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Edição 1903, 4 de maio de 2005

Ciências Humanas e suas Tecnologias – Geografia

Revele como o fim da II Guerra
definiu a nova ordem mundial

A ONU, o Plano Marshall, as ONGs e a União Européia foram respostas humanas à barbárie. Diga isso aos alunos

George Merillon/ Gamma
Plenário da ONU, órgão criado em 1945 para evitar novos conflitos: fim da barbárie?


“O Legado da II Guerra”págs. 128 a 133 de VEJA
“A Paz pela União”, págs. 138 a 140 de VEJA


Duas aulas de 50 minutos


II Guerra e nova ordem internacional


Relacionar informações e conhecimentos disponíveis em situações concretas para construir argumentação consistente


Debater os desdobramentos do pós-II Guerra no cenário político mundial

Há exatas seis décadas, o planeta – em especial a Europa – acordava de um longo pesadelo chamado II Guerra Mundial. Logo após a capitulação do Eixo nazi-fascista, não havia, em curto prazo, quase nenhuma esperança para os sobreviventes que habitavam as áreas devastadas pelo conflito. Afinal, junto com as paredes de casas, fábricas e estabelecimentos comerciais haviam desaparecido as plantações e o gado. Sumiram também o dinheiro e a diplomacia. Ao longo de várias reportagens, VEJA analisa de que modo o fim da guerra abriu espaço para o surgimento de modelos econômicos, éticos, humanitários e ideológicos que nos orientam até hoje. A leitura crítica dos textos é obrigatória para que a moçada tenha sempre em mente as causas e conseqüências da barbárie e entenda como ela pôde ocorrer no Velho Mundo, o nascedouro da democracia – um território de onde essa e outras importantes conquistas foram irradiadas para o resto do globo. Este roteiro também se propõe a esclarecer como a atual ordem mundial ensaiou seus primeiros passos sobre as cinzas da guerra.

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Euro, símbolo da União Européia: fim das barreiras econômicas no Velho Mundo

Antes da leitura de VEJA pelos alunos

Pergunte quais são as imagens mais comuns para a moçada quando o assunto é II Guerra. Então, conte que o historiador britânico Mark Mazower definiu a Europa do século XX como um perigoso laboratório de experiências sociais. Será que a expressão “continente sombrio”, cunhada por Mazower, é adequada? Ou ela só pode ser usada para descrever cenários como Auschwitz, Treblinka e Sobibor?

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AFP
Morte no Muro de Berlim, ícone máximo da
Guerra Fria: cortina de ferro que durou 28 anos

Para debater

Oriente a leitura das reportagens e explore o modo como a geopolítica do regime nazista foi atenuada e deu lugar a uma nova ordem mundial. Lembre que a criação da Organização das Nações Unidas (ONU), em 1945, representou um marco importante no estabelecimento das diversas relações entre os países – a medida fortaleceu principalmente a diplomacia, visando evitar atritos sangrentos. Pergunte de que modo a configuração atual afeta a soberania dos países. VEJA destaca que a União Européia, hoje, é o resultado de costuras que começaram há cinqüenta anos, mas sob a bandeira azul e estrelada desse conglomerado de nações estão parceiros que se trucidaram mutuamente em diversas ocasiões ao longo do século passado. Será que o fantasma da barbárie pode voltar à vida? Ouça os comentários dos estudantes e revise com eles o conflito recente envolvendo Estados Unidos e Iraque e questione em que medida os países caminham para a tomada de decisões coletivas – tribunais internacionais, acordos comerciais e de prevenção da degradação ambiental etc. – no tocante à soberania alheia. Ou a força dos interesses internacionais ainda fala mais alto no século XXI?

Ressalte que, mesmo sob a égide da ONU, o pós-II Guerra foi marcado por um confronto ideológico que polarizou o mundo em dois blocos: um capitalista, outro socialista. O grande emblema da Guerra Fria foi o Muro de Berlim, uma cortina de ferro que dividiu a Europa durante 28 anos. Comente mais alguns fatos que marcaram essa época:

  • a Guerra da Coréia (1950 a 1953), que deixou o país dividido até hoje;
  • a corrida armamentista entre soviéticos e americanos, cujo ápice foi a crise dos mísseis em Cuba, em 1962;
  • a Guerra do Vietnã (1964 a 1975), que mergulhou os Estados Unidos numa de suas maiores crises morais;
  • o neocolonialismo europeu praticado na África e na Ásia; e
  • as ditaduras militares em série na América Latina, incluindo o Brasil.
Houton-Deutsch Collection/
Corbis/ Stock Photos
Desembarque americano na Guerra da Coréia: a nação oriental continua dividida

Trace um paralelo entre as condições do pós-II Guerra e o aumento geográfico das relações econômicas entre os países. Leia para a moçada o texto do quadro ao lado e discuta de que forma o Plano Marshall ajudou a Europa a se reerguer. Os Estados Unidos exigiram alguma vantagem comercial em troca da ajuda financeira? Depois desse período, é bom lembrar, as corporações se expandiram por vários países e passaram a ter a mesma importância e o desembaraço de algumas nações. Isso contribui para a paz ou torna o mundo mais vulnerável a novos conflitos?

Discuta como o final da II Guerra e seus desdobramentos foram os primeiros passos para o novo tipo de organização mundial em que vivemos. A multiplicação dos tribunais internacionais, sob a batuta da ONU, pode ser considerada o primeiro passo para o maior entrelaçamento entre os povos? E os movimentos pacifistas, que ganharam expressão mundial nos anos 1960, contribuíram para o fim das nacionalidades específicas e desembocaram na consolidação das ONGs? VEJA examina o fenômeno no quadro “Cada Homem É uma Causa” (pág. 132).

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Para saber mais

O Plano Marshall

Em 1947, quando boa parte do Velho Mundo ainda estava em escombros, o presidente americano Harry Truman lançou um programa de reconstrução econômica para ajudar 17 países europeus. Concebida pelo secretário de Estado George Marshall, a medida foi na verdade uma estratégia para impedir que o desemprego, a pobreza, a fome e o deslocamento constante das populações refugiadas reforçassem o apelo dos partidos comunistas, principalmente em nações como a França, a Alemanha e a Itália.

Durante o prazo em que vigorou, de 1948 a 1951, o Plano Marshall disponibilizou 13 bilhões de dólares para a retomada da produção industrial e agrícola, a garantia da estabilidade financeira e a expansão do comércio no coração da Europa. A economia dos países atendidos cresceu de 15% a 25% no período. Foram modernizadas as indústrias química, de engenharia e aço. Houve um esforço semelhante para reconstruir o Japão, arrasado pelas bombas atômicas em 1945.

Em 1949, os Estados Unidos lançaram o Programa Ponto Quatro, expandindo o Plano Marshall para outros países em desenvolvimento ao redor do mundo. O Brasil foi um dos beneficiados.

AFP
Americanos recolhem donativos para
franceses: Plano Marshall em ação

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O site www.vejanasaladeaula.com.br oferece um roteiro sobre os organismos da ONU. Procure o texto “Examine com os Estudantes as Frentes de Atuação das Nações Unidas”, publicado no Guia do Professor n‚ 28, ano 7, em 8 de setembro de 2004


Plano proposto pelo geógrafo Jaime Tadeu Oliva, professor do Centro Universitário UniFieo, de Osasco (SP)

 
 
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