| |

Edição
1929, 2 de novembro de 2005
Ciências
da Natureza, Matemática e suas Tecnologias
Física
Embarque
com a turma no vaivém
da indústria automobilística
Discuta os conceitos físicos aplicados
na fabricação de carros de menor consumo e bom
desempenho

|
|
 |

Veículos
automotores, combustíveis e grandezas
da mecânica


Construir
e aplicar conceitos das várias áreas
do conhecimento para a compreensão
de fenômenos naturais e da produção
tecnológica


Discutir
conceitos da Física com base nas tecnologias
envolvidas na redução do consumo
de combustíveis |
|
|
O
grande símbolo de status muda na preferência
do consumidor conforme o bolso de cada um. E os fabricantes
de automóveis se vêem obrigados a acompanhar
a demanda. Na maior parte das vezes, esse mercado gira conforme
o preço internacional do petróleo tendência
que o Brasil segue, mesmo sendo quase auto-suficiente na produção
desse item energético. A reportagem de VEJA anuncia
um novo esforço das montadoras para sobreviver sem
fazer grandes investimentos: a criação de um
modelo de carro com design e dispositivos capazes de reduzir
em 50% o dispêndio de gasolina. As transformações
sugeridas passam todas pela aplicação de conceitos
da Física e podem servir como fio condutor para uma
revisão com a garotada ou mesmo uma abordagem
inicial do assunto.
Para
começo de conversa
Após
a leitura do texto, peça que a turma anote as grandezas
e os conceitos físicos citados. Liste no quadro os
principais tópicos da disciplina envolvidos: peso,
rendimento, pressão, força, trabalho, potência,
velocidade, coeficiente aerodinâmico, atrito, roldanas,
polias, engrenagens etc. Resuma as informações
mais relevantes sobre cada um usando, se necessário,
exemplos relacionados à reportagem.
É
bom lembrar que, apesar de ser basicamente o mesmo de 100
anos atrás, o carro atual tem quase todas as partes
e funções otimizadas tecnologicamente, com evoluções
do tipo mais e melhor do mesmo.
|

Clique
no carro para acessar o infográfico
|
Para
saber mais
Analise
cada um dos seis caminhos possíveis para diminuir o
consumo de combustível automotivo.
Materiais
mais leves Lembre que outras características,
além da densidade dos materiais, devem ser consideradas.
Mencione algumas: resistência mecânica (módulo
de Young, tensões, trações, cisalhamentos),
dureza, durabilidade, atrito, capacidade de dissipação
de calor e condutibilidade térmica.
Pneus
com sensores de pressão A pressão
interna nos pneumáticos altera a rigidez externa, o
que modifica o coeficiente de atrito e a área de contato
com o solo, aumentando ou diminuindo a aderência à
pista. Diâmetro, largura, área de contato e dureza
são calculados de modo a otimizar o atrito. Idealmente,
forças de atrito com o solo na direção
do movimento só devem existir no sentido do deslocamento
do veículo. Qualquer componente em sentido contrário
provocado, por exemplo, por pneus murchos faz
decrescer a resultante. Pneus muito cheios, por outro lado,
reduzem a área de contato com o solo e a aderência,
o que acaba produzindo uma redução na força
de atrito média.
Design
aerodinâmico O aspecto externo de um veículo
atende a diversos fatores, práticos e estéticos.
O coeficiente aerodinâmico depende do formato macroscópico
do carro, mas também de características microscópicas
de sua superfície. Assim, não apenas as linhas,
as curvas, devem ser consideradas, mas também a textura.
Faça uma analogia com as bolas de golfe, o pólen
de certas plantas, a pele dos tubarões etc.
Motor
inteligente Os padrões continuam a ser o
de 4 tempos (otto), o de 2 tempos e o diesel, todos centenários,
e mais recentemente o Wankel (nos anos 60, idealizado por
Felix Wankel). A tal inteligência dos motores,
devida aos microprocessadores, é de fato muito tardia.
Starter generator Quanto à função
desse componente, discuta a possibilidade de criar um sistema
capaz de girar durante a frenagem do automóvel e armazenar
a energia cinética translacional do movimento. Assim,
quando o veículo precisasse retomar a marcha (vencer
a inércia), a energia cinética do sistema seria
transferida às rodas.
Câmbio
de 6 marchas A potência (força x deslocamento
/ tempo) necessária para manter a velocidade de um
veículo, considerando constantes sua massa e seu formato,
muda com a própria velocidade (que implica variações
da resistência do ar, do empuxo, do peso aparente e,
conseqüentemente, do atrito com o solo). A cada velocidade
corresponde um valor distinto de potência necessária
e uma velocidade diferente de rotação do motor.
Ou seja, em baixa velocidade, a rotação do motor
pode ser baixa e a das rodas também, mas a potência
tem de ser elevada; em alta velocidade, a rotação
do motor precisa ser mais alta e a das rodas idem, mas a potência
pode ser baixa. O ajuste entre a potência necessária
e a velocidade do veículo é tão melhor
quanto maior o número de marchas disponível.
No limite, teríamos um câmbio contínuo
automático que, ao menos em teoria, é
plausível.
Exercícios
e outras atividades
Desafie
a moçada a sugerir outras estratégias possíveis,
por mais malucas que pareçam. Exemplifique com os carrinhos
de molas ou toróides giratórios (que armazenam
energia cinética de rotação). Apesar
de nas últimas três décadas esses dispositivos
terem quase desaparecido do mercado, substituídos por
conjuntos com pilha e motor elétrico, até hoje
os encontramos amiúde (nos brindes dos Kinder Ovos,
por exemplo). Uma idéia ainda não implementada
em nenhum modelo de automóvel implica dotar o veículo
de dispositivos capazes de aproveitar sua energia potencial
gravitacional durante uma descida, armazenando-a numa mola
ou mesmo num toróide giratório. No caso da mola,
deveria ser semelhante à espiral de um relógio.
Já o toróide poderia ser único, localizado
no meio do carro, ou quatro, localizados próximos e
paralelos às rodas. Realce que os toróides giratórios
dificultariam as mudanças de direção
(efeito giroscópico), mas esse inconveniente pode ser
eliminado com o uso de pares de toróides acoplados
em paralelo na vertical, ou mesmo dispostos horizontalmente
(o que, de quebra, ainda aumentaria em muito a estabilidade
do automóvel).
Outro
dispositivo interessante para discussão é um
sensor de vento, capaz de acionar automaticamente uma vela
aerodinâmica sempre que a componente da velocidade do
ar na direção do deslocamento for maior que
a velocidade do carro. Faça um resumo dos tipos fundamentais
de energia disponíveis para uso nos veículos
automotores e oriente a turma a pensar em maneiras de aproveitar
esses recursos.

Plano
de aula sugerido pelo físico Renato da Silva Oliveira,
coordenador do Planetário Móvel AsterDomus,
de São Paulo
|
|