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Edição
2015, 4 de julho de 2007
Interdisciplinar
- Arte e Cultura
Crise
de identidade
Explique
por que a perda de documentos e obras de arte acarreta prejuízos
materiais e simbólicos

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Museus
e patrimônio histórico, artístico
e cultural


Identificar
aspectos do patrimônio material e imaterial
da comunidade |
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Thomas
Crown morreria de tédio: em vez de montar esquemas
audaciosos para o furto de quadros preciosíssimos,
como faz o protagonista do filme A Arte do Crime, os assaltantes
brasileiros de museus simplesmente removem as obras, enfrentando
seguranças desarmados e dispositivos de vigilância
precários ou inexistentes. Ainda assim, a reportagem
de VEJA situa as enormes perdas que o patrimônio histórico
e artístico de nosso país sofreu com os roubos
cometidos nos últimos cinco anos em instituições
como museus, bibliotecas e arquivos. Trabalhe com a garotada
a idéia de que o prejuízo não pode ser
mensurado somente pelo preço de mercado de tais peças.
Ele também diz respeito à nossa identidade cultural.
| Luigi
Mamprin |
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SALVAMENTO
Especialistas tentam restaurar os Profetas de Aleijadinho,
doze estátuas em pedra-sabão |
Atividades
1ª
aula - Enfatize que o material surrupiado que a revista
menciona vale mais de 85,6 milhões de reais - cifra
estimada para lances mínimos em leilões. A imagem
que abre a reportagem, por exemplo, é um mapa da capitania
de Pernambuco que mostra aspectos da produção
de cana-de-açúcar. Sem documentos como esse,
deixaríamos de conhecer aspectos fundamentais de nossa
história.
Explique à turma que os acervos de museus, bibliotecas
e arquivos pertencem ao patrimônio de uma nação,
ao lado de obras arquitetônicas, monumentos, traçados
urbanísticos etc. Tais elementos compõem o chamado
patrimônio material. Existe também o imaterial,
formado por danças, músicas e técnicas
de fabricação artesanal, entre outros processos
culturais, que são importantes fatores de agregação
social e de identidade. Dessa forma, os estudantes, mesmo
que nunca tenham entrado num museu, já tiveram contato
com algo referente ao patrimônio da comunidade. Eles
provavelmente conhecem pratos e trajes típicos, canções
folclóricas e crenças populares. Além
disso, ao ir à escola ou passear pela cidade, talvez
passem em frente a edifícios históricos - quem
sabe o prédio do próprio colégio não
se enquadre nessa definição? Incentive-os a
enumerar elementos que, na opinião deles, integram
o patrimônio cultural e artístico local.
Comente que, para a manutenção do acervo das
instituições já citadas, existe um trabalho
complexo que é executado, publicamente ou nos bastidores,
por conservadores, restauradores e outros profissionais. Em
muitos museus, há laboratórios nos quais as
peças passam por rígidos processos de controle,
para então ser restauradas, se necessário. Mostre
aos adolescentes as duas reproduções do afresco
de Michelangelo no teto da Capela Sistina. Eles percebem a
diferença de nitidez nas cores da obra? Um minucioso
trabalho de restauração recuperou a força
original das figuras, como se vê na segunda foto. Lembre
que esforços assim nem sempre são bem-sucedidos.
Um exemplo negativo ocorreu com as doze imagens dos Profetas
esculpidas por Aleijadinho - o maior conjunto estatuário
barroco do planeta. Houve diversas tentativas de restauração
com o objetivo de neutralizar o desgaste que a exposição
ao ar livre impôs à pedra-sabão, mas todas
as iniciativas nesse sentido revelaram-se ineficazes até
o momento. Agora, as estátuas serão novamente
recuperadas e removidas para um museu. "Clones"
deverão substituí-las.
O sumiço da Mona Lisa
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Reprodução |
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Observe
com seus colegas a reprodução de uma das
telas mais famosas do mundo: a Mona Lisa, de Leonardo
da Vinci. A pintura já foi objeto de um furto,
realizado num esquema tão improvisado quanto a
remoção ilegal das obras de arte no Brasil.
O fato se deu em 1911. O italiano Vicenzo Peruggia - que
trabalhava no Louvre, em Paris, como vidraceiro - levou
embora o quadro. Ele ficou sumido até 1913, quando
foi recuperado em Florença no momento em que o
larápio tentava vendê-lo a um antiquário.
Procure saber que outras peças de museu tiveram
sorte igual à da Mona Lisa e dos acervos listados
pela reportagem de VEJA. |
2ª
aula – Divida a turma em grupos, entregue uma
cópia do quadro ao lado para cada um e solicite a realização
das pesquisas previstas.
3ª
aula – Caso exista um museu em sua cidade ou
nas vizinhanças, coordene uma excursão ao local.
Isso permitirá aos estudantes apreciar o acervo e descobrir
como funciona a instituição. Oriente-os a conversar
com os diversos profissionais que atuam ali, desde os seguranças
até os conservadores, restauradores e curadores. Faça
ver que, por mais que a tecnologia possibilite visitas virtuais
aos acervos artísticos e históricos, o contato
com as obras tem uma aura insubstituível. E vale ressaltar
que a maioria dos museus sedia a produção do
conhecimento ao acolher pesquisadores.
Se houver oportunidade, retome as equipes já formadas
para que visitem museus diferentes, como os de História
Natural, Zoologia, Ciências e Arte. Eles podem obter
imagens e produzir textos sobre os aspectos que mais despertarem
a curiosidade. Os resultados dessa atividade devem ser expostos
em cartazes ou discutidos em seminários com o conjunto
da classe.
Encomende investigações acerca de outros aspectos
ligados ao patrimônio histórico e cultural local
e regional - a importância atribuída ao assunto
pelas autoridades competentes e pela comunidade escolar, por
exemplo. As conclusões podem ser apresentadas na forma
de dissertações individuais.
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Alinari Archives |
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As cores de Michelangelo Retorno à versão
original: desenvolvidos no último quarto do século
XX, os trabalhos de restauração da Capela
Sistina (acima) removeram a fuligem acumulada ao longo
de centenas de anos pela queima das velas (abixo). Surgiram,
então, as cores vivas dos afrescos, que fascinaram
o público e, em especial, estudiosos da arte renascentista.
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Jim Zuckerman / Corbis / Latinstock |
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Aula sugerida por Patricia Tavares Raffaini,
professora de História e Cultura da Universidade Anhembi-Morumbi,
de São Paulo
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