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Edição
1950, 5 de abril de 2006
Linguagens e Códigos
e suas Tecnologias Arte
A
arte de dar nome às obras
Um desenho de Millôr Fernandes inspira
a transformação da sala de aula num museu virtual

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Título
das obras de arte


Conhecer
e discutir critérios usados pelos artistas
para nomear seus trabalhos |
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O
belo desenho de Millôr Fernandes é um convite
ao debate sobre os critérios usados pelos artistas
para intitular suas obras. Transforme a sala de aula num museu
virtual e desafie a turma a descobrir o nome de quadros, esculturas
e instalações.
Para
começo de conversa
1Ÿ aula - Pergunte quem
sabe como os artistas nomeiam seus trabalhos. Os títulos
nos ajudam a compreender as obras ou também podem confundir?
Atividades
Mostre à moçada
a imagem criada por Millôr, tomando o cuidado de esconder
a legenda. Alguém faz idéia do que a figura
quer dizer? Proponha que cada aluno pegue uma folha de papel,
onde vai escrever um título para a obra e o que acha
que ela representa. Trata-se de uma abstração
pura, sem significado? A atividade será retomada mais
tarde.
Explique que, ao menos até
o século XVIII, nenhum artista tinha muita autonomia
para nomear as próprias criações. Em
geral, quem encomendava os trabalhos já pedia um tema
específico religioso ou mitológico, por
exemplo. Muitos títulos que hoje conhecemos de obras
do passado foram atribuídos por colecionadores ou historiadores
da arte ao realizar catalogações para diferenciá-las.
Não raro, quando os dados são insuficientes,
os especialistas se engalfinham para determinar se a figura
retratada é de um ou outro santo ou se a cena remete
a certa história ou lenda.
Só no século XIX,
com a crescente autonomia das artes, os autores começaram
a decidir o que queriam pintar ou esculpir. Então tiveram
liberdade para intitular o que faziam. Ao mesmo tempo, com
o surgimento de escolas modernistas, desinteressaram-se de
temas históricos. Com isso, os títulos muitas
vezes tornaram-se óbvios como Frutas, Retrato
e Paisagem.
O processo ficou ainda mais restrito
quando pintores e escultores partiram para a abstração.
Assim, nomes como Vermelho e Verde passaram a ser freqüentes
e, para não haver confusão, foram atribuídos
números aos trabalhos: Composição IV,
Harmonia Cromática né 13 e assim por diante.
Informe ainda que, na década
de 1960, quando entraram em voga as experimentações
minimalistas, influenciadas pela fenomenologia (filosofia
que pretendia que o conhecimento do mundo fosse compreendido
sem o auxílio de informações prévias,
mas pela experiência direta com as coisas), os nomes
deixaram de ter sentido e a expressão Sem Título
vigorou quase que unânime.
Esse percurso, porém,
nunca agradou a todos. Despontaram títulos que aludiam
a sensações, sentimentos ou mesmo coisas que
não estavam presentes na obra criada. O objetivo era
aguçar a imaginação do público,
dando um caráter mais poético àquilo
que se via. Por outro lado, as fusões entre imagem
e palavra, por parte de poetas e artistas, permitiram que
o texto entrasse nas telas e esculturas como parte integrante
desses, multiplicando as possibilidades de interpretação
das obras. Óbvias ou enigmáticas, as legendas
criaram outro patamar para os títulos e complicaram
essas relações simbióticas.
Atualmente, alguns criadores,
talvez nostálgicos dos tempos da arte temática,
resolveram dar nomes às vezes imensos e esdrúxulos
a estranhas produções de arte contemporânea.
2Ÿ aula Revele
a legenda do desenho de Millôr e confronte-a com os
títulos imaginados pela garotada. Alguém acertou
ou chegou perto? Quem notou que o fundo preto é a palavra
"EU" distorcida? E agora, é possível
ver a obra com o mesmo olhar da primeira vez?
Divida a classe em grupos. Reproduza
a o quadro abaixo e distribua as cópias às equipes
para que analisem as obras ali representadas. O quadro à
esquerda fornece o nome de cada trabalho, a data de produção
e o autor para ajudar você a monitorar o exercício.
Se julgar conveniente, sugira uma pesquisa mais detalhada
sobre as telas, as esculturas e as instalações
examinadas o contexto histórico em que foram
criadas, os materiais e as técnicas empregados, a intenção
dos artistas...
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As
obras e os autores
1.
Bicho (1960), Lygia Clark
2. Marinha (1955), José Pancetti
3. Composição com Vermelho,
Azul e Amarelo (1924), Piet Mondrian
4. Moby Dick (1985), Frank Stella
5. Tubarão Flutuando num Tanque de
Vidro ou A ImpossibilidadeFísica
da Morte na Mente de uma Pessoa Viva
(1991), Damien Hirst
6. Natureza Morta com Pote de Gengibre
(1890-93), Paul Cézanne
7. Baco (1638-40), Peter Paul Rubens
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Bibliografia
Padrões
de Intenção A Explicação
Histórica dos Quadros, Michael Baxandall, Companhia
das Letras, tel. (11) 3707-3500

Roteiro
criado por Marco Pasqualini de Andrade, professor de
Artes Visuais da Universidade Federal de Uberlândia
(MG)
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