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Edição 1954, 3 de maio de 2006

Interdisciplinar

Chernobyl, uma tragédia radioativa

Debata com a garotada os efeitos
do maior acidente nuclear da história


"Pesadelo que Não Tem Fim", págs. 94 a 97 de VEJA

Sete aulas de 50 minutos


Conseqüências do desastre nuclear de Chernobyl


Compreender as implicações do uso da energia nuclear

VEJA destaca as conseqüências da tragédia de Chernobyl, na Ucrânia, onde há vinte anos um reator nuclear explodiu e liberou radiação letal. O desastre, de múltiplas implicações e alcance planetário, pede uma abordagem interdisciplinar.

Atividades

1Ù, 2Ù e 3Ù aulas — A leitura da reportagem fornece dados e conceitos importantes, que podem ser aprofundados e debatidos em aulas de diversas disciplinas, sob a coordenação dos professores de Ciências da Natureza. Certos conhecimentos são básicos para o exame dos tópicos: estrutura do átomo, reações e decaimentos nucleares, funcionamento das usinas atômicas, efeitos biológicos das radiações etc. Se for o caso, utilize parte do tempo para tais explicações. Há planos de aula previamente desenvolvidos pelo Guia do Professor, disponíveis em versão on-line, que podem ser úteis.

• Sobre o processo de produção da energia nuclear, clique aqui.

• Sobre os perigos biológicos da radiação proveniente de material de laboratório e lixo atômico, clique aqui.

• Sobre o enriquecimento de urânio para usos energéticos e bélicos, clique aqui.

• Sobre desintegração do núcleo atômico e efeitos diversos da radioatividade, clique aqui.

Entre outras informações mencionadas por VEJA, vale explorar as seguintes:

• A energia nuclear é responsável por 16% da eletricidade consumida no mundo.

• A explosão de um reator em Chernobyl liberou 100 vezes mais radioatividade do que a bomba lançada em Hiroshima na II Guerra.

• Toneladas de material radioativo espalharam-se por uma área de 150 000 quilômetros quadrados.

• O acidente foi resultado de falha humana, mas teve suas conseqüências muito ampliadas pela demora das autoridades da então União Soviética em reconhecer o problema.

• As cidades para onde foi deslocada a população de Pripyat, vizinha a Chernobyl, apresentam graves problemas sociais. As pessoas têm medo de contrair doenças ainda em decorrência da exposição à radiação.

• O problema continua porque o sarcófago construído para deter o restante da radiação, logo após o desastre, apresenta rachaduras.

• É alta a incidência de câncer de mama e tireóide nas regiões contaminadas.

• À exceção do que ocorreu com quem estava próximo à usina no dia do acidente, a contaminação se dá nos órgãos internos, por isótopos radioativos.

• A contaminação nuclear é um fenômeno relativamente novo e parte de seus efeitos continua desconhecida.

Que tal reunir as conclusões da garotada num blog e convidar estudantes de todo o país a entrar na discussão? Com o apoio do professor de Língua Estrangeira, esse fórum tem tudo para ganhar contornos internacionais!

4Ù aula — Sob orientação do professor de Língua Portuguesa, a turma pode produzir um texto de ficção baseado na seguinte premissa:
. Sua família está na sala vendo TV, quando alguém bate à porta. O visitante é um policial avisando que vocês têm 30 minutos para recolher algumas coisas, apenas o mínimo para passar três dias fora de casa. Ao fim desse intervalo, um ônibus estará à espera para levá-los para outro lugar.

Estimule a imaginação de todos acerca do que levariam e de como se portariam nessa situação singular. Explique que foi assim, sem maiores satisfações, que os habitantes de Pripyat foram surpreendidos duas décadas atrás.

5Ù aula — Retome o estudo das conseqüências biológicas da radiação. Para tanto, convém rever as séries radioativas na tabela periódica, além de examinar a meia-vida dos elementos e os decaimentos que eles sofrem. Saliente os efeitos de curto prazo — por exemplo, os do iodo-131, cuja atividade se reduz à metade após oito dias. Diga que ele é o responsável pelo câncer de tireóide. Outros materiais, como o urânio-238 (cuja meia-vida é de 5 bilhões de anos), e o césio-137, obtido da fissão do urânio-235 (meia-vida de 30 anos), têm efeitos prolongados.

6Ù aula — A participação da energia nuclear no consumo energético mundial não é pequena. Organize um levantamento dos países que já a utilizam ou que pretendem aplicá-la para fins supostamente pacíficos. O caso do Irã é exemplar e deve originar uma reflexão sobre a reação que ele vem provocando no governo americano. Os professores de História e de Geografia podem ajudar com questionamentos sobre os interesses políticos e econômicos envolvidos no impasse, em que os Estados Unidos se colocam como xerifes da ordem mundial.

É interessante frisar a extensão do acidente de Chernobyl. A radiação contaminou uma área três vezes maior que a do Estado do Rio de Janeiro e seus efeitos ainda se fazem sentir. A nuvem radioativa criada pela explosão chegou a diversos países da Europa (veja o mapa). Um diagrama que mostra as zonas ainda contaminadas pelos isótopos pode ser acessado aqui.

7Ù aula — Conte que, no desespero para controlar a combustão após a explosão, equipes de socorro chegaram a jogar água sobre os restos do quarto reator de Chernobyl. Policiais, bombeiros, funcionários da usina e outros profissionais convocados para o plano de emergência desconheciam os perigos a que se submetiam. Examine com os estudantes as conseqüências desse procedimento, considerando a ação da radioatividade sobre a água e o percurso dela no solo e no subsolo. Recorde os problemas da contaminação nas cercanias. Ao clicar aqui, você acessa imagens que dão uma boa idéia da dimensão da tragédia.

 

Internet
O site http://en.wikipedia.org/wiki/Chernobyl_disaster (em inglês) oferece mais informações sobre os efeitos do acidente de Chernobyl

 

Aula sugerida por Marco Pasqualini de Andrade, professor do Departamento de Artes Visuais da Universidade Federal de Uberlândia (MG)

 
 
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