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VEJA NA SALA DE AULA
     
 


Edição 1903, 4 de maio de 2005

Interdisciplinar – Ciência, Tecnologia e Sociedade

Guerra e conhecimento: analise
esse intercâmbio com a moçada

Percorra a via de mão dupla das contribuições entre os conflitos armados e o desenvolvimento técnico e científico

O primeiro míssil: teste da bomba V-2 numa base de Peenemunde, na Alemanha


“O Legado da II Guerra”págs. 128 a 133 de VEJA
“A Ética que Nasceu do Horror”, págs. 134 e 135 de VEJA

“Os Crimes do Soldado Comum”, págs. 136 e 137 de VEJA

“A Paz pela União”, págs. 138 a 140 de VEJA

“O Monstro, a Secretária e o Cãozinho”, págs. 144 a 146 de VEJA


Duas aulas de 50 minutos


Guerras e avanços científicos e tecnológicos


Construir e aplicar conceitos das várias áreas do conhecimento para a compreensão da produção tecnológica


Identificar a inter-relação entre as guerras e o desenvolvimento da ciência e da tecnologia

Ciência, tecnologia e guerra são práticas e conceitos mutuamente entrelaçados. A obra de um cientista, mesmo quando este é alheio às questões de aplicação bélica, pode influir decisivamente na criação de um aparato tecnológico ou no desenrolar de um conflito armado. Da mesma forma, o produto do trabalho de um técnico pode ser fundamental para o desenvolvimento de uma teoria científica ou para o sucesso em uma batalha. A própria guerra é, muitas vezes, um fator preponderante para o surgimento de processos e idéias científicas. Sob esse aspecto, as reportagens de VEJA – bem como a lembrança de disputas no passado mais longínquo – demonstram que a contribuição da ciência e das tecnologias aos confrontos armados é mais imediata, mais aguda. Convide a garotada a refletir acerca do intercâmbio de influências entre as atividades militares e a construção do conhecimento.

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Após a leitura de VEJA pelos alunos

Peça que todos relembrem as guerras medievais e imaginem a importância do aperfeiçoamento de arcos e flechas naquele contexto. A partir daí, e com a ajuda do professor de História, a turma pode desenvolver uma linha de tempo indicando os avanços técnicos associados aos conflitos mais marcantes da humanidade. Ressalte como os conhecimentos acumulados de metalurgia podem ter sido empregados para confecção de canhões mais resistentes, de maior alcance e precisão a partir do Renascimento. Lembre que as tecnologias – com ou sem embasamento na ciência – aplicadas à beligerância sempre tiveram efeitos imediatos. Assim aconteceu na I Guerra Mundial, em que proliferaram as armas químicas, e também no segundo conflito generalizado, quando o desenvolvimento e uso de aviões, mísseis, radares e sonares, computadores mecânicos e eletrônicos e mesmo de artefatos nucleares determinaram fortemente os rumos da história.

Por fim, destaque um aspecto que distingue a II Guerra das anteriores no que se refere ao emprego explícito da ciência e da tecnologia. Nunca, até então, os Estados nacionais haviam se dado conta – e de maneira tão contundente – da importância vital do progresso científico, mesmo teórico, em “ciência pura”, para a obtenção e manutenção da supremacia bélica.

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Tecnologia na I Guerra: soldados ingleses defendem-se das armas químicas com lenços molhados numa solução de ácido bórico

Exercícios e outras atividades

Desafie os estudantes a listar as contribuições no sentido inverso – ou seja, das guerras para a ciência e as tecnologias. Eles devem concluir que esse viés não é tão evidente. Provoque-os a fim de que encontrem uma justificativa para isso. Explique depois que a resposta está, provavelmente, no fato de que as influências dos conflitos nas pesquisas científicas ocorre em períodos mais extensos e, muitas vezes, de modo indireto. Tome como exemplo algumas teorias – a Gravitação Universal de Newton, a Evolução das Espécies de Darwin, o átomo de Rutherford-Bohr, as Relatividades de Einstein e a Quantização da Luz e da Matéria de Planck, Einstein e Bohr.

O universo referencial disponível a qualquer um dos protagonistas nas histórias dessas teses científicas não devia nada, em particular, a nenhuma guerra. A motivação deles e o ambiente cultural em que viveram também não mostram suscetibilidade particular a qualquer conflito armado. Por outro lado, analisando o que ocorreu durante e após a II Guerra, vemos o surgimento da eletrodinâmica quântica quase como decorrência direta dos enormes investimentos do governo e das empresas americanas no ensino de ciência e na pesquisa em ciência pura e aplicada e em desenvolvimento tecnológico. Richard Feynmann, Enrico Fermi, J. Robert Oppenheimer, Murray Gell-Mann e John von Newman fizeram parte do Projeto Manhattan, assim como muitos outros físicos, químicos, matemáticos quase que exclusivamente teóricos. Desse esforço coletivo resultou a bomba atômica. Quanto às tecnologias, não há dúvida de que a guerra é um celeiro de idéias e práticas ímpares.

Com base nisso, encomende um levantamento dos principais artefatos tecnológicos desenvolvidos após 1945, quando fica evidente a influência quase direta e instantânea da guerra na ciência e, de maneira extrema, nas tecnologias. Realce que os tempos da Guerra Fria podem ser pensados como a continuação desse conflito, um embate científico-tecnológico bipolar, vencido finalmente pelos Estados Unidos com o Projeto Guerra nas Estrelas.

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SPL/ Stock Photos
Ernest Rutherford (no detalhe à dir.) afirmou que seria louco quem pensasse no uso da energia nuclear. Poucos anos depois, esses “loucos” se reuniram no Projeto Manhattan. Na primeira fila, da esquerda para a direita: Norris Bradbury, John Manley, Enrico Fermi e J. M. B. Kellogg; na fileira de trás, J. Robert Oppenheimer (de terno escuro) e, ao lado, Richard Feynmann

Para debater

Discuta com a garotada um conceito mais amplo de guerra tomando como base a afirmação do general chinês Sun Tzu e o ensinamento do filósofo florentino Nicolau Maquiavel mencionados no quadro ao lado. Podemos dizer que a II Guerra nunca acabou de fato – apenas transfigurou-se da luta bélica numa acirrada disputa científico-tecnológica entre as nações?

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Para ler e pensar

A arte de vencer a guerra

“Um chefe que está bem instruído em operações militares faz com que o inimigo se renda sem lutar, captura as cidades do inimigo sem atacá-las violentamente e destrói o Estado do inimigo sem operações militares demoradas. O prêmio maior de uma vitória é triunfar por meio de estratagemas, sem usar as tropas.”

A Arte da Guerra, Sun Tzu, Ed. Record, tel. (0_ _21) 2585-2000

“Deve, pois, um príncipe não ter outro objetivo nem outro pensamento, nem tomar qualquer outra coisa por fazer, senão a guerra e a sua organização e disciplina, pois que é essa a única arte que compete a quem comanda. E é ela de tanta virtude, que não só mantém aqueles que nasceram príncipes, como também muitas vezes faz os homens de condição privada subirem àquele posto; ao contrário, vê-se que, quando os príncipes pensam mais nas delicadezas do que nas armas, perdem o seu Estado. A primeira causa que te faz perder o governo é negligenciar dessa arte, enquanto a razão que te permite conquistá-lo é o ser professo da mesma.”

O Príncipe, Nicolau Maquiavel, L&PM Editores, tel. (0 _ _51) 3225-5777

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Plano de aula elaborado por Renato da Silva Oliveira, professor de Física e coordenador do planetário AsterDomus, de São Paulo

 
 
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