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Edição
1976, 4 de outubro de 2006
Multidisciplinar
- Literatura e Redação
Personagens
em busca de um autor

A
resenha “Retorno à Terra do Nunca” (pág.
133 de VEJA) aborda o lançamento de Peter Pan
Escarlate, continuação “oficial”
das aventuras do herói-menino. O texto conduz a uma
questão fundamental: um personagem literário
sobrevive a seu criador, ou o desenvolvimento da trama nas
mãos de outro escritor é sempre mais débil,
um simulacro do original? De acordo com a revista, o livro
recém-lançado decepciona.
Para examinar o problema com a classe, lembre que um autor
tem, literalmente, direito de vida e morte sobre suas criações.
Porém, nem sempre pode exercê-lo. Arthur Conan
Doyle, por exemplo, “matou” Sherlock Holmes, mas
a indignação popular o obrigou a “ressuscitar”
o detetive. E se amanhã a escritora J.K. Rowling coroar
o último volume da série Harry Potter com um
titânico duelo de magia que resulte na morte do rapaz
e de seu inimigo, Lord Voldemort? Os protestos ensurdecedores
poderiam obrigá-la a devolver à vida o companheiro
de Ron e Hermione?
Por sorte, além do direito à bronca geral e
irrestrita, o público pode contestar o arbítrio
dos escritores, produzindo versões alternativas para
livros e filmes. Muitos fanzines (publicações
artesanais feitas por fãs) agem assim. Vale a pena
encarregar a turma de criar roteiros próprios para
suas obras favoritas. Que tal os jovens escreverem outro final
para Harry Potter e o Enigma do Príncipe,
em que o professor Dumbledore não morra? Eles teriam
a eterna gratidão dos fãs do diretor da escola
de magia de Hogwarts. Além de ser um divertido exercício
de redação, a atividade vai mostrar que os personagens
são de fato imortais, mesmo que isso contrarie a vontade
de seus criadores.
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Warner Bros/Divulgação |
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| Alvo
Dumbledore: o ressurgimento do
mago de Hogwarts pode depender de seus alunos |

Roteiro criado pela equipe de VEJA NA SALA DE AULA
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