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Edição 1950, 5 de abril de 2006

Literatura

Magia, memória e imaginação

Seus alunos conhecem o best-seller O Caçador de Pipas, do escritor afegão Khaled Hosseini? O Auto-retrato de VEJA (pág. 121), além de ser um incentivo à leitura do livro, pode gerar uma discussão sobre a capacidade mágica que a literatura tem de nos levar a épocas e culturas diferentes.

Chame a atenção para os aspectos autobiográficos apresentados na entrevista. O garoto que soltava pipas parece aproximar-se de outros protagonistas juvenis, como o norte-americano Holden Canfield, do clássico O Apanhador no Campo de Centeio, de J. D. Salinger. Destaque também os vívidos flashes da vida afegã, como os faroestes apresentados nos cinemas de Cabul e a convivência, por vezes difícil, entre etnias diversas. A comparação, agora, é com Persépolis, série em quadrinhos da iraniana Marjane Satrapi, que focaliza a vida de uma jovem numa sociedade de cultura milenar dominada pelos aiatolás. Conte que Hosseini e Satrapi abandonaram países muçulmanos subjugados pelo fundamentalismo religioso. Em que medida o exílio contribuiu para suas evocações? Lembre que os livros sempre tiveram o dom de nos conduzir pelos caminhos da memória e da imaginação, além de nos revelar traços da cultura de terras distantes. Ou seja, após a leitura dessas narrativas, o Afeganistão do menino Khaled e o Irã da garotinha Marjane tornam-se um pouco mais familiares. Para terminar, proponha que os estudantes façam um levantamento de obras brasileiras recentes que empreendem um trajeto similar. Feliz Ano Velho, romance autobiográfico de Marcelo Rubens Paiva, é uma das mais representativas.

 

Roteiro criado pela equipe de VEJA NA SALA DE AULA

 
 
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