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Edição
1903, 4 de maio de 2005
Interdisciplinar
Ciência, Tecnologia e Sociedade
Guerra
e conhecimento: analise
esse intercâmbio com a moçada
Percorra a via de mão dupla das contribuições
entre os conflitos armados e o desenvolvimento técnico
e científico
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O
primeiro míssil: teste da bomba V-2 numa base
de Peenemunde, na Alemanha
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Guerras
e avanços científicos e tecnológicos


Construir
e aplicar conceitos das várias áreas
do conhecimento para a compreensão
da produção tecnológica


Identificar
a inter-relação entre as guerras
e o desenvolvimento da ciência e da
tecnologia |
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Ciência,
tecnologia e guerra são práticas e conceitos
mutuamente entrelaçados. A obra de um cientista, mesmo
quando este é alheio às questões de aplicação
bélica, pode influir decisivamente na criação
de um aparato tecnológico ou no desenrolar de um conflito
armado. Da mesma forma, o produto do trabalho de um técnico
pode ser fundamental para o desenvolvimento de uma teoria
científica ou para o sucesso em uma batalha. A própria
guerra é, muitas vezes, um fator preponderante para
o surgimento de processos e idéias científicas.
Sob esse aspecto, as reportagens de VEJA bem como a
lembrança de disputas no passado mais longínquo
demonstram que a contribuição da ciência
e das tecnologias aos confrontos armados é mais imediata,
mais aguda. Convide a garotada a refletir acerca do intercâmbio
de influências entre as atividades militares e a construção
do conhecimento.
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Após
a leitura de VEJA pelos alunos
Peça
que todos relembrem as guerras medievais e imaginem a importância
do aperfeiçoamento de arcos e flechas naquele contexto.
A partir daí, e com a ajuda do professor de História,
a turma pode desenvolver uma linha de tempo indicando os avanços
técnicos associados aos conflitos mais marcantes da
humanidade. Ressalte como os conhecimentos acumulados de metalurgia
podem ter sido empregados para confecção de
canhões mais resistentes, de maior alcance e precisão
a partir do Renascimento. Lembre que as tecnologias
com ou sem embasamento na ciência aplicadas à
beligerância sempre tiveram efeitos imediatos. Assim
aconteceu na I Guerra Mundial, em que proliferaram as armas
químicas, e também no segundo conflito generalizado,
quando o desenvolvimento e uso de aviões, mísseis,
radares e sonares, computadores mecânicos e eletrônicos
e mesmo de artefatos nucleares determinaram fortemente os
rumos da história.
Por
fim, destaque um aspecto que distingue a II Guerra das anteriores
no que se refere ao emprego explícito da ciência
e da tecnologia. Nunca, até então, os Estados
nacionais haviam se dado conta e de maneira tão
contundente da importância vital do progresso
científico, mesmo teórico, em ciência
pura, para a obtenção e manutenção
da supremacia bélica.
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Tecnologia
na I Guerra: soldados ingleses defendem-se das armas
químicas com lenços molhados numa solução
de ácido bórico
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Exercícios
e outras atividades
Desafie
os estudantes a listar as contribuições no sentido
inverso ou seja, das guerras para a ciência e
as tecnologias. Eles devem concluir que esse viés não
é tão evidente. Provoque-os a fim de que encontrem
uma justificativa para isso. Explique depois que a resposta
está, provavelmente, no fato de que as influências
dos conflitos nas pesquisas científicas ocorre em períodos
mais extensos e, muitas vezes, de modo indireto. Tome como
exemplo algumas teorias a Gravitação
Universal de Newton, a Evolução das Espécies
de Darwin, o átomo de Rutherford-Bohr, as Relatividades
de Einstein e a Quantização da Luz e da Matéria
de Planck, Einstein e Bohr.
O
universo referencial disponível a qualquer um dos protagonistas
nas histórias dessas teses científicas não
devia nada, em particular, a nenhuma guerra. A motivação
deles e o ambiente cultural em que viveram também não
mostram suscetibilidade particular a qualquer conflito armado.
Por outro lado, analisando o que ocorreu durante e após
a II Guerra, vemos o surgimento da eletrodinâmica quântica
quase como decorrência direta dos enormes investimentos
do governo e das empresas americanas no ensino de ciência
e na pesquisa em ciência pura e aplicada e em desenvolvimento
tecnológico. Richard Feynmann, Enrico Fermi, J. Robert
Oppenheimer, Murray Gell-Mann e John von Newman fizeram parte
do Projeto Manhattan, assim como muitos outros físicos,
químicos, matemáticos quase que exclusivamente
teóricos. Desse esforço coletivo resultou a
bomba atômica. Quanto às tecnologias, não
há dúvida de que a guerra é um celeiro
de idéias e práticas ímpares.
Com
base nisso, encomende um levantamento dos principais artefatos
tecnológicos desenvolvidos após 1945, quando
fica evidente a influência quase direta e instantânea
da guerra na ciência e, de maneira extrema, nas tecnologias.
Realce que os tempos da Guerra Fria podem ser pensados como
a continuação desse conflito, um embate científico-tecnológico
bipolar, vencido finalmente pelos Estados Unidos com o Projeto
Guerra nas Estrelas.
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SPL/ Stock Photos
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| Ernest
Rutherford (no detalhe à dir.) afirmou que
seria louco quem pensasse no uso da energia nuclear. Poucos
anos depois, esses loucos se reuniram no Projeto
Manhattan. Na primeira fila, da esquerda para a direita:
Norris Bradbury, John Manley, Enrico Fermi e J. M. B.
Kellogg; na fileira de trás, J. Robert Oppenheimer
(de terno escuro) e, ao lado, Richard Feynmann |
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Para
debater
Discuta
com a garotada um conceito mais amplo de guerra tomando como
base a afirmação do general chinês Sun
Tzu e o ensinamento do filósofo florentino Nicolau
Maquiavel mencionados no quadro ao lado. Podemos dizer que
a II Guerra nunca acabou de fato apenas transfigurou-se
da luta bélica numa acirrada disputa científico-tecnológica
entre as nações?
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A
arte de vencer a guerra
Um
chefe que está bem instruído em operações
militares faz com que o inimigo se renda sem lutar,
captura as cidades do inimigo sem atacá-las violentamente
e destrói o Estado do inimigo sem operações
militares demoradas. O prêmio maior de uma vitória
é triunfar por meio de estratagemas, sem usar
as tropas.
A
Arte da Guerra, Sun Tzu, Ed. Record, tel. (0_ _21)
2585-2000
Deve,
pois, um príncipe não ter outro objetivo
nem outro pensamento, nem tomar qualquer outra coisa
por fazer, senão a guerra e a sua organização
e disciplina, pois que é essa a única
arte que compete a quem comanda. E é ela de tanta
virtude, que não só mantém aqueles
que nasceram príncipes, como também muitas
vezes faz os homens de condição privada
subirem àquele posto; ao contrário, vê-se
que, quando os príncipes pensam mais nas delicadezas
do que nas armas, perdem o seu Estado. A primeira causa
que te faz perder o governo é negligenciar dessa
arte, enquanto a razão que te permite conquistá-lo
é o ser professo da mesma.
O
Príncipe, Nicolau Maquiavel, L&PM Editores,
tel. (0 _ _51) 3225-5777
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Plano
de aula elaborado por Renato da Silva Oliveira, professor
de Física e coordenador do planetário AsterDomus,
de São Paulo
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