoni, Ed. Humanitas, tel. (11) 3091-2920

Roteiro sugerido pelo geógrafo Roberto Giansanti,
autor de livros didáticos
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