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Edição 1915, 3 de agosto de 2005

Ciências Humanas e suas Tecnologias – Geografia

O que dá qualidade de vida a
uma cidade? A classe responde

Ensine o conceito de urbanidade e discuta por que os solteiros preferem as grandes metrópoles para viver


“As Melhores Cidades para Solteiros”, págs. 112 a 117 de VEJA

Duas aulas de 50 minutos


Cidades e qualidade de vida


Relacionar informações e conhecimentos disponíveis em situações concretas para construir argumentação consistente


Identificar algumas características das grandes cidades brasileiras associadas à qualidade de vida

Na canção Solteiro no Rio de Janeiro, do cantor e compositor Toni Garrido, um bon vivant da zona sul carioca apresenta seu perfil muito peculiar: um sujeito parado em qualquer praia, solto em qualquer lugar. A música, em outras palavras, constitui uma ode à satisfação de quem não está nem aí para o matrimônio e deseja se estabelecer num cenário como a Cidade Maravilhosa. Afinal, de acordo com duas pesquisas preparadas por VEJA, os brasileiros que ainda não se preocupam em trocar alianças preferem viver em lugares como o Rio e outras nove metrópoles, todas repletas de espaços bem estruturados, onde a mobilidade parece ser a palavra-chave. O resultado desses estudos é um ranking dos centros mais acolhedores para quem optou por não juntar os trapos com ninguém. A reportagem dá o mote para você explicar o que é urbanidade, fator essencial na medição da qualidade de vida dos moradores de uma cidade. Este plano de aula também ajuda a discutir por que os solteiros não vêem as metrópoles com os mesmos olhos do senso comum, que as considera ambientes estressantes, desumanos, perigosos, congestionados, poluídos e carentes de serviços.

Preparação da aula

Providencie cópias do quadro da página ao lado e da ilustração abaixo e distribua para a turma.

Antes da leitura de VEJA pelos alunos

Faça um breve levantamento do papel das metrópoles no imaginário da classe. Lembre que elas geralmente são vistas como os locais mais importantes da vida moderna. Pergunte o que os jovens entendem como virtudes e defeitos dos centros urbanos, em especial das megalópoles. Em seguida, peça que todos digam onde gostariam de viver. Para sempre ou apenas enquanto durar a condição de solteiros.

Para debater

Oriente uma comparação entre a opinião dos estudantes e a dos solteiros retratados por VEJA. Mostre como os critérios que definem qualidade de vida estão ligados às características de cada cidade. Ressalte que as vantagens ideais para viver nas metrópoles mencionadas na reportagem podem não ser as mesmas para qualquer indivíduo, seja ele casado, solteiro, adulto, idoso, adolescente ou criança. Será que a riqueza cultural de São Paulo pode ser usufruída por todos os habitantes? Por quê? É possível aceitar como natural o fato de casais com filhos abrirem mão dos recursos propalados pelos solteiros apenas por causa dos rebentos?

Aborde a importância da qualidade de vida dos moradores de uma cidade. A primeira informação a ser lembrada é que os centros urbanos são aglomerações (e implicam diminuição da distância geográfica) de pessoas e de múltiplos recursos sociais (materiais e imateriais) marcados por um fator-chave: a diversidade. Numa metrópole, as pessoas são diversas no que se refere a formação, cultura, experiências e origens. As atividades econômicas são variadas e a cultura se manifesta de múltiplas formas, abrindo perspectivas para as potencialidades e os gostos humanos. Interagir num quadro assim, em tese, é interessante para todos – e não somente para solteiros. Explique que o necessário para que haja integração entre as pessoas é um fator chamado urbanidade, ou o acesso aos mais diferentes tipos de recursos que um local pode oferecer.

Explore o quadro ao lado. Ele mostra duas situações extremas de urbanidade observadas em Amsterdã, na Holanda, e Johanesburgo, na África do Sul. Segundo o esquema, uma cidade com qualidade de vida é aquela que oferece acesso aos recursos urbanos (bens, serviços, moradia etc.) para todos e não apenas para alguns segmentos sociais.

Exercícios e outras atividades

Lance mão da ilustração abaixo e peça que a moçada observe todos os elementos que, teoricamente, deveriam coexistir numa metrópole. Sugira que os jovens tentem classificar a cidade onde moram segundo os quesitos apresentados no desenho e no quadro. Ela está mais próxima do modelo da africana Johanesburgo, herdeira de uma política de apartheid, com alto índice de segregação social, sem espaços públicos? Ou se parece mais com Amsterdã, onde se usa a maioria dos recursos urbanos de forma coletiva? Ou será que a situação intermediária é mais recorrente na realidade local? O que precisa ser melhorado? Como atingir o padrão ideal?

Oriente outras suposições. Pergunte se São Paulo, que aparece no primeiro lugar do ranking de VEJA para solteiros, se sairia bem caso o espectro social fosse ampliado para além desse público específico. Ouça as hipóteses e questione se a Terra da Garoa oferece os mesmos recursos culturais, educacionais e de lazer para todos os seus jovens. Aqueles que não se casaram, mas não possuem automóvel, também usufruem, sem restrições, a rica vida noturna? Os adultos casados, por seu turno, conseguem acessar os mesmos recursos? E o que dizer dos idosos, que dispõem de pouquíssima autonomia para se deslocar sozinhos? As crianças pobres estão perfeitamente integradas a esse universo? Tais considerações valem apenas para a capital paulista ou servem para as demais cidades citadas pela revista? Talvez seja a hora de mostrar que as metrópoles brasileiras não estão cumprindo sua missão.

Duas situações extremas de urbanidade
Amsterdã
Johanesburgo
Densidade residencial e de atividades
+
Compacidade (distâncias mais reduzidas)
+
Interacessibilidade dos lugares urbanos
+
Presença de espaços públicos
+
Importância da marcha pedestre
+
Co-presença habitação/emprego
+
Diversidade de atividades
+
Diversidade sociológica (pessoas diferentes)
+
Auto-avaliação positiva do conjunto dos lugares urbanos
+
Autovisibilidade/auto-identificação da sociedade urbana
+
Sociedade política de escala urbana (todos interessados no destino geral da sociedade urbana)
+

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Roteiro desenvolvido por Jaime Tadeu Oliva, geógrafo e professor da UniFieo, de Osasco (SP)

 
 
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