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Edição
1929, 2 de novembro de 2005
Ciências
Humanas e suas Tecnologias Psicologia e Comportamento
Declare
guerra à pedofilia
e ao abuso sexual infantil
Mostre a diferença entre os dois crimes
e aponte os sintomas mais comuns que as vítimas apresentam
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Paulo
Jares
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Jovem
de 15 anos se prostitui em Belém: a capital do
Pará é um dos três piores exemplos
nacionais
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Pedofilia
e abuso sexual infantil


Relacionar
e interpretar dados e informações
para enfrentar situações-problema


Refletir
sobre os múltiplos aspectos da pedofilia
e do abuso sexual de crianças e identificar
mecanismos de controle dessas práticas |
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Foi-se
o tempo em que as monarcas assumiam uma pose plácida
enquanto se sentavam em tronos dourados, preocupadas apenas
em cumprir o protocolo e sair bem na foto ao lado do marido
coroado. Na Suécia, a rainha Silvia que é
filha de uma brasileira arregaçou as mangas
das vestes reais em 1996 e criou uma ONG para combater o abuso
sexual de crianças. De passagem pelo país na
semana passada, ela contou a VEJA que sua batalha começou
quando conheceu filmes pornográficos estrelados por
menores de idade. Sensibilize a turma para o problema, que
só fez aumentar com o anonimato propiciado pela internet.
A entrevista com a nobre escandinava abre espaço para
você explicitar a diferença entre pedofilia e
exploração sexual infantil. Este plano de aula
relembra ainda o escândalo que quase levou para a cadeia
o cantor Michael Jackson.
Preparação
da aula
Explore
com a garotada os sites indicados no final deste roteiro.
Se possível, imprima o texto do Estatuto da Criança
e do Adolescente. Tire cópias do quadro abaixo e distribua
para os estudantes.
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Como
identificar uma vítima de abuso sexual
Sinais
corporais e provas materiais
Doenças psicossomáticas sem causa
clínica aparente: dor de cabeça, erupções
na pele, vômitos etc.;
Coceira na área genital, infecções
urinárias, odor vaginal, corrimento ou outras
secreções vaginais e penianas;
Baixo controle dos esfíncteres, constipação
ou incontinência urinária;
Ganho ou perda de peso de forma abrupta; e
Traumatismo físico ou lesões corporais.
Sinais no comportamento e provas imateriais
Quanto
ao comportamento/sentimento
Medo de certa pessoa ou sentimento generalizado
de pânico;
Tristeza, abatimento profundo ou depressão
crônica. Fraco controle de impulsos e comportamento
autodestrutivo ou suicida; e
Baixo nível de auto-estima e excessiva
preocupação em agradar os outros.
Quanto
à sexualidade
Interesse súbito por questões sexuais;
Expressão de afeto sensualizada ou mesmo
certo grau de provocação erótica
inapropriado para a idade;
Masturbações compulsivas; e
Habilidade de desenhar órgãos genitais
com detalhes e características além de
sua capacidade etária.
Quanto a hábitos, cuidados corporais e higiênicos
Sono perturbado por pesadelos freqüentes,
agitação noturna, gritos e suores provocados
pelo terror de adormecer e sofrer abuso;
Fugas freqüentes de casa; e
Envolvimento em prostituição infantil.
Quanto à freqüência e ao desempenho
escolar
Assiduidade e pontualidade exageradas e pouco
interesse ou mesmo resistência em voltar para
casa após a aula; e
Queda injustificada na freqüência
escolar.
Texto adaptado do Guia Escolar
Rede de Proteção à Infância,
MEC/Unifem
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Para começo
de conversa
Explique
a diferença entre pedofilia e exploração
sexual infantil. Segundo a psicologia, a primeira é
uma patologia que se manifesta em adultos. Esses só
atingem prazer sexual com crianças e adolescentes por
meio do contato físico ou a apreciação
de fotografias e filmes eróticos. Como geralmente é
um indivíduo tímido e inseguro com a própria
sexualidade, o pedófilo tem dificuldade para se relacionar
com pessoas de sua idade e por isso aborda as crianças,
inclusive os filhos. O explorador sexual, por seu turno, faz
uso comercial das vítimas, agenciando-as para o usufruto
dos pedófilos ou vendendo suas imagens na rede mundial
de computadores, por exemplo.
Se
achar apropriado, pergunte se os alunos conhecem de perto
esse triste problema. Lembre que a prostituição
de menores é uma praga que envergonha o Brasil. As
cidades de São Paulo, Goiânia e as capitais da
Região Norte apresentam os maiores índices de
violência sexual contra crianças. Engrossam a
lista os principais municípios praianos do Nordeste,
onde o turismo sexual praticado tanto por brasileiros
quanto por estrangeiros só fomenta o crime.
Seus alunos provavelmente acompanharam o julgamento do ídolo
pop Michael Jackson, que respondeu por dez acusações
de abuso. Pergunte como eles avaliam a absolvição
do cantor americano. Será que o dinheiro pago às
famílias nos acordos falou mais alto do que a dor das
vítimas e calou a Justiça? Ou a suposta culpa
do réu não ficou mesmo evidente? Cite também
a novela América, da TV Globo, que trata ainda
que sem profundidade da questão da pedofilia
pela internet, e o longa-metragem Má Educação,
do espanhol Pedro Almodóvar, que ambienta o tema num
seminário católico.
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Divulgação
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Cena
do filme Má Educação, de
Almodóvar: crítica à pedofilia
em seminário católico
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Para
debater
Informe
que, segundo a legislação brasileira, criança
é quem tem de zero a 12 anos de idade e adolescente,
de 13 a 18 anos. O Estatuto da Criança e do Adolescente,
cuja leitura vai ser de muita utilidade para a construção
da cidadania dos estudantes, protege legalmente a infância
contra abusos como os da pedofilia. Mas também há
leis específicas que proíbem a produção
e a veiculação de imagens com conteúdo
sexual envolvendo menores de 18 anos. A pena prevista para
os infratores é de reclusão. Mesmo assim, são
comuns esses crimes, cometidos em diversas circunstâncias.
Além dos casos já mencionados, fale dos incidentes
rumorosos que abalaram a Igreja durante a última década.
Nos Estados Unidos, a paróquia de Boston chegou a declarar
falência por causa das indenizações bilionárias
que foi obrigada a pagar às famílias das vítimas.
O que acontece quando um coroinha se vê molestado por
um padre? Geralmente, o único castigo imposto pelo
Vaticano é transferir o culpado para uma paróquia
distante a fim de abafar o escândalo.
Ressalte
que os pedófilos se protegem das acusações
invocando exemplos históricos, como o amor dos filósofos
gregos por crianças, seus alunos nas escolas do período
clássico. Há ainda quem alegue que seu desejo
carnal deve ser respeitado, assim como qualquer outra orientação
sexual. De fato, a categoria criança não
existiu sempre da mesma forma em nossa sociedade. O conceito
é uma invenção da modernidade. Mas nada
disso justifica um ato de violência.
Exercícios
e outras atividades
Oriente
a criação de uma campanha contra a exploração
sexual de menores e a pedofilia. O material pode ser apresentado
em forma de cartazes, spots de rádio ou faixas de rua.
As informações do quadro abaixo servem como
ponto de partida para a atividade.

Má
Educação, Pedro Almodóvar, Fox Vídeo
Brasil, tel. (0_ _11) 3365-5200

O site www.censura.com.br
traz informações sobre a Campanha Nacional de
Combate à Pedofilia na Internet
No
endereço www.planalto.gov.br/ccivil_03/
Leis/L8069.htm é possível copiar o texto
do Estatuto da Criança e do Adolescente

Aula elaborada
pelo antropólogo Marko Synésio A. Monteiro,
professor da PUC-Campinas (SP)
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