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Edição 1963, 5 de julho de 2006

Multidisciplinar – Arte e Língua Portuguesa

Pérolas melódicas

Ricardo Freire
Ah, esses coqueiros que dão coco: redundância

As opiniões de Sérgio Martins em “Rimas Esdrúxulas” (pág. 122 de VEJA) têm tudo para transmutar a sala de aula num campo de batalha musical. Com lucidez e alguma dose de sarcasmo, o crítico esmiúça alguns versos sem sentido do cancioneiro pop nacional. Ao final da leitura, parece não restar estrofe sobre estrofe. Como é quase certo que as bandas e os artistas mencionados na resenha são admirados pela turma, o texto configura uma ótima oportunidade para trabalhar a análise das letras de músicas famosas – de hoje e de ontem.

Comece mencionando uma obra-prima composta por Ary Barroso: em Aquarela do Brasil, há uma passagem que menciona “esse coqueiro que dá coco”. Fale dela com a turma e pergunte se essa frase, no mínimo redundante, tira o brilho da poesia. Relembre ainda a balada nostálgica Eu Voltei, de Roberto e Erasmo Carlos. Não causa estranhamento o trecho “Eu parei em frente ao portão / Meu cachorro me sorriu latindo”?
Peça que os estudantes, organizados em grupos, pesquisem na internet letras de canções de que eles gostem. O desafio é provar aos colegas que o material tem valor e prima pela lógica. Não deixe de questionar a qualidade dos versos citados na revista.

Plano de aula sugerido pela equipe de VEJA NA SALA DE AULA

 
 
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