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VEJA NA SALA DE AULA
     
 


Edição 1976, 4 de outubro de 2006

Linguagens e Códigos e suas Tecnologias - Arte

Por ti, América

Discuta com a turma a importância da produção artística do Brasil e de sua vizinhança


Eduardo Costantini

Três aulas de 50 minutos


Arte na América Latina


Analisar e discutir a produção artística latino-americana

O que conhecemos da arte da América Latina? Será que ela existe de fato como um elemento comum que aglutina toda a produção artística dos países que abriga? Quais são os nomes mais importantes dos países vizinhos nesse campo? A entrevista concedida a VEJA pelo argentino Eduardo Costantini é matéria-prima para a garotada refletir e discutir sobre tais questões e descobrir um pouco do que acontece dos lados de lá e de cá do Equador.

Atividades

1ª aula - Pergunte à turma se alguém pode dizer o nome de um pintor italiano. E francês, alguém conhece? Será que os alunos conseguem lembrar de um artista dos Estados Unidos? É provável que alguns nomes, mesmo incorretos, sejam citados. Em seguida, indague sobre brasileiros e, por último, outros latino-americanos. Talvez não consigam mencionar nenhum ou lembrem de um número reduzido em relação ao dos países desenvolvidos. Chame a atenção para essa diferença e promova um debate sobre o porquê da ignorância sobre a arte de nossos vizinhos, se conhecemos razoavelmente bem a dos europeus e norte-americanos. Esclareça que existe uma hierarquia criada pela história da arte oficial sobre quem são os grandes artistas. Nessa lista, são raros aqueles que vêm de países periféricos e subdesenvolvidos.

Passe, então, para a leitura da entrevista com Eduardo Costantini. Conte que, desde a venda da pintura Abaporu, de Tarsila do Amaral, uma das principais representantes do modernismo nacional, muitos protestos têm aparecido na mídia. Há um desconsolo e um desconforto de ver uma obra tão importante para nós num museu de outro país. Forneça detalhes do contexto relativos ao quadro. Foi um presente de aniversário da artista ao escritor Oswald de Andrade em janeiro de 1928. A obra inspirou Oswald a lançar o Manifesto Antropofágico em parceria com Raul Bopp. Verifique se os alunos, em suas pesquisas sobre os artistas latino-americanos, tiveram o cuidado de buscar a origem do nome Abaporu. Confirme que se trata de um neologismo baseado no idioma tupi-guarani e significa “come-homem”. A tela é uma representação sintética da paisagem (o cacto que floresce) e do homem (com seus pés fincados no chão) brasileiros. Evoca também a idéia de antropofagia, ou seja, de devorar o outro, absorver seu conhecimento para tornar-se mais forte e inteligente. Comente que isso foi proposto como modo de mostrar que é possível produzir algo original e surpreendente a partir da deglutição de culturas alienígenas. O mesmo princípio norteou, décadas depois, o movimento tropicalista, nos anos 1960, e tem sido visto como uma antecipação brasileira ao processo de citação e apropriação presentes na arte contemporânea, dita “pós-modernista”.

Na seqüência, converse com a moçada a respeito da importância de constituir coleções e museus que permitam contemplar a arte latino-americana. Ressalte que o interesse pela produção artística externa ao círculo das nações desenvolvidas é muito recente e se restringe aos últimos 20 ou 30 anos. O processo foi intitulado multiculturalismo e tem gerado diversas mostras com artistas chineses, russos, africanos e latinos, incluindo os brasileiros. É importante, porém, destacar que, mesmo com todo esse interesse, ainda permanece um certo preconceito contra nossa arte. E isso se deve à associação equivocada, mas freqüente, de que tudo que aqui se produz é exótico, selvagem e curioso.

2ª aula – Reproduza um mapa da América Latina em tamanho suficiente para que seja bem visível. Nele devem constar as divisões políticas entre os países e, se possível, uma síntese do relevo e da hidrografia, para contextualizar de modo evidente sua condição continental.

Deixe o mapa em lugar acessível aos alunos. Organize-os em grupos pequenos e encarregue cada um de examinar um país diferente. Peça que estudem um pouco da história, geografia e cultura e escolham um artista para representar a nação. Oriente as equipes a reproduzir uma obra desse artista e anotar seu título, a técnica e a data da criação. Depois, a imagem e os dados de cada país serão colocados ao lado do mapa, compondo um painel razoavelmente vasto da produção artística latino-americana.

3ª aula – Distribua para a classe cópias do quadro acima e da imagem de capa deste Guia. Se achar conveniente, complemente os dados sobre os artistas e sugira uma discussão que envolva a produção de cada um. É possível encontrar características comuns ao conjunto da arte latino-americana? Se houver interesse, recomende que todos assistam ao filme Frida e promova uma visita virtual ao acervo do Malba, disponível na web.

Para seus alunos

Artes e vidas latino-americanas

Divulgação
O Banho, de Fernando Botero. Com suas originais figuras
rotundas, o colombiano se destaca na pintura e na escultura. É
considerado um ícone da cultura latino-americana

Divulgação
O Homem da Flor Amarela, de Emilio Pettoruti. O argentino
iniciou sua carreira como caricaturista. Ao lado dos uruguaios
Joaquín Torres Garcia e Pedro Figari, figura entre os nomes
mais importantes do modernismo na América Latina

Divulgação
Abaporu, de Tarsila do Amaral. A brasileira teve participação
ativa na renovação artística nacional e deixou o legado de uma
obra que simboliza a cultura nacional

Divulgação
Girassóis, de Diego Rivera. Ao lado de José Clemente Orozco e
David Siqueiros, Rivera foi responsável pela criação do
muralismo mexicano. Casou-se com Frida Kahlo

Divulgação
Cinco Moças de Guaratinguetá, de Di Cavalcanti. Participante
da Semana de Arte Moderna de 1922, o brasileiro centrou seu
interesse na representação dos tipos humanos do país


Veja também

Filmografia

  • Frida, Julie Taymor, Imagem Filmes, tel. (11) 3815-5150


  • Internet

  • O acervo do Malba está disponível em www.malba.org.ar

  • Roteiro proposto por Marco Pasqualini de Andrade, professor de Arte da
    Universidade Federal de Uberlândia (MG)

     
     
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